A viabilidade técnica e econômica do plantio de florestas de eucalipto em Alagoas foi o tema de um workshop realizado nesta sexta-feira (29), pela Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea) e pela Clonar – Resistência a Doenças Florestais, com o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (Seagri).
As palestras foram ministradas pelo professor da Universidade Federal de Viçosa, Acelino Couto – que apresentou sua pesquisa sobre a silvicultura em Alagoas -, pelo professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Nairan Féliz de Barros, pelos especialistas Edmar Augusto e Eduardo Rodrigues, e pela economista Lívia Catão, abordando as temáticas dos tratos culturais, importância dos cuidados com mudas, corte mecanizado, custos e captação de recursos.
O eucalipto é da mesma família de plantas como a pitangueira e a goiabeira, originário da Austrália, com 650 espécies diferentes descritas pela ciência, sendo 70 delas usadas comercialmente.
De acordo com o professor Acelino Couto, o Brasil lidera o ranking mundial em volume de área plantada com eucalipto (5,5 milhões de hectares), seguido da Índia (3,9 milhões de hectares), China (2,6 milhões de hectares) e África do Sul (606 mil hectares). Estima-se que, no mundo, cerca de 20 milhões de hectares sejam plantados com eucalipto para fins econômicos.
O Brasil é o país que apresenta a mais avançada tecnologia no cultivo e manejo do eucalipto, com melhores resultados quanto à produtividade e rentabilidade desse tipo de lavoura. No país, o estado com a maior área plantada é Minas Gerais (1,5 milhão de hectares), seguido de São Paulo (934 mil hectares). Alagoas possui atualmente cerca de 9 mil hectares de eucalipto.
“A demanda mundial por madeira é de aproximadamente 4 bilhões de metros cúbicos por ano, sendo a metade dessa demanda para fins de geração de energia. Isso é compatível com a perspectiva de produção em Alagoas, essencialmente destinada a esse fim. Além disso, a silvicultura apresenta grandes resultados quando consorciada a outras atividades, como a pecuária de pastagem, aumentando o ganho e a rentabilidade do produtor por hectare, agregando valor ao uso da terra e mantendo a vocação produtiva da região. Em muitas áreas, o eucalipto também é responsável pela manutenção da biodiversidade local”, disse Acelino Couto.
Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura, Álvaro Vasconcelos, o Estado tem incentivado o plantio de eucalipto para uso múltiplo, como forma de minimizar os efeitos da crise do setor sucroenergético.
“O eucalipto é mais uma alternativa que o produtor rural tem para driblar a crise, com a utilização na serraria, que é um uso nobre do eucalipto, bem como na geração de energia. Também é uma opção de geração de emprego e renda no setor produtivo. Essa é uma preocupação do governador Renan Filho, que já visitou algumas áreas de plantio de eucalipto em Alagoas e tem todo o interesse em desenvolver essa atividade do Estado”, disse o secretário.
O evento reuniu empresários, técnicos, professores e estudantes universitários e representantes do Sebrae-AL, Banco do Nordeste, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Braskem, além do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Alagoas (Faeal), Álvaro Almeida, do presidente da Desenvolve – Agência de Fomento, Antonio Pinaud, e do delegado federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Alay Correia.
