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Sergipe

Prefeitura investe na erradicação do analfabetismo em Aracaju por meio da EJA

Para assegurar a jovens, adultos e idosos que não puderam concluir os estudos na idade regular, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Educação (Semed), desenvolve o programa Aracaju Alfabetiza, que faz parte do Planejamento Estratégico da gestão, a partir do qual oferta a Educação de Jovens e Adultos (EJA), que objetiva erradicar o analfabetismo na capital sergipana.

Ao considerar as características dos alunos, seus interesses, condições de vida e de trabalho, o Aracaju Alfabetiza busca elevar a escolaridade das pessoas, com um ensino atrativo, fazendo com que se sintam mais motivados a participar.

“Nós estamos trabalhando para que as aulas sejam um pouco mais atrativas, para diminuir a evasão. Queremos fazer com que os alunos tenham aula extraclasse. Já têm algumas escolas solicitando ônibus para que os alunos saiam para conhecer a cidade, como um atrativo a mais, saindo da rotina de sala de aula”, destaca a coordenadora da EJA na Semed, Ana Izabel de Moura.

A rede municipal de ensino de Aracaju conta com seis turmas do Programa, cuja maior demanda é da população idosa. De acordo com a coordenadora da EJA, os alunos da terceira idade se sentem aprendem no ritmo deles.

“A professora aproveita o que eles já sabem e trabalha de forma diferenciada, respeitando o limite de cada um e fazendo projetos, agregando a isso cursos da Fundat, para que eles possam sair daqui também com especialização no campo profissional, tudo nas condições de cada turma, pois cada uma é diferente”, explica Ana Izabel.

Na turma do bairro Santa Maria, onde as aulas são ministradas no período da tarde, a professora Simone Tavares busca trabalhar seu conteúdo de forma dinâmica, indo além da sala de aula. “Trabalhamos sempre com recortes de livros, histórias. Além disso, fazemos passeios, até pelo bairro mesmo, onde vamos na mercearia para elas aprenderem a ler os preços, fazerem continhas, algo bem dinâmico para atrair, para que elas se sintam motivadas”, ressalta a professora.

Com uma turma composta de senhoras da terceira idade, a professora Simone recebeu de suas alunas uma demanda muito importante: ensiná-las a assinarem o nome, algo considerado fundamental pelas alunas. “Precisamos motivá-las, trazendo coisas atrativas para que elas consigam evoluir, e eu sinto que elas evoluem bastante! Muitas já conseguem escrever o nome e soletrar. Elas acham a assinatura do nome algo muito importante”, frisa.

Comprometidas com a aprendizagem, as alunas da EJA no Aracaju Alafbetiza entendem a importância da educação, e participam do Programa porque desejam ou precisam. A aposentada Maria José de Lima, 67, buscou ampliar seu conhecimento para ter mais independente. Com o objetivo de se locomover pela cidade no transporte público, Dona Maria José tem como meta, além da assinatura do seu nome, conseguir ler os itinerários dos ônibus.

“Procurei o projeto porque é preciso saber das coisas. As vezes quero pegar um ônibus e não sei letra nenhuma. Agora estou aprendendo a fazer meu nome direitinho , que eu só assinava copiado. Quero aprender para ir para os lugares e saber os meios de transporte, não ocupar as outras pessoas, ser independente”, justifica a idosa ao reforçar o quanto está gostando das aulas.

Colega de classe de dona Maria José, Grinaura da Conceição, 73, deseja aprender a ler e escrever para professar sua fé. Ela busca entender o que prega a bíblia, desejo que nutre há muito tempo. Moradora do Santa Maria, ela se sentia estagnada por não conseguir entender o que está escrito no livro sagrado. Assídua na busca pelo seu objetivo, dona Grinaura começou no Centro de Referência do bairro, há três anos, e agora frequenta regularmente as aulas da EJA.

“Eu queria muito fazer aula porque sou da igreja católica, quero estudar a bíblia e não estava sabendo. Além disso, assinar meu nome. Tem três anos que frequento o Cras, comecei lá e vim para aqui. Aqui estou e muito feliz com a minha escola. Amo a minha professora e todos que estão aqui comigo. Só não venho para as aulas quando estou doente”, confessa sorridente dona Grinaura.