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Trabalhar e passear em Penedo

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Trabalhar e passear em Penedo

Penedo, cidade construída sobre rochas, fundada pelos holandeses, há mais de quatrocentos anos. Um dos berços históricos e culturais de Alagoas. Terra de casarões, museus e igrejas que contam histórias pitorescas e fabulosas.

A vida me levou a Penedo. Quando concluí minha graduação em Biblioteconomia, fui convidada para atuar na Faculdade Raimundo Marinho, onde permaneço até os dias de hoje.

De cara, a cidade me encantou.

Dedicada aos afazeres que me eram atribuídos pela Faculdade, nos períodos vespertinos e noturnos, desfrutava a felicidade de ter as manhãs livres para garimpar as joias penedenses.

Os dias foram passando, um após o outro, durante seis anos, e os meus olhos foram habituando-se: as paisagens, os monumentos, os becos, as ruas, os calçamentos e ao rio. Pois é, além de toda riqueza cultural, a cidade ainda é banhada pelo Rio São Francisco, com suas águas ora azuis, ora verdes, e sua prainha fazendo a festa e alegria dos seus habitantes nos dias de folga.

A vida me levou ainda a ser contadora de histórias e, através desse caminho, resolvi não apenas contar histórias. Por que também não criá-las? Num curso de que participei sobre o fazer literário, uma das atividades proposta pela ministrante foi a realização de uma viagem para Penedo a procura de vivências estéticas.

Confesso que ao abrir o email de minha professora fiquei um pouco aborrecida.

– Poxa! Já fico de segunda a quinta em Penedo e ter que retornar no sábado.

Estava redondamente enganada. Para começo, retornar a Penedo, ainda que para cumprir uma tarefa, com o pessoal do curso, foi inovador.

Durante a viagem, houve um percalço: o ônibus apresentou uma falha mecânica e foi trocado por outro, o que nos causou uma hora de atraso. Porém não foi o suficiente para nos tirar o bom humor e ainda serviu para unir o grupo.

Chegamos a Penedo esfomeados. Com algumas amigas dirigi-me ao Oratório não para rezar, mas para degustar os quitutes de lá.

Água de coco para matar nossa sede, caldinho de feijão com torresmos crocantes como entrada. E o prato principal? Hum! Aquela peixada preparada com o saboroso fruto do Rio São Francisco.

Como se diz : “barriga cheia, mão lavada, pé na estrada”. Saímos então, a buscar nossas vivências estéticas.

Passamos pelo centro histórico com suas fachadas maravilhosas, remetendo-nos ao passado glorioso da cidade; mercado de artesanato que não se diferencia dos vários mercados existentes por aí. Mas, o tempo urgia tínhamos hora marcada para retornar à Maceió.

Havia tanta coisa para ser vista: Museu do Paço Imperial, Forte da Rocheira, Igreja dos Pretos e de São Gonçalo, Conventos de Nossa Senhora dos Anjos, Casa do Penedo, Teatro Sete de Setembro…

Saímos então a passear por Penedo. Tira uma foto aqui, tira outra foto ali… Foi quando encontramos D. Maria, Maria nome de mãe, nome de amiga, ela que com 96 anos de idade, estava na sala de sua casa, sentada numa cadeira de balanço, observando a rua pela janela e a confeccionar renda de bilro!

Dona Maria nos convidou a entrar em sua casa. E que alegria tê-la em nossa companhia! Que exemplo de vida! Aquela simpática e sábia anciã nos encantou.

Embora o desejo fosse de ficar ali por várias horas, ouvindo suas histórias, o tempo não nos permitiu. Assim, prosseguimos o passeio.

Em nossos corações, todas sabíamos ter encontrado uma joia chamada Maria e que nunca mais a esqueceríamos.

Bem que D. Maria poderia tornar-se patrimônio vivo desta cidade!


 

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