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Cultura

“Tadeu dos Bonecos” é um dos candidatos ao registro de Patrimônio Vivo de Alagoas

Cícero Tadeu Gomes Lyra compete com mais 33 indicados alagoanos

A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) publicou no Diário Oficial do Estado, a relação com o nome de dos candidatos inscritos no processo seletivo para registro do Patrimônio Vivo do Estado de Alagoas. O edital busca preencher uma vaga destinada a um representante da cultura popular alagoana.

Entre os candidatos, está Cícero Tadeu Gomes Lyra, o Tadeu dos Bonecos. O carnavalesco, que representa o município de Penedo, tem contribuído diretamente com a Cultura não só da cidade, mas também de municípios de toda região do Baixo São Francisco e também de outros estados, lutando para manter acesa a arte dos famosos bonecos gigantes.

No último carnaval, por exemplo, Cícero Tadeu virou destaque nacional e voltou as atenções da imprensa e dos carnavalescos de plantão para o município ribeirinho. Isso porque o artista teve a ‘brilhante ousadia’ de construir o boneco mais alto e mais bonito do Brasil, como ele mesmo gosta de frisar, que foi batizado de “Galeante da Noite”.

“Tadeu dos Bonecos” confecciona suas obras de arte à imagem e semelhança de personagens reais que fazem história em Penedo. Para produzir os bonecos, Tadeu usa tecido, isopor, papel, madeira, fibra de vidro e alumínio. Com uma técnica invejável ele consegue criar algo que impressiona não só pela altura e beleza, mas também pela aproximação com a realidade, invadindo assim o imaginário de pessoas das mais variadas idades.

“Me escrevi e estou aqui na torcida para ser selecionado. Faço arte por amor e todo mundo aqui sabe disse, mas já que tem esse programa maravilhoso à disposição dos artistas porque não tentar me inserir nele? Independentemente do resultado continuarei sendo Tadeu dos Bonecos e mesmo com algumas dificuldades continuarei dando minha contribuição para a Cultura local”, declarou o candidato em conversa com a redação do portal de notícias aquiacontece.com.br.

Cícero Tadeu Gomes Lyra nasceu na cidade Neópolis, em Sergipe. Ainda criança teve que se mudar para Olinda, em Pernambuco, junto com uma tia. Na cidade, tradicionalmente conhecida pelo carnaval de rua e, consequentemente, pelos numerosos bonecos gigantes que habitam na localidade, o artista conheceu a arte e foi a amor à primeira vista.

“Tive que ir para Olinda porque meu pai teve 9 filhos e não tinha condições de criar todos. Então por ironia do destino eu fui escolhido para ir morar em Olinda com minha tia. Lá comecei, ainda pequeno, a fazer esculturas de papel na escola. Quando completei 13 anos passei a morar em Penedo e desde então me dediquei a arte. Fui me aperfeiçoando, criando novas técnicas, experimentando novos materiais e consegui criar os bonecos gigantes que fazem a alegria de multidões”, complementou.O Livro de Registro do Patrimônio Vivo do Estado de Alagoas reconhece como Patrimônio Vivo do Estado mestre ou mestra que detenham os conhecimentos ou as técnicas necessárias para a produção e para a preservação de aspectos da cultura tradicional ou popular de uma comunidade estabelecida em Alagoas.

São considerados aptos a receber o registro de Patrimônio Vivo brasileiros residentes em Alagoas há 20 anos e que tenham participação comprovada em atividades culturais no mesmo período. Uma comissão especial, composta por cinco representantes de entidades relacionadas à Cultura, vai analisar e avaliar os candidatos.

O reconhecimento proporcionará aos mestres uma bolsa de incentivo vitalícia de um salário mínimo e meio, para a manutenção dos grupos e o repasse dos conhecimentos.