A definição de um modelo de organização sistemática para a saúde pública nos municípios brasileiros foi o foco da palestra magna do secretário da Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Rogério Carvalho, na abertura da VIII Conferência Municipal de Saúde Maceió (Consan), na noite dessa quarta-feira (01), no auditório do Centro de Convenções de Ruth Cardoso, no bairro de Jaraguá, em Maceió. O tema do evento é “Saúde pública de qualidade para cuidar bem das pessoas: direito do povo brasileiro”.
Para conseguir definir esse modelo de organização sistêmica é, conforme Carvalho, necessário observar três aspectos: universalidades, integralidade e descentralização. “Nós temos que ser mais responsáveis para ter mais integralidade. Precisamos dizer o que tempos para oferecer ao povo que precisa da saúde pública. A integralidade é tudo e até o que estar por vir. Enquanto não definirmos a entrega regular, não soubermos qual o padrão de integralidade temos, não resolveremos os problemas”, atentou o secretário.
O vice-prefeito Marcelo Palmeira falou sobre a importância da conferência de saúde para a construção de uma melhor política de atenção. Ele lembrou que o país passa por dificuldades financeiras e que são fundamentais planejamento, bons projetos e bons parceiros.
Rogério Carvalho avalia que o gestor do SUS tem que conhecer todos os procedimentos realizados. ” Se você tem um hospital bom com capacidade de para atender por dia 500 pessoas, e você atende cinco mil, como pode ter qualidade e garantir tudo a todos”, questionou Carvalho.
O secretário lembrou que até 1986, existia no Brasil o Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (Inamps), que ofertava apenas determinados serviços. Já o SUS incorpora o que precisa. Para Carvalho, o maior problema é que a produção para atender a população não é suficiente. “Necessário se faz saber o quanto vamos produzir e isso nos obriga a falar de financiamento”, complementou.
Para Carvalho, o SUS é um sistema muito eficiente, mas quase nada transparente. “Um sistema integral precisa saber o número de partos e cirurgias cardíacas, por exemplo. Precisamos saber quem fez, onde fez e quanto gastou para atender a cada pessoa. O dado precisa ser coletado no ato”, destacou.
Na abertura do evento, o ex-secretário de saúde do município, o médico geriatra João Macário, que faleceu há alguns anos vítima de infarto, foi homenageado por Antônio de Pádua Filho, coordenador do Fundo Municipal de Saúde. Ele relembrou a trajetória de Macário e finalizou com a entrega de um buquê de rosas a esposa do ex-secretário.
A secretária municipal de Saúde, Sylvana Medeiros, relembrou que esteve à frente da comissão que criou o órgão, em 1992. Ela também salientou que não se pode mais falar em saúde somente como promotor do que se chama de cura. Sylvana destacou que atualmente a violência já vem sendo apontada como o segundo maior agravo que tem como consequência a morte. “Precisamos enxergar isso com políticas transversais, pois há causas externas muito graves. Morremos por doenças que não deveriam estar acontecendo”, frisou.
Também participaram do evento, Joellyton Medeiros, secretário-adjunto de saúde de Maceió, Flávia Citonio, coordenadora geral do evento, Hugo Alexandre Vasconcelos, coordenador adjunto do evento e representante do segmento dos trabalhadores, a secretária estadual de saúde, Rozangela Wyszomirska, e Maria Heloísa Pacheco, representante do Movimento Popular Pastoral da Pessoa Idosa.
O coral Saúde em Canto, formado por servidores da SMS recebeu os convidados com três belas canções, entre elas Vilarejo e Maceió. Os meninos do Batuque do Mundaú receberam o público do evento com música e alegria. O grupo faz parte do Programa Consultório na Rua, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde, que leva a arte a comunidades carentes.
