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TRIBUTO A UM MESTRE

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TRIBUTO A UM MESTRE

No transcurso de minha vida, fui, aos poucos, galgando os degraus que me levaram a uma posição compatível com os meus conhecimentos e minhas aspirações. Sempre acreditei que somos o que desejamos ser. Tudo é uma questão de foco, de determinação, de acreditar que somos capazes de atingirmos o topo. O cérebro é o centro de onde fluem os desejos e, se perseguidos, se tornam em realidade. Somos seres perfeitos só que uns sabem usar os seus potenciais, outros não.

Um dos maiores estudiosos da mente humana, Dr. Bob Proctor diz que: “Tudo o que entra em sua vida é você quem atrai, por meio das imagens que mantém em sua mente. É o que você está pensando. Você atrai para si o que estiver se passando em sua mente”. Pois bem, se você vive pensando que não vai vencer, fique certo que essa vontade vai se concretizar.

Caso contrário, se você diz para você mesmo que alcançará aquele objetivo que tanto sonhou e que fará tudo para atingir essa meta, com certeza você chegará lá. Não há limite para as conquistas do ser humano, o que o limita é a pequenez dos seus pensamentos. O que pensei, o que persegui, conquistei. Se limitei as minhas conquistas foi porque não soube tirar proveito do elevado potencial que tenho dentro de mim mesmo.

Desde uns trinta anos atrás, algo me incomodava dentro dessa expectativa de realizar sonhos. Sempre tive paixão por violão, não sei por que motivo. Durante muito tempo possui um violão guardado em minha casa ansioso para aprender a formar os acordes e, posteriormente, executar músicas. Lembro-me que ainda era gerente regional da CEAL em Penedo, e, as sextas- feiras levava o meu violão para um colega animar os nossos encontros semanais, findo o qual o levava de volta para o seu lugar de costume: em cima do guarda-roupa.

Tomei conhecimento que existia na cidade, um professor renomado cujo nome prefiro não declinar. Mandei-lhe um recado para que comparecesse à minha residência que ficava na Rua João Pessoa. Certo dia, alguém bateu à porta, e quando a abri, vi um cidadão moreno de certa estatura com um violão às costas. Ele foi logo me indagando:

– É o senhor que quer aprender tocar violão?
– Sim. Respondi.
Imediatamente me formulou outra pergunta:
– O senhor sabe cantar?
– Respondi-lhe: Não.

Então, com todas as letras, aquele senhor me disse: “quem não sabe cantar não aprende tocar violão”, e retirou-se. Fiquei parado e frustrado. Entrando, olhei para o violão que permanecia em cima do guarda- roupa e ato contínuo resolvi doá-lo, mas o sonho permaneceu vivo, apenas em letargia. Dizia comigo mesmo: Não é possível que passe a minha vida com essa frustração de não ter aprendido a tocar violão, se tenho conseguido coisas tão mais importantes em minha vida.

Longos anos se passaram até que o sargento Barbosa comentou comigo que seu filho Alex, que fora meu aluno, estava aprendendo tocar violão e me fez um convite para ir até sua residência. Admirando a desenvoltura de Alex falei do meu desejo. Alguns dias depois, recebi a visita do sargento Barbosa que me convidou para conhecer o professor Arnaldo, o professor do seu filho. Chegando a sua casa fui bem recepcionado e após uma breve conversa apresentou-me uma apostila com o conteúdo das aulas e já fomos juntos adquirir um violão. Iniciei as aulas e, aos poucos, com muita força de vontade e com a paciência do professor aprendi a formar os primeiros acordes. Depois de certo tempo, toquei a primeira música: Como é Grande o Meu Amor por Você, de Roberto Carlos. Venci o medo e conquistei o meu sonho. Pouco importa se era uma música com acordes simples, um abc na tão extensa seara musical. Eu toquei e cantei acompanhado pelo professor. Como forma de me incentivar e aos outros alunos, com certeza, o professor diz sempre que aprendeu a tocar violão depois dos 50 anos, pois é sobrinho de Zé Neguinho, conhecido violonista, já falecido, olhando ele fazer os acordes.

O professor Arnaldo é violonista conhecido, principalmente nas serestas, onde com esmero, brinca com as cordas do seu simples violão. Vários dos seus alunos são hoje profissionais tocando em bandas ou em conjuntos e outros aprenderam para o seu próprio deleite. Apesar de já ter transposto, e muito, a marca dos setenta anos, tem uma mente privilegiada, exercitada, diariamente, pelo contato contínuo com o seu instrumento. É, sem dúvida alguma, um dos valores que deveria ser lembrado como tantos outros, como integrante de um privilegiado grupo de amantes da música, esquecidos pelo tempo e pela modernidade. Ele tem feito a sua parte, contribuindo, dentro de suas possibilidades, para que a vocação musical do penedense não seja esquecida.

Uma vez por semana, quando tenho tempo , continuo recebendo aulas, aprendendo, já sem tanta dificuldade, novos acordes, mas o professor Arnaldo, com a mesma paciência e com uma pedagogia aplicada àquela arte vem me incentivando ao ponto de já ter composto algumas músicas e posto nelas os devidos acordes que são aperfeiçoados ao crivo do professor. Não tenho pretensões de ser um exímio violonista, mas sou um vencedor, por ter conquistado um sonho que por pouco não se transforma em pesadelo. Ser professor não é somente transmitir ou partilhar conhecimentos, mas sim, também, ajudar a realizar sonhos. Nunca desista dos seus sonhos.

Parabéns professor Arnaldo por ser um incentivador da arte que aprendeu com tanta dificuldade, mas que a transmite com paciência e facilidade. O professor indica o caminho, mas compete ao aluno, se assim desejar, avançar em busca de seu aprimoramento.

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