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Alagoas

Vida nova: Reeducandos do semiaberto terão oportunidade de trabalhar

José Edson é exemplo de pessoas que querem um novo começo na vida

Apesar do rosto envelhecido, José Edson tem apenas 34 anos e um futuro enorme pela frente. Dias esses que ele quer contar de modo bem diferente daqui pra frente. Pai de três filhos, ele é reeducando do Sistema Prisional Alagoano e será um dos beneficiados pelo convênio assinado, nesta sexta-feira, 9, que vai permitir que pessoas como José Edson possam viver em sociedade como qualquer outra pessoa, aprendendo um ofício, contando uma nova história de vida.

A partir desta sexta-feira, os reeducandos do regime semiaberto de Alagoas terão a oportunidade de trabalhar, de forma remunerada, pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) – e outras secretarias. Histórias como a de José Edson são bem parecidas: 130 homens e mulheres que cumpriram parte de suas penas no regime fechado querem mudar de vida com o trabalho.

Os reeducandos vão prestar serviços à Fazenda enquanto cumprem a pena. Com história similar a de José Edson, José Cícero da Silva Júnior, 30, foi sentenciado há cinco anos e seis meses de reclusão. Segundo ele, a expectativa de dias melhores com o novo ofício é a melhor possível, porque dessa forma vai conseguir criar os dois filhos e ter uma vida de tranquilidade.

“Enquanto estava no regime fechado, eu já estava focado em estudar e fazer diferente na minha vida e na vida dos meus filhos, mas agora com essa oportunidade será ainda melhor, porque estarei empregado e vai ser mais fácil de estudar e conseguir dar aos meus filhos uma boa educação. Estou muito feliz e procurando meu melhor, não quero mais o mundo do crime”, afirmou José Cícero.

O José Edson não pensa diferente. Ele contou que o trabalho vai ajudá-lo no sustento da família, esposa – dona Eulália -, e dos três filhos, além de ajudar no aluguel da casa.

“Quando nós saímos daquele lugar [prisão], saímos à toa, sem emprego nenhum e quando aparece uma oportunidade desse tipo, nós temos que agarrar com unhas e dentes e fazer tudo para andar no caminho certo”, frisou.

Ele disse ainda que quando cumprir toda sua pena quer trabalhar e dar tudo de bom aos seus filhos, para que o caminho seja diferente do dele.

“Antes de ser preso era tudo diferente, eu andava em um caminho errado peguei 54 anos e cumpri 13 anos no regime fechado, agora fui liberado para o semiaberto e apareceu esse projeto para trabalhar e assim estou mantendo minha família e vou continuar assim”, relatou o otimista José Edson.

A 'oportunidade' ofertada, tão falada, por José Edson devolveu não apenas a esperança de recontar sua história de vida, mas como ele bem contou, o legado que ele vai deixar para seu filho caçula, Dominic, falou mais alto.

“Quero que ele tenha uma outra história minha, que ele siga um rumo diferente de mim, e é esse exemplo que quero deixar com ele, de mudança e tudo novo, de renovação”, disse emocionado ao lembrar do sorriso de Dominic.

O convênio representa para o Estado uma economia de mais de R$ 3 milhões, na aquisição de serviços. Há inclusive previsão de ampliação de vagas entre as duas secretarias, Fazenda e Ressocialização.