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Cultura

Mulheres do Ministério da Cultura apresentam demandas ao órgão

Mulheres do MinC apresentam demandas ao órgão

O secretário-executivo do Ministério da Cultura, João Brant, recebeu, na tarde desta quarta-feira (28), o Comitê Interno de Políticas de Gênero e Mulheres do MinC. Durante a reunião, as representantes do comitê entregaram documento com demandas ao órgão.

A coordenadora do Comitê e coordenadora de Articulação, Cooperação e Informação da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC), Dríade Aguiar, explicou que o comitê trabalha com duas linhas de atuação. A primeira delas terá um caráter executivo, mais interno. Entre as pautas defendidas sob essa dimensão estão a ampliação da licença paternidade, a valorização e capacitação de mulheres para que ocupem maior número de cargos de chefia dentro do Ministério e a promoção de campanhas de valorização da mulher e contra o assédio moral e sexual.

A outra linha de atuação terá um caráter mais político, tratando não apenas de políticas desenvolvidas pelo MinC, mas também da sua relação com outros ministérios e agentes de governo. Nesse contexto, serão trabalhadas demandas e políticas de gênero comuns à sociedade.

Entre diversas sugestões citadas na reunião pela coordenadora, um dos temas destacados foi a dificuldade de mulheres exercerem cargos de chefia. “Queremos propor um debate – com secretários e coordenadores – sobre cargos de chefias ocupados por mulheres. Temos uma necessidade grande que venham mulheres de outras instâncias conversar com a gente”, afirmou.

Outras demandas dizem respeito, por exemplo, a ter um espaço de acolhimento para crianças no local de trabalho; assegurar horário flexível às mães e aos pais; promover campanhas de conscientização sobre assédio sexual e moral; e desenvolver políticas com perspectiva de gênero e estratégias na cultura que empoderem todos os membros da sociedade, considerando a diversidade de diferentes grupos e indivíduos, entre outras.

O secretário-executivo manifestou apoio à causa e sugeriu a elaboração de um plano de ação e de uma carta de intenções para encaminhar para secretarias, instituições vinculadas e diretorias da pasta. Além disso, sugeriu a realização de reuniões com outras instâncias do MinC, como a Coordenação de Gestão de Pessoas (Cogep). “O fato de o comitê funcionar dá condições de o Ministério abordar de outra forma a questão de gênero”, disse. “Se levar legalidade e legitimidade juntas, os dois se fortalecem”, aconselhou.

Criado em novembro de 2015, o comitê visa expandir a consciência feminina no MinC e conscientizar gestores e chefias sobre a importância de lideranças femininas, sob uma perspectiva de fortalecimento da ideia de que a cultura deve estar à frente de seu tempo para provocar mudanças culturais na sociedade.

O comitê é coordenado pela Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC/MinC) e conta com representantes de todas as secretarias, unidades e entidades vinculadas ao Ministério da Cultura. Além das mulheres cisgênero (que se identificam com o gênero que nasceram), o colegiado deverá se dobrar também às questões e direitos das mulheres lésbicas e transgêneros.

A servidora Adriana Sacramento faz parte do comitê. Para ela, as mulheres, de uma forma geral, ainda são invisibilizadas, lutam para ocupar chefias e para driblar dupla jornada (mãe / trabalhadora) e ainda sofrem com abusos (sexuais e morais). “É importante ter um espaço onde é possível pensar nas demandas femininas, em políticas públicas e onde seja possível debater essas questões abertamente”, conta.