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Alagoas

Recurso garante assistência a crianças desnutridas até 2018


Para diminuir os agravos nutricionais de pessoas carentes e minimizar os problemas de desnutrição e obesidade entre as crianças alagoanas, o Governo do Estado liberou R$ 1,2 milhão para manutenção do Centro de Recuperação Nutricional (Cren). O investimento partiu do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep) e continuará beneficiando centenas de famílias na periferia de Maceió.

Com uma perspectiva interdisciplinar, a Organização Não Governamental (ONG) Nutrir, idealizada pela nutricionista Telma Toledo, promove a recuperação nutricional e atenção à desnutrição infantil e à saúde de familiares das crianças.

Desde 2007, o projeto oferece apoio pedagógico e nutricional a 100 meninos e meninas subnutridas, ambulatório pediátrico para tratamento de desnutrição ou obesidade para comunidade e aulas de educação física com orientação para as mães ou responsável legal.

Com uma ampla unidade física, decorada com mobília confortável e divertida, o Cren atende crianças com idade de 1 a 6 anos de cinco comunidades: Gama Lins, Eustáquio Gomes, Portelinha, Cidade Sorriso e Vila Emater.

Muitas mães, sem autoestima e condições financeiras para alimentar os filhos, procuram o Centro em busca de ajuda. Lá, encontram uma infraestrutura equipada com laboratórios, salas de aula e oficinas artesanais. Um lugar onde é possível mudar a situação de pobreza em que estão inseridas.

A jovem Liliane da Silva, de 26 anos, mãe de José Hugo, de 6 anos, conta que seu filho passou pelo semi-internato de recuperação nutricional e, há dois anos, saiu. Ela continua voltando para realizar exames periódicos, participar das oficinas nutricionais e assistir as aulas de culinária com baixo custo.

“Quando meu filho entrou aqui, de tão pequeno, achei que morreria, e eu também. Eu não conseguia alimentá-lo, era muito sofrimento. Depois que conhecemos o Cren, ele renasceu. Enquanto ele ganhava peso, eu aprendia muitas coisas aqui. Com a ajuda que eu tive, agora eu sei cuidar melhor de mim e do meu filho”, contou.

Enquanto brincava com os coleguinhas, Wesley Rodrigues, de cinco anos, falou o que mais gosta de fazer no Cren. O menino disse que, lá, tem brinquedos, livros para estudar e, principalmente, comida para se alimentar. Em sua casa, a família não tinha nada para comer.

“Aqui eu leio, pinto, brinco e como muito. A minha mãe diz que é para comer tudo o que as tias oferecem, porque lá em casa não tem. Às vezes eu consigo levar um lanche para ela. Todas as vezes que eu volto para casa, ela fica mais feliz”, contou Wesley com um sorriso no rosto.

A coordenadora da instituição, Gabriela Rossiter, explicou que, em um primeiro momento, o foco era unicamente o combate à desnutrição em crianças que vivem em áreas de vulnerabilidade social. Porém, ao longo dos anos, pesquisadores voluntários e a equipe técnica do Cren percebeu uma inversão de alvos. Foi comprovado que a incidência de obesos se sobressai à de desnutridos, devido à transição nutricional, verificada, também, na população carente.

“Trabalhamos, hoje, tratando os dois polos, desnutridos e obesos. No semi-internato, apenas crianças desnutridas ficam aqui, de 8h às 17h, no pré-escolar. Elas são alimentadas com cinco refeições balanceadas ao dia e contam com apoio pedagógico, psicológico e assistência social”, explicou a coordenadora.

O apoio do Governo do Estado, por meio de um convênio que disponibiliza funcionários da Secretaria Estadual de Saúde e a liberação de R$ 1,2 milhão do Fecoep, viabiliza a manutenção da instituição até o ano de 2018. A verba será destinada ao pagamento de funcionários e compra dos materiais de consumo.

Pesquisadores, voluntários e colaboradores

O projeto encanta os olhos de quem visita, alimenta crianças, orienta mães a preparar a comida dos seus filhos e fomenta a solidariedade em estudantes, mestres e doutores que frequentam a instituição, que funciona como fonte laboratorial de estudos nas áreas de nutrição, pedagogia, psicologia e serviço social.

A voluntária Layse Veloso, doutoranda em psicologia, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por exemplo, revelou a satisfação em conciliar a profissão e a experiência de conviver com as crianças, acompanhando o desenvolvimento delas.

“É um sonho realizado. Sou bastante feliz em minha profissão porque trabalho juntando o ideal, o amor e a ciência. Tenho acompanhado os resultados e quando a criança melhora, ficamos ainda mais felizes que os usuários. É muito gratificante contribuir com o crescimento deles”, declarou.

Além dos cinco profissionais – dois pediatras, uma nutricionista e uma assistente social – cedidos pela Secretaria de Estado da Saúde, o Cren conta com uma equipe de 35 funcionários e a colaboração da Cooperativa do Açúcar e da Fundação Mafre, que contribuem com o fornecimento de subsídios para alimentação e medicamentos.

Qualquer pessoa também pode cooperar com o projeto com doações e serviços. O Cren está localizado na Avenida Gama Lins – s/n, Conjunto Denison Meneses, Maceió – AL, no Cep 57072-740.

Para mais informações ou doações, interessados devem entrar em contato pelo telefone (82) 3322-1361.

Entre os serviços ofertados pelo Cren, estão:

Cuidados diários de crianças desnutridas de 1 a 12 anos com tratamento ambulatorial e em semi-internato;

Cuidados médico pediátrico, nutricional, odontológico, pedagógico e atendimento social e psicológico às famílias;

Oficina de Manipulação – Receitas culinárias são feitas junto com as crianças, para que tenham a oportunidade de trabalhar o conteúdo aprendido em sala de aula de maneira prática e lúdica, promovendo a autonomia da criança, bem como a oferta de alimentos com preparação específica;

Oficina Textura Sabor – Apresentar novos sabores de alimentos não ingeridos no cardápio habitual;

Oficinas de Educação Nutricional para as mães ou responsáveis;

Oficinas de Habilidades Sociais voltadas para as mães ou responsáveis;