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Produtividade, a diferença que faz a diferença

Recentemente, no programa Band News no Meio Dia, o jornalista Eduardo Oinegue afirmou em seu comentário. que somos um país improdutivo, comparando o que produzimos em relação ao que produzem as empresas americanas e europeias. O comentário é pontual, comparando que enquanto um funcionário americano em 1 hora produz US$ 70, o brasileiro apenas produz US$ 17. O resultado desta comparação é o alto custo dos nossos produtos, que chegam aos consumidores finais, com preços que limitam as aquisições somente a um restrito segmento da sociedade.

As informações comparativas da produtividade total de dois países levam em conta o que é produzido por todas as empresas, que é importante, mas limitada, sendo mais claro, considera o total do PIB e pessoas envolvidas no processo e, a partir desta média transformá-las em informações mensais, diárias e por hora, sem segmentar as empresas por produtos. Expressando-me mais claramente, as informações do parágrafo anterior é a média geral simples sem considerar os devidos desvios padrões e outras variáveis e é por isto que o professor Delfin Netto dizia que a “média é uma m….., pois existem quem está acima desta média e quem está abaixo”. Delfin gostava de utilizar trocadilho.

Seguindo este raciocínio e segmentando os setores produtivos, o nosso agronegócio encontra-se acima da média nacional, superando significativamente a produtividade de outros países, enquanto certos setores da nossa indústria, infelizmente, vão no sentido contrário dessa média, o que a leva à baixa competitividade apresentada no mercado internacional. O segmento de serviços oscila entre os extremos, pois é muito dependente de conhecimentos, e sua produtividade é a mais dependente da qualidade do ensino nas regiões do nosso país.

O interessante seria analisar a comparação de nossa produtividade com a americana por segmentos e analisar os resultados apresentados, principalmente o seu desvio, que espelha as distâncias dos extremos da média apresentada.

Embora o assunto da produtividade seja de uma importância prioritária, somente é pauta permanente das grandes indústrias que não pertencem ao grupo das beneficiadas com benesses governamentais por meio de subsídios, isenção fiscal, incentivos etc., que formam o cobertor da incompetência e que todos ao final pagam esta alta conta.

Não podemos de maneira alguma incluir neste grupo destoante da realidade o agronegócio que cresceu, de acordo com dados do IBGE, 113% entre 2012 e 2025, enquanto a área de plantio teve um crescimento de 66,8%, graças à boa atuação de seus gestores e aos avanços proporcionados pela pesquisa. Registre aqui a Embrapa, que ainda resiste ao sucateamento governamental. Regionalizando estes bons exemplos, quem se recorda da produtividade da nossa cultura de cana-de-açúcar na década de 70/80, na vigência do subsídio para o setor?

Mas o acerto de contas das empresas improdutivas está batendo à porta com o acordo Mercosul/UE, com uma perspectiva da abertura de um mercado de mais de uma centena de bilhões de dólares, pois quem terá participação neste quinhão serão as empresas que hoje já participam deste mercado, com preços competitivos e têm boa participação, pois sua produtividade está em nível internacional. Embora o governo divulgue que é uma grande oportunidade para todos, a seleção natural deixará muita gente na porta de entrada.

Até o presente momento, não vejo preocupação quanto ao fato de que é um mercado mútuo, pois o nosso mercado interno será inundado de produtos europeus, com preços muito melhores que os similares locais, o que levará muitas empresas despreocupadas com a produtividade à falência. Seleção natural, que é a consequência da má gestão pública e privada. Pública que contribui com carga fiscal alta, insegurança jurídica, falta de um plano sério de governança governamental, entre outras variáveis, privada pela não utilização de investimentos em equipamentos modernos, péssima produtividade e completa ausência de fundamentos básicos da gestão.

E as micro, pequenas e médias empresas, como ficarão? O ambiente será caótico para elas, principalmente as de transformação e com menos intensidade nas de serviço, mesmo assim ainda terão tempo de se adequarem ao que está por vir, desde que tenham competência.

O futuro será alvissareiro para umas e preocupante para outras. Viva a produtividade.