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Penedo Histórica e Turística: Um Cartão Postal ou Bostal?

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Penedo Histórica e Turística: Um Cartão Postal ou Bostal?

Penedo está um paraíso para os porcos. Seu atual estágio de desconstrução civilizatória, de decadência e regressão, que antagoniza com o espírito de gloria do passado, até parece um propósito consciente para transforma-la numa original pocilga mista de porcos e sua população. Não somos contra o porco, de carne saborosa por sinal, mas contra a porcaria, a imundície que a transforma num chiqueiro a céu a aberto. As criticas e reclamações com essa insuportável convivência são generalizadas, urgindo que os que cuidarão do seu destino deixem a sua aparência. Para tanto, Penedo não precisa, necessariamente, de um prefeito arquiteto, mas que tenha um bom gosto pelo belo e apreço pela limpeza. Que se sirva de bons arquitetos para construir e fazer reformas, assim como saber impor ordem em tantos desarranjos que a tem transformando numa cidade espantalho. Também não é indispensável que seja um paisagista, mas que tenha ouvidos para escutar os apelos e reclamações da população. Que tenha olhos para ver a sua triste aparência de uma velha desprezada, quando sua idade, respeitados os vestígios do passado, é um dos fatores da sua atual e permanente redenção. Que tenha sensibilidade, sinta o desejo e a necessidade de remoçá-la para que possamos respirar a pureza do seu ar e continuarmos a admirar e cultuar a inspiração estética de seus criadores. Será que isso é uma preocupação de somenos importância? Acreditamos que não. A boa aparência e a limpeza de uma cidade refletem o seu grau de civilidade, servindo de cartão postal para os que nos visitam. Não bastasse esse aspecto sedutor, que enfeitiça o nosso espírito, a higiene, tem a eficácia do saneamento preventivo contra inúmeras doenças e evita a convivência com animais pestilentos. Será que essas razões não são suficientes para que a nova e seguintes administrações ataquem de frente a repulsiva fealdade de Penedo que tanto nos nauseia, envergonha e horroriza o turista?

  Por que Penedo, na proporção do seu crescimento físico, vem na mesma medida se mostrando avessa ao bom gosto e a higiene? A resposta, infelizmente, simples e evidente, é que sua população, na grande maioria ignorante, não tem noção de sua importância e os malefícios de um comportamento rústico e primitivo.

O turista que nos visita, chegando pela travessia de balsa, do outro lado assesta o seu binóculo e tem uma agradável visão dos casarões coloniais, certo que suas expectativas não serão frustradas em conhecer mais uma cidade histórica. Ao desembarcar, no entanto, não deixa de sentir um certo desapontamento logo ao desembarcar, exatamente com a nossa sala de visitas. Sala que no passado era uma cozinha desarrumada. Surgiu então uma vivificante reforma que lhe deu um bonito visual. Surgiram na praça bares padronizados e outras obras à beira do rio. Foi como a chuva que caindo em terra fértil, fez surgiu a vida, especialmente à noite, antes inexistente. Recentemente passou por uma nova reforma e que não obstante, decorrido um longo tempo, não sabemos se já concluída, dada a precariedade e o mau gosto do que foi feito. Qual foi sua finalidade? Se teve um sentido prático e estético, pessoalmente, enxergamos o contrário, classificando-a como uma deformidade desses objetivos.

Qual a realidade nua e crua, atualmente, da nossa sala de visitas? Há muito estamos assistimos boquiabertos e incrédulos a um retorno gradual à sua condição de cozinha suja e desleixada. Seus bares, com exceção do Oratório, parcialmente descaracterizados na aparência, ganham ares dos botecos do Pavilhão. Desarrumados, sem um cardápio original, só o turista com gosto pelo exótico é capaz de se dirigir aos mesmos. É consequência de uma escolha aleatória dos que estão a explorá-los, sem antes submetê-los, como condição indispensável, às orientações do SEBRAE a respeito da atividade comercial, seus requisitos para um bom atendimento e o bom aspecto de seus estabelecimentos.

Sequenciando a degradação visual da sala em tela, não podia ter surgido cenário mais inconsequente com as pretensões de uma cidade que se diz turística do que a tolerância com as horríveis barracas instaladas em frente ao supermercado Ki-barato. Uma turista, incrédula com o que via, perguntou a um nativo se as barracas pertenciam aos sem-terra, para a venda de seus produtos agrícolas. Além de ser uma aberração o comércio lá existente, por sinal sujo, feio e insignificante, serve para atestar o alheamento e o desprezo pela cidade por parte da administração municipal. Não menos vergonhoso é o lixão da Rua João Pessoa, em terreno baldio de frente para a igreja São Benedito. De vez em quando uma máquina faz a limpeza. Sem meios para impedir a ação da ignorância por parte de carroceiros, o cenário se repete com o descarregamento de entulho. O que mais podemos esperar para borrar a fotografia da nossa cidade? Já tivemos a oportunidade de ver despachos de macumba, talvez com a intenção de pedir aos orixás que levem uma mensagem a sua divindade superior para que clareie a visão dos futuros prefeitos, a fim de acabar, definitivamente, com a sujeira que toma conta da cidade. Que venha a salvadora graça divina para mudar, pois, o que mais nos causa pessimismo e decepção não é tanto o que acabamos de descrever, mais a burra persistência para não mudar para melhor.

Penedo clama por uma mudança de mentalidade de seus administradores para fazê-la reencontrar-se, perdida que se encontra de sua vocação histórica. O novo prefeito recebe uma cidade transviada do seu rumo, desprezada, transmitindo a mais completa imagem da desolação de uma velha caduca a arrastar os pés, desarrumada, suja e desfigurada, obrigada a carregar em suas mãos trêmulas uma taça emblemática de cidade turística cartão bostal. É uma cena deprimente, mas é a dura e melancólica realidade que a cerca. Esperamos que a gestão que se inicia eleja a limpeza como uma de suas prioridades, escolha que por si só a distinguirá como de pleno êxito. Faça com que Penedo sinta aos poucos a agradável sensação de estar removendo do seu corpo a sujeira que a sufoca e passe a vesti-la com o requinte da elegância própria de uma senhora de classe disposta e preparada para contrair núpcias eterna com a higiene que a reconduzirá ao convívio com a civilidade, trocando o depreciativo cartão bostal pelo autêntico postal a revelar toda a sua beleza, naturalmente bela por natureza.
 

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