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Sustenidos e Bemóis

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Sustenidos e Bemóis

“Nós podemos e devemos encontrar musicalidade em todos os “saltos” e baixos”, nos ensinam os musicistas e desde muito cedo nesta cidade de valorosa sonoridade, tenho aprendido com avidez essa, dentre outras verdades pré-dispostas em sustenidos e bemóis. Já à poesia de Fernando que nos remete a duvida do que pode ou não ser válido, logo se ratifica pela máxima do poeta lisboeta quando nos afirma que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Esta triste sinfonia à beira rio confrange a Cia. Penedense de Teatro que sente neste momento a inevitável necessidade de guardar em lugar privilegiado no Theatro as suas sapatilhas de amianto, e daí reverem a impostação de seus gritos e a utilidade de suas máscaras. Esta triste sinfonia confrange também a fiel platéia juliana, depositária das graças e do encantamento promovido pelo trabalho da mais antiga e singularíssima trupe teatral do Penedo.

Em outros momentos já foram ditos, inclusive nesse veículo de imprensa o qual me pré-disponho a falar, o quanto se faz imperiosa a elaboração de um Projeto cultural verdadeiramente consistente para Penedo. Também já foi dito que o Festival de Teatro de Penedo só existe por iniciativa e manutenção própria dos componentes da CPT que se alternam em funções públicas várias para, inclusive, sustentar seus sonhos dionisíacos. E por isso, haveremos de reconhecer que o fracasso deste ano que culminou no cancelamento do Festival, deve-se em sua maior parte a uma falha de produção harmonizada pelos organizadores. O que se diz aqui não é para causar espanto ou indigestão, muito pelo contrário, se falamos e buscamos verdades, por que então sonegá-las? Não há arte mais falsa do que o teatro, que finge, mente, vacila, e como arte, tenderá a ser sempre essencialista, cuja validade é limitada aos palcos, e se a deixamos passar por além daquele espaço limítrofe, veremos instaurada a crueldade e a burrice.

Ao ler a nota posta que informa o cancelamento do Festival, é possível identificar razões e intencionalidades justificáveis. Há muito não se creditam à Cidade do Penedo eventos culturais promovidos pela gestão pública municipal. A ineficiência da secretaria de cultura se dá pela simples razão de não se ter ainda uma visão honesta de política cultural. Somente quando não for mais possível contemplar o legado que foi deixado pelo suor dos ilustres artistas, poetas, educadores e civis, haveremos então de admitir que falhamos. Não se concretiza compromisso com o resgate e ou até mesmo manutenção da cultura, vale mais a preservação de votos; o que impera atualmente é a mais simbólica demonstração de ignorância, uma inversão de valores que nega uma gestão cultural em benefício intimo de um “gestor cultural”. O que se pode constatar também na ineficácia destas ações promovidas por ingênuos proletários em sentido menor, que se alto-intitulam grandiosos guerreiros das batalhas que ainda não aconteceram. E ainda sobre o Festival, diria que o teatro desenvolvido pela CPT em Penedo cinge-se a um diálogo de surdos, a um duelo de grupos, anteriormente chamados de amadores, hoje pretensos baluartes, que acendem cada um com suas próprias mãos as lamparinas de suas ribaltas.

Seria então possível culpar também o poder público pela não apresentação da 8ª edição do Festival de Teatro de Penedo? Já foi dito que o Theatro Sete de Setembro está entregue à própria sorte. O que mais se poderia dizer? O que causa espanto nisto tudo é a verdade dos fatos esculpida sobre carnes flácidas e esbranquiçadas. Ao palco mais antigo das alagoas, ainda como única opção de casa de espetáculos ativa no Penedo, é negada entre outras coisas uma direção cultural produtivamente ativa e profissionalmente capacitada a gerir as suas necessidades.

À Companhia Penedense de Teatro, existem inúmeras soluções de se garantir aportes para um evento como festival de teatro, a atenção neste momento se faz necessária pelo que ousamos entender por mais impuro e verdadeiro como a máxima de uma cultura que nunca angariou votos, assim também, a inexpressiva via comercial Penedense que se aliam à certeza de que de que nada é tão inútil para o momento do que buscar culpados, mas se eles existem… Que se curvem ao som desta sinfonia que atordoadoramente reverbera em nossos cérebros e que é a inconteste prova de que algo precisa ser feito, ou quando nada, dito.

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