O país tem uma média de 4,8 veículos por habitante
Não é de hoje que se discute a poluição causada pelo trânsito. Somente em São Paulo, cidade com a maior frota de automóveis do país, os carros são responsáveis por 72,6% das emissões de gases efeitos estufa no setor de transporte, segundo dados do Instituto de Energia e Meio Ambiente, Iema. Os dados assustam ainda mais se considerarmos que os automóveis são responsáveis pelo transporte de apenas 30% da população.
Era de se imaginar, portanto, que com a redução do tráfego de veículos nas ruas devido à greve dos caminhoneiros que aconteceu no país em Maio, a poluição do ar também fosse reduzida. Contudo, os números ainda impressionam. Segundo a Cetesbe, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a capital paulista registrou uma queda de 50% nos níveis de emissão dos poluentes durante o período da greve.
Os impactos da greve dos caminhoneiros
A queda de 50% nas emissões foi registrada após 7 dias de greve em duas estações, Cerqueira César e Ibirapuera. De acordo com os dados, os índices aumentaram quando houve liberação do rodízio de veículos, mas reduziram na medida que os postos ficavam sem gasolina, diminuindo o número de carros e ônibus nas ruas. No fim do sétimo dia de greve, a qualidade do ar em São Paulo era considerada boa para todas as estações de medição — evento considerado raro pelos especialistas.
Se por um lado a greve trouxe melhorias para a qualidade do ar respirado pela população, por outro, os transtornos causados foram inúmeros. Prateleiras de supermercado vazias, falta de gasolina e voos cancelados nos aeroportos foram só alguns deles. A greve, deflagrada no dia 21 de Maio, teve como principal reivindicação a redução do valor do diesel, principal combustível do transporte rodoviário do país.
Poluição e saúde: o impacto na população
Segundo Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP), a queda da poluição precisa ser estudada para avaliar os impactos na saúde pública. Isso porque ainda é difícil medir os verdadeiros impactos da poluição no rendimento da população. Saldiva sugere que seja feito o cruzamento dos dados de índices de poluição e de engarrafamentos em São Paulo com o número de mortes e internações no mesmo período.
O diretor do IEA-USP ainda ressaltou os impactos econômicos que a poluição pode causar, uma vez que ela pode reduzir consideravelmente a capacidade produtiva da população economicamente ativa. Para descobrir esses números, Saldiva disse que deve-se considerar a quantidade de dinheiro que o país perde por dia por ter uma parcela dos trabalhadores ativos falecendo antes da expectativa de vida média devido a problemas de saúde causados pela poluição.
Ameaças de uma nova greve
Enquanto ainda não é possível calcular com precisão os impactos da redução da poluição em São Paulo, rumores de uma nova greve dos caminhoneiros assustaram a população em Setembro e criaram filas nos postos de algumas cidades do país. Enquanto os rumores não passavam de “fake news” espalhada pelo WhatsApp, isso mostra como os carros ainda são o meio de transporte preferido do brasileiro.
O país tem uma média de 4,8 veículos por habitante, número que o coloca como 4° país com maior frota de carros por habitante do mundo, atrás apenas de China, Estados Unidos e Japão.
