Representantes de multinacionais do cinema
Representantes dos maiores estúdios de cinema do mundo se reuniram na tarde de terça-feira (7 de março) com o ministro da Cultura, Roberto Freire, em Brasília. Eles apresentaram um panorama positivo do setor de audiovisual no Brasil e manifestaram o interesse dessas empresas multinacionais em ampliar os investimentos no Brasil.
Além do ministro, participaram do encontro com os executivos os secretários do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Mariana Ribas, e de Articulação e Desenvolvimento Institucional, Adão Cândido. Estiveram no MinC Ricardo Castanheira, diretor-geral da Motion Picture Association (MPA), instituição que representa as grandes companhias da sétima arte, Andressa Pappas, encarregada de Assuntos Corporativos da mesma entidade, Rodrigo Saturnino, diretor-geral da Sony Brasil, Patrícia Kamitsuji, diretora-geral da Warner Bros/Fox Brasil, César Silva, diretor-geral da Paramount Brasil, e José Franco, diretor-geral da Walt Disney Brasil.
Ricardo Castanheira ressaltou ao ministro a sintonia da MPA e dos estúdios com as políticas culturais e com o audiovisual brasileiro. O diretor-geral da instituição apresentou dados de estudos realizados nos últimos três anos pela MPA que mostram que, no ritmo oposto ao da crise econômica, o setor cresceu 9% em 2016, gerando aproximadamente 400 mil postos de trabalho.
O ministro Roberto Freire disse que os representantes dos estúdios trouxeram um otimismo significativo para o encontro e afirmou que espera que o segmento continue a se desenvolver. “Não queremos definir nenhum tipo de ação isoladamente, sem que haja diálogo, sempre de acordo com os interesses da cultura e do Brasil”, assinalou Freire.
Fomento e regulação
Os executivos também opinaram sobre questões que consideram importantes para o audiovisual. Ricardo Castanheira lembrou que o Brasil é um dos poucos países onde existe fomento e regulação do mercado, mas se queixou da pirataria. “Além de estar relacionada a outros tipos de crime, causa enormes danos às empresas e à própria economia nacional”, comentou.
Rodrigo Saturnino, da Sony, falou da importância de se rever os tetos para investimento das grandes empresas de origem estrangeira como coprodutoras do cinema nacional, o que pode atrair mais recursos.
César Silva, da Paramount, destacou o papel do Brasil entre as maiores bilheterias de cinema no mundo. Ele contou que a Paramount participa tanto de projetos de grande público, como Minha Mãe é uma Peça 2, que alcançou quase 9 milhões de espectadores, quanto de produções de menor porte, para estimular novos talentos. Silva pediu atenção aos exibidores, que, segundo ele, sofrem com excesso de fiscalização e necessitam de mais incentivos.
Patrícia Kamitsuji, da Warner/Fox, falou da importância da formação de plateias para o cinema nacional desde a infância, o que passa pelo fomento às animações, gênero preferido do público infantil. “Se, desde cedo, o espectador enxerga sua cultura e sua realidade nas telas, quando crescer, tende a se tornar cativo do nosso cinema”, observou. Patrícia salientou que o Brasil possui maior desconcentração de empresas exibidoras, que são mais de 100, enquanto em outros países poucos grupos dominam a totalidade das redes.
José Franco, da Disney, elogiou os talentos do audiovisual nacional. Ele afirmou que o Brasil é uma grande potência do audiovisual e que a Disney, bem como subsidiárias como a Marvel, empregam um número enorme de profissionais do País. “Em 2016, 28 milhões de brasileiros foram aos cinemas. Ainda é um número pequeno na comparação com o total da população. Temos um mercado capaz de crescer significativamente”, analisou.
