Aos sábados e domingos, por volta das 16h30, após as visitas dos familiares aos reeducandos, uma voz soa forte dentro do Núcleo Ressocializador da Capital (NRC).
Rapidamente, o som se propaga no ambiente, transmitindo uma sensação de paz e harmonia. O momento especial pode ser sentido por todos aqueles que entram nas dependências daquela unidade, situada no sistema prisional, em Maceió.
O canto vem de uma sala reservada, onde os custodiados participam do Projeto Musicoterapia, criado há cinco anos pela Secretaria da Ressocialização e Inclusão Social (Seris) e que vem ganhando mais espaço nesta gestão. Lá, eles recebem orientações e têm acesso a instrumentos profissionais de música. A iniciativa promove o desenvolvimento motor e psicológico, além de melhorar a autoestima dos internos.
Para o reeducando Josiel Andrade da Silva, mais do que um momento especial para a sua reintegração social, estar reunido com outros internos no Projeto Musicoterapia, seja cantando ou tocando violão, representa um momento de louvor e adoração ao Senhor.
“Quando estou cantando não me sinto preso, é uma sensação de liberdade. Agradeço a Deus por estar aqui e ter essa vivência única”, comenta o interno.
Mas engana-se quem pensa que Josiel desempenhava seu talento artístico fora do ambiente prisional. Com onze anos de idade ele tinha o desejo de ser músico, mas só a vontade não era suficiente. “Ficava admirado vendo meu irmão tecladista tocar em eventos particulares, no município de São Miguel dos Campos, onde morávamos. Mas faltava coragem e, principalmente, oportunidade para realizar o meu desejo”.
O tempo passou e o que parecia ser um sonho distante acabou se concretizando no momento em que Josiel menos esperava. “Acabei cometendo um crime e fui preso há cinco anos. Mas por incrível que pareça, aquilo que poderia ser um fim, tornou-se um recomeço.
Aqui no presídio recebi assistência religiosa, comecei a cantar nos cultos evangélicos e hoje peguei gosto pela música para fazer parte do Projeto Musicoterapia”.
A chefe do NRC, Geórgia Hilário, comenta que a música resgata o que os internos têm de melhor e, periodicamente, ocorrem apresentações artísticas. “Além de tirar os internos da ociosidade, através da música disseminamos valores culturais, religiosos, históricos e pedagógicos. Assim como o Josiel, temos vários casos onde a música age como renovação espiritual. Eles sentem orgulho de tocar e cantar nos eventos realizados aqui no Núcleo”.
E faltam palavras para Josiel agradecer o apoio recebido no presídio. “Meu talento é fruto de Deus. Mas toda essa vivência não existiria sem o incentivo do secretário de Ressocialização, tenente-coronel Marcos Sérgio de Freitas, e todos aqueles que fazem parte do NRC. Eles têm um coração enorme e deram essa oportunidade que está mudando a minha vida e de vários outros reeducandos”, fala emocionado o custodiado que se prepara para levar o seu dom para fora do presídio depois que cumprir sua pena.
