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Original e Prostituído

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Original e Prostituído

O Brasil é um barco avariado de tal forma que somente um milagre será capaz de fazê-lo aportar na pátria da decência e da respeitabilidade. Assim como todos nós temos a nossa individualidade, cada país realça sua personalidade pautada por suas instituições. Nos dias que antecederam e os que sucedem após afastamento provisório da presidente da República o que temos assistido é uma série de trapalhadas que vão do cômico à incredulidade. Dentro dessa comédia do absurdo vive a Câmara dos Deputados a representa-la através de seu Presidente interino que tem uma vaidade na proporção da sua estultícia. Paspalhão objeto de chacota, desqualificado para presidi-la, insiste em não soltar o osso, preferindo suportar a vileza de não poder presidir as sessões, principal função que daria visibilidade á sua enorme pavonice. Inimaginável situação tão esdruxula! Será que entre todas as nações alguma seria capaz de oferecer tamanho espetáculo do impossível?

Seguindo um curso tortuoso, não podemos deixar de nos referir ao PT, imaculada identidade de pretenso representante da moralidade, reduzido à condição de um anjo decaído. Obrigado a desnudar-se, exposta sua hipocrisia, não tem outra alternativa senão se identificar e cair na gandaia partidária. Um enfermo que abriga em seus quadros raríssimos anjos e um exército de demônios, razão porque pode reclamar de peito aberto, à luz da Constituição Federal, que todos são iguais em seus direitos de participar das patifarias que patrioticamente subtraem o dinheiro público. Reflexo dessa dura realidade nos revela diariamente o noticiário, dando conta, num crescendo sem fim, de novos adeptos da esperteza. Sequenciando essa trilha, tivemos dois ministros do atual governo interino que bem não tiveram tempo de esquentar a cadeira, foram obrigados a pedir exoneração do cargo. É tão escassa a moralidade dos nossos congressistas e políticos em geral que nos faz lembrar a parábola da prostituta, fazendo-se a pergunta em sentido inverso: aquele que tiver alguma honestidade, levante o braço. Haveria uma debandada geral.

Essa irrefutável realidade nos dá uma nítida sensação de que empresários e políticos do mais alto escalão, providos de um instinto de ganância sem limites estavam transformando o Brasil num espólio de exclusivo usufruto. Continuando nossa caminhada pelo pântano, vamos imaginar a hipótese fosse possível prender todos os deputados e senadores comprometidos segundo menção nas delações premiada, acordos de leniência e escutas telefônicas. Quantos ficariam soltos? Sem dúvida, uns gatos pingados, obrigando o congresso nacional a fechar as portas por falta de quórum.

E agora, o que devemos fazer? Só nos resta partir para uma providência estrambolicamente original. Já que não podemos produzir homens talhados para trabalhos específicos como imagina Aldous Huxley em seu Admirável Mundo Novo, nosso ministro das relações exteriores encarregará as embaixadas nos países do primeiro mundo a nos suprirem de homens e mulheres honestos, profissionalmente qualificados, com salários de alto executivo. Talvez até tenhamos necessidade de convidar para participarem das eleições e disputar cargos de vereador a presidente da república.

Somente assim podemos vislumbrar um admirável Brasil sem partir para o mundo da ficção. Em vez da produção acima, teríamos, com a referida importação, uma espécie de enxertia que aos poucos iria melhorando o nosso caráter, ficando no distante passado sua índole prostituída.

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