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Alagoas

Ossadas não identificadas estão sendo catalogadas antropologicamente

Trabalho está sendo realizado pelos técnicos forenses do IML de Maceió

Enquanto visitavam Alagoas durante a produção de uma matéria jornalística sobre a morte de PC Farias e Susana Marcolino, repórteres da Folha de São Paulo encontraram no prédio abandonado onde funcionava o Instituto Médico Legal de Maceió várias ossadas espalhadas pelo local.

O caso, que veio à tona nesta terça-feira, 19 de junho, logo se espalhou pela imprensa. Para explicar o que aconteceu no local que os repórteres foram para mostrar onde o casal havia sido necropsiado, o perito médico-legista Fernando Marcelo, chefe do Instituto de Medicina Legal de Maceió, concedeu coletiva.

De acordo com o legista, as ossadas não identificadas fotografadas por um repórter estavam passando por um trabalho de antropologia. O serviço que está sendo realizado pelos técnicos forenses do órgão consiste na catalogação dos ossos, e a identificação por meio de numeração de controle de entrada no IML.

Fernando Marcelo esclareceu que o trabalho começou a ser feito há um mês, quando foi comunicado oficialmente pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) sobre a necessidade da devolução do prédio da Faculdade de Medicina, onde o IML funcionou por mais de 70 anos de forma provisória. Ele destacou que o prédio onde as ossadas estavam guardadas foi interditado em 2013 após movimento paredista dos funcionários do IML.

“Na época, o espaço não apresentava as mínimas condições de funcionamento, e fomos obrigados a fazer uma mudança às pressas para um prédio anexo o qual não possuía ossuário e, portanto não comportava as ossadas humanas não identificadas. Agora com a solicitação da Ufal para devolução do prédio estamos realizando esse trabalho de antropologia para transferir os ossos para a atual sede do IML”, disse o médico-legista.

Além da interdição do prédio antigo, a falta de ossuário na unidade de medicina legal provisória, outro problema que prejudicou o armazenamento foi à falta de vagas em cemitérios da Capital que se encontram superlotados.Sobre prazos, Fernando Marcelo, explicou que o trabalho de catalogação das ossadas realizado pelos técnicos forenses deverá ser concluído em vinte dias. Paralelamente outra equipe de servidores do IML está realizando a limpeza e a recuperação do antigo IML para ser devolvido a Ufal.

Novo IML

O perito-geral do Estado de Alagoas Manoel Melo, destacou que essa falta de estrutura é antiga e só será resolvida com a conclusão da obra do novo IML que está sendo construído na parte alta da capital. A obra estava paralisada por problemas apresentados na gestão passada e foi retomada, após, solicitação do governador Renan Filho.

“Após receber um relatório nosso sobre a paralização da obra, o Governador ficou sensibilizado e com essa sua visão de construir uma nova Alagoas, ele determinou imediatamente o retorno das obras. Hoje, mais de 50% da construção está concluída, e em breve o estado finalmente terá um prédio próprio para o funcionamento do IML da Capital”, afirmou o perito-geral.