“Eu ressuscitei”: penedense emociona ao relatar transplante de fígado e faz apelo pela doação de órgãos
A história de Petrúcia dos Anjos, uma penedense que recebeu um transplante de fígado após meses enfrentando uma grave condição de saúde, emocionou os ouvintes da Rádio Penedo FM 97,3 nesta terça-feira (29). O caso foi destaque no programa Lance Livre, em reportagem do repórter Rafael Medeiros.
Ao lado do filho, Jaciel, Petrúcia relembrou o período mais difícil de sua vida. Durante cerca de um ano, conviveu com um forte acúmulo de líquido no abdômen, que chegou a ultrapassar 30 litros. A situação era tão delicada que ela precisava ir praticamente toda semana à UPA para retirar o líquido e, com o avanço da doença, já tinha dificuldades até para caminhar.
“Eu estava sofrendo com essa barriga. Toda semana ia para a UPA tirar água da barriga”, contou Petrúcia durante a entrevista.
Segundo Jaciel, a família chegou a perder as esperanças diante da gravidade do quadro. A mãe já apresentava uma condição bastante debilitada e passava a maior parte do tempo na cama. Foi então que, durante a madrugada, veio a notícia que todos aguardavam: havia a possibilidade de um fígado para o transplante. “Foi um misto de emoções. Devido à gravidade do fato, somos seres humanos e já havíamos perdido a esperança”, relatou Jaciel.
A cirurgia aconteceu há três meses. Desde então, a família acompanha uma recuperação que considera surpreendente. Para Petrúcia, o transplante representa um verdadeiro recomeço. “Graças a Deus chegou o dia do transplante e eu ressuscitei. Estou aqui, para a honra e glória do Senhor Jesus, contando a minha história”, disse a penedense.
A experiência também transformou a forma como a família enxerga a doação de órgãos. Jaciel fez questão de lembrar que o órgão recebido por sua mãe veio de uma doadora de 33 anos. “É difícil para a família dizer sim e permitir que outras pessoas continuem. Mas a cada sim, uma pessoa pode salvar, no mínimo, oito vidas”, afirmou.
Para ele, a decisão da família da doadora permitiu que Petrúcia tivesse uma nova oportunidade. O filho aproveitou a entrevista para fazer um apelo para que as pessoas conversem com seus familiares sobre a intenção de serem doadoras. “Diga sim. Diga sim. Eu acredito que a maior prova de amor é permitir que outra pessoa continue vivendo”, declarou.
Alagoas Transplanta amplia esperança para pacientes
A história de Petrúcia também ajuda a mostrar, na prática, a importância da ampliação dos transplantes realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Alagoas.
Em janeiro de 2025, o Estado realizou o primeiro transplante de fígado inteiramente pelo SUS no Hospital do Coração Alagoano, em Maceió. O procedimento marcou um momento histórico para a saúde pública alagoana e integra as ações do programa Alagoas Transplanta.
A iniciativa tem como objetivo ampliar o acesso aos transplantes dentro do próprio estado, evitando que pacientes precisem buscar atendimento fora de Alagoas e criando novas possibilidades para pessoas que aguardam por um órgão.
O caso de Petrúcia mostra o impacto que essa estrutura pode ter na vida de uma família. Depois de meses de sofrimento, internações e incertezas, a penedense hoje conta sua própria história de recuperação e usa a experiência para levar uma mensagem a quem ainda está na fila. “Para quem está esperando, não perca a esperança e não perca a fé”, aconselhou.
A entrevista exibida pelo Lance Livre também reforçou uma mensagem que ultrapassa a história de Petrúcia: transplantes dependem de uma rede de saúde preparada, mas também de um gesto que começa dentro das famílias. Conversar sobre doação de órgãos e deixar clara a vontade de ser doador pode representar, para quem está esperando, a diferença entre continuar aguardando ou ganhar uma nova chance de viver.
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