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Uma resposta estrambóticamente cômica – (Coisas da minha terra)

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Uma resposta estrambóticamente cômica – (Coisas da minha terra)

Lá vem Nair de Perequeté para seu habitual afazer. Baixa, gordinha, cabelos trançados, traz na cabeça uma bacia de roupa suja e um banco debaixo do braço. É uma sessentona. É também a década de sessenta. Surge depois Dé de João de Zulima e em seguida tantas outras com os mesmo apetrechos para lavar roupa no são Francisco. Algumas trazem seus filhos menores por não terem com quem deixa-los. São autênticos curumins que se deliciavam como pequenos índios, em demorados banhos. Brigavam suas mães com as peripécias, principalmente quando eram molhadas com borrifos de água ao se jogarem ou, como se dizia no serrão, davam batins.

Enquanto isso, as lavadeiras conversavam. O curioso é que não havia cantoria mas tão-só, de vez em quando ouvia-se uma voz isolada. As conversas, como se pode imaginar, além de abordar problemas no âmbito familiar, a vida alheia não podia ficar de fora. Depois de falarem do descaramento de seus maridos com outras mulheres, buscavam alivio na desgraça dos outros. Quem era novo corno e a piranha que o enfeitou? A moça que a noite fugiu com o namorado, perdeu a virgindade e foi abandonada pelo sedutor. Eram fatos comuns na época.

Talvez nenhum assunto fosse tão comentado quanto a saúde, assim como nos dias atuais. Nos menos afortunados, como especialidade, em razão dos males do corpo castigado pela subnutrição, tornam-se um lamento sem fim de sofrimentos. As lavadeiras acima pertenciam a esse grupo que não se cansa de confessar aos outros suas dores migratórias pelo corpo.

Vamos à resposta acima. Imaginemos a terminologia que certos ignorantes empregam para descrever ao médico os sintomas que os incomodam. É inacreditável! Onde é que a ignorância vai buscar tanta ignorância? As palavras, como se fossem um neologismo, completamente arrevessadas, são quase incompreensíveis. No caso em tela, vamos ver o exemplo do preciosisismo do nosso vernáculo. Num certo dia Nair, em suas costumeiras confissões doloridas, disse a amiga Dé que há algum tempo vinha sentindo um ‘’roncô’’ na barriga, um ‘’zinabro’’ na boca e uma dor que subia e descia pelo cordão da ‘’viria’’. Sentindo-se altamente incomodada, veio ao médico, aqui em Penedo. Ao se reencontrarem a lavar roupa, Dé quis saber o resultado da consulta . Relatou-lhe que não entendeu muita coisa que o médico lhe disse. Uma delas era que eu tinha pressão alta. Você sabe o que é isso? Saber eu não sei, não. Mas, cá pra mim, acho que é alguma coisa la ‘’pras banda do cu’’. Da para imaginar que pudesse surgir tamanho disparate? Uma senhora comédia!

Entretanto, pensando bem, pode ser que Dé tenha uma certa razão se acharmos que o nosso aparelho digestivo equipara-se perfeitamente a um biodigestor que libera gases sob pressão. Não é o que acontece com a gente que solta muitas vezes em alta pressão gases pelo fiofó!
Para quem desconhece o que sejam as artérias, a pressão alta, por outra via, esta bem explicada.
 

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