Mesmo após o aumento da estrutura da sala secreta da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, os deputados continuam reclamando da dificuldade de pesquisar os inquéritos das operações Monte Carlo e Vegas, que estão disponíveis nos dez computadores da CPMI.
As duas operações investigaram o empresário goiano, Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de envolvimento em jogos ilegais e de comandar uma organização, com a participação de agentes públicos e privados, entre eles, políticos, como o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).
De acordo com o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), os documentos da Operação Monte Carlo, fornecidos pela 11ª Vara Federal, em Goiânia, estão dispostos em formato de imagem, que não permite buscas de nomes.
O deputado disse ainda que, ao analisar os arquivos da Operação Vegas, que chegaram à CPMI, por meio do Supremo Tribunal Federal, não encontrou as degravações das interceptações telefônicas, citadas, segundo Sampaio, pelo delegado Raul Alexandre Marques de Souza, em seu depoimento à CPMI na última terça-feira.
“Ele disse que foram gravadas mais de mil horas de conversas a partir do ano de 2009. Só encontrei degravações de 2011. Se estão em anexo, esse documento ainda não foi disponibilizado aos parlamentares”, disse Sampaio. A mesma reclamação foi feita pelo deputado Onyx Lorenzzoni (DEM-RS).
As dúvidas levaram o PSDB a pedir aos delegados da Polícia Federal Raul de Souza, que coordenou a Operação Vegas, e Matheus Mela Rodrigues, coordenador da Operação Monte Carlo, que verificassem a documentação em poder da comissão. Hoje (10), pela manhã, antes do início dos depoimentos da CPMI, eles analisaram os documentos, no entanto, não informaram ainda se faltam partes de inquérito.
A sala secreta da CPMI foi instalada com o objetivo de tentar conter vazamentos dos documentos recebidos da Justiça. Inicialmente, essa sala era equipada com três computadores destinado às consultas dos integrantes da comissão. Houve muita reclamação e o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo, decidiu ampliar a estrutura com a instalação de sete computadores. No entanto, as reclamações continuaram, pois os dois inquéritos somam, segundo a CPMI, 15 mil páginas de processo.
Na quarta-feira (9), o PSDB pediu ao STF o fim do segredo de Justiça sobre o inquérito. O pedido endereçado ao relator do caso no Supremo, ministro Ricardo Lewandowski, alega o princípio da publicidade e que a maior parte das informações já foram publicadas em sites. Os tucanos argumentaram ainda que o interesse público deve se sobrepor à confidencialidade dos autos.
Não há decisão do STF sobre o assunto. Hoje, a reunião da CPMI está marcada para ocorrer de forma secreta. A comissão ouvirá o delegado Matheus Rodrigues e os dois procuradores que atuaram na apuração Daniel de Rezende Salgado e Léa Batista de Oliveira.
