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Para onde vão os ilustres?

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Para onde vão os ilustres?

Sempre me vi na obrigação de mostrar a mim mesmo o quanto posso ser múltiplo, e por ser eu múltiplo, seja duplo e facetado, mas que suplica aos orixás todos que nunca em minha santa emoção eu tenha a necessidade de ser falso.

Postando comentários de cultura, e por entender a cultura de forma exacerbadamente vasta, no orgasmo de minhas alucinações que para alguns possam ser patéticas, para uns outros poéticas e para uns tantos outros cabíveis e necessárias, vejo a necessidade de comentar a cultura do Penedo, e nesta oportunidade a de alguns legisladores do Penedo inclusive para tirar a prova dos “9 fora”.

Quando optei em ser artista, e sou por talento e formação (ao que pesa todas as modéstias) trago comigo um comentário do poeta francês Antonin Artaud que diz exatamente: “… aos poetas mortos todos lhe oferecem tempo para ler e reler suas memórias, mas aos poetas vivos não oferecem ao menos uma xícara de chá ou um pouco de ópio para reconfortá-los…” até mesmo para fugir desta verdade. Caberia este comentário com letras coloridas numa eloqüente faixa de tamanho “extra g”, para que fixasse-a na sala das sessões Sabino Romariz da Câmara Municipal de Penedo, Sabino, que a titulo de curiosidade é um dos poetas menos lidos do Penedo, e isto é uma lástima? Qual será o maior – talvez o chimbinha? bem, basta que perguntemos a um professor da rede municipal de ensino sobre algum escrito do nobre poeta; é bem possível que o professor não tenha nem ao menos passado pela tal rua Sabino Romariz e tampouco o tenha lido. Mas a raiz do problema está bem acima do intelecto do pobre professor, e acreditem, é consideravelmente mais grave.

O comentário a que me referia se levado na prática caberia mais para trazer de volta à realidade alguns nobres legisladores da Câmara Municipal, bem como para frustrar um errado projeto, que de tão vago – andou vagando pelos corredores da Casa do legislativo na última semana, e inexplicavelmente ao som gritante de sussurros fantasmagóricos, talvez até mais alto e mais imponente que os trios elétricos e os bailes da baixadinha tão aclamados pela cultura pop do Penedo não mais contemporâneo de Sabino Romariz.

Um “projeto de lei nº. 039/09” que a meu ver é injusto, indigno e sem fundamentação e razão se quer para se pensar “foi posto em votação em regime de urgência” no qual homenagear-se-ia o falecido promoter Ialdo Martins, titulando com seu nome a Rua São Pedro onde residia. (“O Projeto foi aprovado nas três discussões e seguirá para a sanção ou não do prefeito municipal”).

Para esta atitude eu me atrevo a perguntar ONDE ESTÃO NOSSOS ILUSTRES? E para onde vão? Em algum tempo fátuo estes homens existiram e arruavam pelas ruas plantadas com a importância de homens verdadeiramente ilustres que ficaram presos na memória e nas calçadas, isto quando as temos em contrário ao “barro vermelho e duro”, pois como será para nossos filhos, para meus tataranetos arruar daqui a um bom tempo pelas ruas Sabino Romariz, Nilo Peçanha, João Pessoa, Joaquim Gonçalves, Ialdo Martins, Eutiquio Lopes, Barão do Penedo? Opa… Alguém estranho no pedaço? Para a cidade do Penedo sim. Para a terra de Elisio de Carvalho, de Gilberto de Macedo, de Ernani Mero e de tantos outros ilustres esquecidos, Antônio Pedro, Cesário Procópio e lá se vão horas de lábia, sim, há uma grande injustiça emaranhada numa ignorância berrante.

Quando digo que estou convencido destas coisas, é que estas coisas para mim importam muito, por que penso história e vivo e faço história me permitindo a certos momentos até cair em contradição, mas não vejo nenhuma racionalidade, tampouco espírito passional em levantar uma questão como esta. Que fique claro que não tenho nada nem contra o “homenageado” nem contra o “homenageador”, apenas me entrego ao direito que tenho de ainda me indignar com tamanhas idiotices partindo de pessoas que foram postas em seus atuais assentos simplesmente para pensar Penedo, e principalmente pensar esta cidade de maneira abrasadora, quente, fervente e útil e não com bobagens e alienações; sei que para alguns este estado de espírito é inatingível até mesmo por um baixo senso intelectual aguçadamente crítico que os faça ver coisas importantes e que devem ser postas nas discussões não somente das plenárias, mais também nos bancos, nas escolas, nas praças e que de fato serviriam bem mais.

Para mim e para os meus esta insatisfação é gritante, e ver a que passo estamos, a quantas andam nossos gestores e pela antipatia da situação que é insuportável e são nestes momentos em que desejaria então ter nascido em Arapiraca, Carrapicho, Bangladesh ou até mesmo na Cerquinha das Laranjas terras sem histórico; e que nestas minhas palavras toda a arrogância seja compreendida.

Quando se homenageia um civil e não somente, acredito, após sua morte deve haver critérios para isto, que muitas das vezes não são seguidos e são claramente deturpados por plebeus ignorantes que numa levantada de bandeira só confirma suas origens inanimadas. Por que então não pensar grande e usar o poder outorgado pelo povo para servir de base e conhecimento ao próprio povo? Por que não homenagear em vida os grandes ilustres de nossa terra? Mas grandes e ilustres verdadeiros, pessoas que trabalham por Penedo com uma finalidade única: melhorar Penedo; da forma a que trata o projeto do nobre vereador, contrariamente a este poderia ser posta alguma homenagem ao Francisco Alberto Sales, ao Claudionor Higino, à Lúcia Regueira, à Lísia Ramalho Marinho, ao Raimundo Vieira, ao Hélio Lopes, à Alita Andrade, ao grande Castanha e tantos outros homens que realmente ilustram nossa terra e estão vivos e bem próximos, bem preparados, bem reis e consumíveis, dignos da cultura penedense.

Tudo isto que falo é puramente reconhecido nas caras dos meninos do Rio, consumidores fervorosos dos bailes da baixadinha, dos trios elétricos e que estão ameaçados pela própria sorte, percebo o quanto estão desvirtuados todos os valores culturais do Penedo, nada nesta terra nunca foi tão maltratado como a cultura ultimamente, sai uma e entra outra e uma é tão inútil quanto a outra; para se ter idéia do absurdo a que chegou o valor cultural do Penedo não se reconhece nem ao menos os artistas a quem dirá suas pérolas, enquanto um comércio decadente investe migalhas em trabalhos indignos como o trio elétrico, bloco de micaretas, bandas bregas de arrocha a franga e baixa a saia alguém de real valor perde a oportunidade de realizar suas glórias. Isto seria aspecto social comum a Alagoas e ao Brasil? ou apenas em Penedo se torna mais visível? Lembrando que Penedo só existe uma e é justamente a que possivelmente terá mais uma rua fantasiada “a la croquèe pasion”, mas ainda teimo em acreditar no bom senso daquele a quem compete à decisão final.

Talvez fosse mais justo e necessário se os nobres edis de nossa Câmara dispensassem suas atenções às causas justas como a segurança pública, “mata-se mais gente em Penedo do que no Iraque”, a educação e a cultura como elementos primordiais e investissem nelas como autênticos beneficiários – coisa mais fácil só tirando a prova dos “10 fora”, mas antes de tudo é imperioso que nossos legisladores tenham condições de assumir a função que lhe foi confiada, para que não sejam apenas bonequinhos de luxo, ou bibelôs de um sistema ignorante e provinciano.

– Meninos, eu vi…

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