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Esporte

Ricardo Oliveira é ouro no salto em distância nos Jogos Paralímpicos

Com a bandeira do Brasil, Ricardo comemora o primeiro ouro paralímpico da carreira

O nome de Ricardo Oliveira foi mais uma vez anunciado no Engenhão. O público vibrou e o atleta se encheu de energia. Era a sexta e última tentativa na final do salto em distância da classe F11 (deficientes visuais) nos primeiros dias de competições de atletismo nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Ele não sabia, mas naquele momento Ricardo tinha 6.43m, enquanto o atual campeão mundial e recordista, o norte-americano Lex Gillette, estava com o ouro no peito por um centímetro (6.44m). Era preciso saltar como nunca. E Ricardo voou para o lugar mais alto do pódio. Saltou 6.52m para garantir o primeiro ouro do Brasil na competição.

“Acreditei que foi um bom salto a partir do momento que eu fiz a fase de voo. Geralmente, conto 1 e fecho a fase, e nesse último salto deu tempo de contar 1 e meio. Quando finalizei o salto eu senti que era o ouro se eu não tivesse queimado”, contou. “Estou emocionado, um momento que vou levar para o resto da minha vida. É algo incomparável”, resumiu.

A sede de vitória era grande e Ricardo queria garantir logo um bom salto. Ele queimou o primeiro e aquilo o incomodou. “Fiquei mais pilhado e pensei: ‘agora não vou errar mais’. E fui para cima”, contou. Na segunda tentativa, conseguiu 6.41m, a melhor marcada validada da carreira. Até o quarto salto, ele liderava a prova. Na quinta oportunidade, Lex Gillette saltou 6.44m e Ricardo fez 6.43m logo depois. Mas o brasileiro contou que não sabia esses números.

“Eu não me preocupo com os adversários, meus guias são orientados a isso. Concentro eu, meu guia e a prova. Meu técnico (Everaldo Braz) disse: ‘Ricardo, você ficou em segundo’. Ele não falou ‘ele saltou x’. Ele disse: ‘Ricardo, você está a um centímetro de diferença’, mas não falou número nem nome, porque aí eu me concentro e coloco em prática o que vim para fazer”, explicou.

No salto em distância para os cegos, o silêncio é importante porque os atletas são orientados na execução do movimento. Mas assim que Ricardo fez o sexto salto, o público explodiu. “Fiquei muito emocionado, agradeço a todos os que torceram por mim, me ajudou muito e me deixou com aquela pegada de brasileiro”, afirmou o atleta, que ficou totalmente cego na adolescência em decorrência da doença de Stargardt.

Irmãos dourados?

O brasileiro tem duas irmãs que também são deficientes visuais. Uma delas divide com Ricardo a paixão pelo esporte. Atual campeã mundial na mesma classe do feminino, Silvânia Costa é a caçula e vai competir no dia 16 de setembro.

“Eu sempre quis ter um irmão, e a Silvânia, por ser a caçula e estar sempre do meu lado, preencheu esse espaço. Somos unidos, até no material de esporte. Eu comecei primeiro, chamei a Silvânia, ela foi melhorando e um foi incentivando o outro. A gente chegou aonde chegou através de superação e confiança”, contou.

Confiança não falta de que o próximo ouro paralímpico da família está próximo. Mas o primeiro já está garantido: o menino que, por causa da deficiência, viveu por tanto tempo isolado, sem querer sair de casa, viu no esporte a libertação e um estímulo para ir mais longe. Talvez não imaginasse que o voo mais alto seria tão perto de casa.