Faltavam exatamente 15 minutos para o fim do expediente no Centro de Referência Para a População em Situação de Rua, o Centro POP, da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), quando dona Maria Aparecida – nome fictício para preservar a identidade da usuária – apareceu, prestes a dar à luz na porta do Centro. Dona Maria é portadora do vírus HIV e tem AIDS. Na oportunidade, ela disse ter tido o atendimento negado em uma das maternidades públicas da capital.
Naquele momento, três profissionais do Centro POP organizavam os prontuários dos atendimentos realizados pelo serviço, para assim, encerrar os trabalhos na unidade. A assistente social Kelly Luz era um deles. O que ela não imaginava era que, justamente no final de mais um dia de trabalho, uma nova batalha se iniciava para fazer com que a gestante conseguisse realizar o parto sem contaminar o bebê.
“Eu me lembro que uma das preocupações da usuária era justamente garantir a saúde do filho. Nós paramos por alguns segundos, diante da cena, e na mesma hora começamos (ela, o educador social da unidade, Douglas Beserra e a psicóloga Thayse Roque) a agir contra o tempo, ligando para toda a nossa rede de contatos da saúde. Era uma missão: só saíamos dali quando ela estivesse com o bebê”, lembrou Kelly emocionada.
A assistente social recorda que passou por momentos em que viveu, junto com a usuária, o pânico de pensar que jamais conseguiria a realização do parto naquele dia. A gestante fazia parte de um grupo que se encontrava em situação de rua.
“Foi aí que em uma das nossas ligações, uma enfermeira falou que havia um obstetra de plantão na maternidade que ela trabalhava. Sabendo disso, nós corremos e providenciamos as questões documentais da gestante, prestamos apoio psicológico e levamos a Maria até a unidade, onde finalmente ela entrou em trabalho de parto. Tudo aconteceu sem nenhuma complicação e do jeito que nós imaginávamos”, relembrou Kelly.
Assistente social
O caso da dona Maria foi somente um, entre os cerca de 1.500, acompanhados por equipes compostas, na maioria, por assistentes sociais. Na última sexta-feira (15), Kelly e os companheiros de trabalho comemoraram o Dia do Assistente Social. A Semas conta atualmente com cerca de 200 profissionais de serviço social nos equipamentos sociais espalhados pela cidade de Maceió.
O serviço é o responsável pela articulação dos trabalhos de inserção social, de promoção à cidadania e de construção da autonomia das famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade em Maceió. Outras atribuições do assistente social são as pesquisas sobre a realidade da sociedade e a execução de planos e projetos sociais.
“Parabenizar ainda é pouco, diante do tamanho desses profissionais que abdicam de quaisquer preconceitos e princípios para promover a autonomia e o bem estar de inúmeras famílias. O assistente social é capaz de fazer uma transformação, diante de uma sociedade que, por muitas vezes, parece andar na contramão das suas atribuições. São pessoas que trabalham promovendo o direito das outras pessoas e isso é apenas o básico que eles procuram fazer. Todo o respeito e honra aos nossos assistentes sociais”, disse Celiany Rocha, secretária municipal de Assistência Social.
Atualmente, graças ao trabalho da mesma equipe da Semas, dona Maria – natural do município de Porto de Perdas – voltou com o bebê à cidade de origem. Até chegar aos familiares, ela recebeu todo o acompanhamento das equipes do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas), que com a Assistência Social do município do interior, articulou o retorno.
