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Alagoas

Nascente recuperada melhora qualidade de vida em Porto Calvo

O alagoano Cícero José transporta água para residências e pequenos negócios em Porto Calvo. Até setembro, ele costumava ficar cerca de 5 horas na nascente de Camboa, para encher entre 60 e 90 vasilhames para distribuição entre seus clientes. “Isso quando não tinha que enfrentar fila”, afirma. “Era uma mangueira pra todo mundo que vinha pegar água aqui, até para quem morava perto”.

A nascente do Camboa abastece toda a população de Porto Calvo, que frequenta o local munida de baldes, garrafas e galões plásticos para transporte e armazenamento da água. A nascente fica em uma fazenda privada, mas a água era disponibilizada por meio de uma mangueira, localizada em um terreno próximo à rodovia de acesso ao município.

Em setembro de 2013, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) articulou uma parceria com a Prefeitura Municipal de Porto Calvo para recuperar a nascente do Camboa. Com uma vazão de 20 mil litros por hora, foi montado um sistema com quatro caixas d’água que armazenam 12 mil litros no total, permanecendo sempre cheias. “Agora eu chego às sete e saio às nove da noite. Encho o dobro de galões, sem fila”, diz Cícero. “Isso aqui foi uma benção, foi a melhor coisa que inventaram”, afirma.

O Projeto de Recuperação de Nascentes está em execução no Estado desde 2012, quando foi escolhido pelo Alagoas Tem Pressa como um dos programas prioritários para o Governo. Até o momento, cerca de 45 nascentes foram recuperadas no Sertão Alagoano e mais de 20 em outros municípios do Estado. Um convênio da Semarh com a Associação Pró-Gestão dos Recursos Hídricos da Região Hidrográfica do Rio Coruripe (Agerh) também recuperou cerca de 90 nascentes na Bacia do Rio Coruripe.

Exemplo

Segundo o técnico responsável pelo projeto, Adolfo Barbosa, a nascente do Camboa é um exemplo a ser seguido. Além da participação ativa da prefeitura, com a mão de obra necessária e com a construção da estrutura das caixas d’água, a população se engajou ativamente na limpeza do terreno e no plantio de mudas no local. A casa de farinha que funciona a poucos metros das caixas d’água, bem como as duas residências de taipa ao redor, estão recebendo água encanada pela primeira vez.

É também a primeira vez que a coleta de lixo chega até o local. A senhora Maria José, moradora do Camboa há seis anos, costumava lavar os pratos no rio, ou na mangueira: “Enfrentava meio mundo de gente, mal podia enxaguar as panelas”, afirma.

Adolfo Barbosa afirma que o projeto traz benefícios para todos, inclusive para o proprietário da terra. A nascente do Camboa tem a vegetação preservada, porém o aumento de proteção ambiental, previsto no projeto, irá aumentar ainda mais a mata no local: “O dono quer transformar isso aqui em uma Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN). A recuperação da nascente só veio ajudar”, afirma. Além de fornecer água para a população, a sede da fazenda também é abastecida pela nascente.

Adolfo afirma que o excedente de água será usado na criação de uma horta comunitária, sob o comando dos moradores no entorno da fonte. Segundo o técnico, serão plantadas hortaliças de crescimento rápido, que servirão como fonte de renda e alimentação. Além do Camboa, a Semarh está recuperando outra nascente no município, a poucos metros do Camboa.