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Se Sergipe Pode, Por Que Não Pode Alagoas?

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Se Sergipe Pode, Por Que Não Pode Alagoas?

O pleito salarial dos servidores estaduais que está a desenrolar-se, dificilmente não buscará no Estado de Sergipe um paradigma para balizar o teto de suas reivindicações, especialmente na Polícia Militar. Não será bom para o Governo de Alagoas, sempre alagado em lágrimas de crocodilo e falsas lamentações que, o têm tornado, por anos seguidos, surdo, mudo e insensível às justas aspirações do funcionalismo.

No mundo competitivo em que vivemos, o inferior quando deseja galgar ao patamar onde se encontram os de nível superior, espelha-se nas boas qualidades e parte para transformar seu desejo em realidade. A competição não existe apenas no nível individual entre as pessoas, mas entre países, estados da federação e cidades. Por exemplo, histórica é a rivalidade entre Sergipe e Alagoas e suas respectivas capitais. Entre os dois estados, qual a nota de cada um? Basta dizer que Sergipe, há muito anos, ostenta a melhor renda per capta do nordeste.

Como gostaríamos de ver Alagoas despertar do torpor que o acomete por tantas gerações, procurasse alçar vôos mais altos e deixasse de ver refletida em si mesmo a imagem de penúria que o coloca na rabeira dos demais estados. Frente a essa triste realidade, sentisse vergonha, sacudisse a poeira e os nossos políticos, sentindo o peso da culpa, fossem tocados pela graça do milagre, fizessem por Alagoas juras de amor e prometessem de fato todo o empenho para erradicar-lhe sua endêmica miserabilidade. Como seria extraordinário!

Existe uma piada na qual Deus distribuiu para cada país vantagens e desvantagens, sendo estas em quotas de calamidades naturais. Chegada a vez do Brasil, achou por bem livrá-lo da fúria da natureza, dando-lhe como compensação um exército de corruptos e ladrões. Será que Deus foi bonzinho com o Brasil? Bem, as calamidades são passageiras e danos materiais reparáveis, ao passo que os nossos políticos são permanentes, eternos e irrecuperáveis. Será que Deus fez o mesmo com os estados do Brasil? Tudo indica que sim. Com referência a Alagoas, por exemplo, deu-lhe as mais belas praias do Brasil, privilégio que por si só seria suficiente para pô-lo no topo do crescimento, com a exploração do turismo, atividade que mais gera renda e emprego em todo o mundo. E como anda nesse setor? Engatinhando. Por que? Acontece que do outro lado da moeda, Deus castigou Alagoas, dando-lhes proporcionalmente ao seu tamanho um considerável contingente de políticos corruptos, verdadeiros bate-estacas que afundam o estado, corrompem e emperram a máquina administrativa, gangrena o corpo sadio de Alagoas e jogam na completa escuridão as mais belas e acalentadas esperanças dos alagoanos.

Vamos às expectativas do funcionalismo. Por antecipação, sabemos que o Governador Vilela, o Senhor Balela, nas negociações salariais, virá com a mesma choradeira, a surrada desculpa da falta de recursos financeiros e o respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. Até quando perdurará essa desculpa? Quando os servidores poderão nutrir a esperança de um reajuste digno? Alguma providência está sendo tomada para corrigir as distorções que impedem atender condignamente a demanda do funcionalismo? Afinal de contas, em que causa ou causas se centram as dificuldades financeiras? Queda na arrecadação do ICMS? Não. Nunca o Estado de Alagoas arrecadou tanto. O que será então?

Sob o aspecto comparativo com Sergipe, chama-nos a atenção a reivindicação da Polícia Militar que tem atualmente um piso salarial de mil e quinhentos reais. Está pleiteando um de dois mil e oitocentos reais, mesmo assim inferior ao de Sergipe que é de três mil e quinhentos reais. Por que Sergipe pode e Alagoas não? E a educação, como está? Em termos salariais, já foi uma das melhores do Brasil. E as condições de trabalho? Nada elogiável. Acrescentando-se a isso as perdas salariais e a falta de professores, o quadro da educação no estado pode ser definido como de abandono. O que podemos dizer de um governo que relega, deixa ao descaso a educação, quando todos sabemos ser o principal fator para o desenvolvimento em todas as áreas da atividade humana? Não vamos desgastar os adjetivos, mesmo sendo os piores.
Como é irritante e desconfortável ler nos jornais ver e ouvir o noticiário televisivo sobre Alagoas!

Sentimos uma sensação de vazio e abandono, desconsolo e tristeza que resultam em depressão e um tormento para o espírito. Não é que não existem as boas coisas, mas são tão poucas que quase não as percebemos, diluídas e perdidas que ficam na imensidão de um mar revolto de calamidades. Não devemos, no entanto, abdicar do otimismo, mesmo diante dessa paisagem desoladora da Terra do São Nunca. Acender-lhe a chama, sem dúvida, está mais para um ato de fé do que uma crença racional de que venha ocorrer, a médio prazo, uma regeneração, uma nova mentalidade entre os nossos políticos individualistas, rudes e historicamente retrógrados. Em Sergipe, os políticos divergem, o que é muito natural, mas convergem em bloco, quando está em jogo o interesse do estado. Eis um importante diferencial, razão porque afirmamos que enquanto não houver uma mudança na visão político-administrativa dos nossos representantes, Alagoas, por mais que se mire no espelho de Sergipe, só verá dentro de si mesmo, com escancarada nitidez, toda a sua miséria e mediocridade.
 

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