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“O triunfo pertence a quem se atreve”

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“O triunfo pertence a quem se atreve”

A imaginar um sonho tornando-se real, a imaginar uma organização lutando pelo ideal, (e por um ideal), a imaginar uma mulher de sexo feminino a conduzir os ideais coletivos de um possível grupo, a provar a competência e o talento de agentes de cultura e aos gritos verbalizar: “NÓS SOBREVIVEMOS!”

Poderia, no entanto rebater a afirmação lhe devolvendo uma pergunta:

– Sobreviventes do que?, de quem?, sobreviveram ao que, a quem?.

Poderia, mais não o farei porque sei bem da resposta, porque como encenador, conheço bem das frustrações e dos riscos de quem se atreve a alguma coisa, seja ela por um ideal próprio, gosto, feição, ou de uma forma maior, um ideal coletivo, ainda que um coletivo restrito, o que é mais próprio quando me refiro à veterana trupe do teatro penedense que neste último mês de março, mais precisamente no dia 25 fechou suas duas décadas de prestação de riso e encantamento.

A Companhia Penedense de Teatro, há vinte anos surgia na Cidade do Penedo com o propósito de tornar válida a presença do primeiro palco cênico do Estado, o Theatro Sete de Setembro, naquela oportunidade, final dos anos 80 o nosso sólio penedense estava às voltas de uma remodelação, uma maquiagem para tornar mais agradável a cena, mais se nos perguntarmos que cena seria esta?, de quem?, pra quem? é possível que não cheguemos a nenhuma resposta, pois não existe nenhuma referencia de atores ou atrizes do Penedo que precedam a Companhia Penedense de Teatro que viria a ser formada justamente naquela ocasião, já no primeiro ano da década de 90, referências passadas, poderíamos tomar com as encenações do Professor Ernani Mero dadas no Circulo Operário, com as Operetas, as próprias associações de bairros e as escolas, e até mesmo as quermesses apresentavam tipos caricáticos de teatro amador. Ocorre que os responsáveis legítimos pelo resgate mesmo destes “tipos” e de muitos outros foram os arteiros da Companhia Penedense (CTP), onde é explicado por eles próprios que o surgimento do grupo se deu a partir de uma oficina de teatro promovida pela Prefeitura Municipal, no qual algumas cabeças coroadas por talento e compromisso deram o ponto inicial para a formação da trupe. Consta também que é o grupo mais antigo em atuação no interior de Alagoas, ao lado possivelmente do Grupo Caçuá (Piaçabuçu) que leva outra linha de encenação de arte também regional.

Uma das culpado-responsáveis pela formação da CPT é a professora e diretora teatral penedense Miranildes Pereira. Mira como é conhecida nas coxias, é uma das precursoras do tablado penedense ao lado também de Jô Moreira e Ednalva Gomes, e juntas são as únicas atrizes que permanecem atuantes quando da formação inicial da Cia. Detalhe importante também são os artistas que tiveram suas faces apresentadas pela marca delicadamente regional que firma os trabalhos gloriosos já realizados pela trupe, entre os muitos poderíamos citar a grandiosa Nine Ribeiro, hoje ausente da cena, Rafael Medeiros e suas graças no espetáculo “Quem Matou Sefinha”, e para quem não se lembra, acredito que só os mais próximos, a Cia também teve sua Xuxa, ou seu Xuxa cujo apelido perpétuo me faz ignorar o nome deste ator que colaborou durante alguns anos com a produção do grupo. Lembrar também de Ladilson Andrade é recordar o fim de um começo e vice-versa. Ladilson integrou a Cia. ainda nos anos 90, e dela fez surgir seu próprio grupo em 2002, a Cia. Passo a Passo, naufraga da cena local, pois o que era pra ser sucesso durou pouco mais de 04 anos.

Artistas independentes, grupos atuantes e trabalhos gloriosos foram surgindo no decorrer dos anos sobre os auspícios dos veteranos da Companhia Penedense de Teatro. A exemplo da Cia. Passo a Passo, surgiu antes a “Grupo de Teatro Opara” no qual participava o disciplinado e premiado ator penedense Fernando Arthur, surgiu também já nos primeiros anos do século 21 a Cia. Dell’Arte de Teatro, possivelmente a trupe mais eclesiástica já vista neste sólio, a Cia. Dell’Arte subiu poucas e importantes vezes no palco do Sete de Setembro com atuações fabulosas como Que Mãe Que Arranjei, lotando o Sete de Setembro quando de sua estréia em 2003, também sobre os cuidados e lapidações da Cia. Penedense. Muitos outros importantes grupos locais surgiram a partir do plano de ideal primário: FAZER TEATRO, lançado lá no inicio dos anos 90 pela Cia. Mas não esquecendo, repito, dos perigos que esta ação pode trazer, das frustrações de uma arte efêmera já dita por encenadores de peso no Estado de Alagoas.

A Companhia Penedense de Teatro a certo modo é sobrevivente dela mesma, de seus erros e principalmente de seus acertos, e são estes os próximos pontos.

Acertos como, por exemplo, a brilhante montagem de Terra Terta que comemorou no último ano seus 10 anos de montagem, proposta acertada por direção, haja vista um René Guerra em seu auge como diretor de teatro, e um autor à época jovem, Flávio Rabelo. Nomes que compõem a nata do teatro Alagoano somados aos engajados artistas de um estilo regional de teatro com sacadas contemporâneas muito bem orquestradas, como resultado não poderia ser inferior, a Cia. recebe importantes premiações pela montagem em Festivais do Sudeste. O sucesso de Terra Terta se repete com a montagem de D’Outro lado do Circo, também com distintas premiações em Festivais Nacionais. Na época em que participar de um Festival era algo que exigia grandes compromissos com montagem, em parte, vemos hoje espetáculos de baixa produção e enredos ainda menores, mas que também participam de Festivais. Indo de encontro com trabalhos bem pensados e com encenadores comprometidos com o plano e não com o bolso. A Cia. é um dos raros exemplos de instituições que prezam a qualidade em oposição à quantidade, se esta obviamente estiver intimamente ligada aos preceitos de uma arte essenciatista.

Mas a Cia. Penedense de Teatro também inovou a cena local quando por uma iniciativa conjunta com a Cia. Dell’Arte firmou em 2003 o Festival de Teatro de Penedo (antigo Festival de Férias) que chega este ano à sua 8ª Edição e com os mesmos propósitos: Formar e socializar platéias. Esta questão, talvez seja a preocupação de parte dos artistas alagoanos, em especial dos penedenses, mais somente agentes que desenvolvem iniciativas como esta, a de lançar no interior de Estado um Festival de arte cujo sucesso já ultrapassa as margens do São Francisco, o Edital do Festival é de alcance de mais de 90% da região nordeste; quando afirmo que a responsabilidade desta ação tem peso superior nas costas destes arteiros, é porque reconheço como certeza que um evento deste porte pode contribuir para a superação da cultura local, seja pelo calendário fixo que nos permite saber que teremos uma agenda cultural promissora a cada Julho, seja pelos profissionais engajados, e daí não somente os artistas, mais também técnicos e figurinistas e bilheteiros.

A economia da cultura (termo bonito este) circula desde o simpático pipoqueiro da porta do Theatro que têm certas as suas vendas, do motorista que faz o transporte dos grupos e dos cenários, passando por estes até chegar ao palco onde o produto pronto é apresentado ao público.

As responsabilidades de uma iniciativa como esta nos obrigam a reconhecer e aplaudir seus idealizadores que neste caso são os componentes da Companhia Penedense de Teatro, que nos limitam a comentar seus erros e acertos, mas nos instiga a parabenizar quando as surpresas postas por trás das cortinas tocam e emocionam a sempre distinta platéia.

Portanto, reconheço e valido todo o empenho destes colegas, cujos talentos vaticinados me permite tirar o chapéu em sinal de respeito e atenção. E mesmo que em momentos tempestivos possa usar da dureza, sempre estará válido o pensamento do mestre Chaplin quando nos afirma que o perder somente com classe, e o vencer somente com ousadia. Daí o TRIUNFO PERTENCE A QUEM SE ATREVE. Sábio atrevimento o de vocês.

Parabéns!!!

 

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