Plid/AL foi concebido a partir da preocupação do MPE/AL com centenas de família alagoanas
“Já são 183 dias sem meu filho. O desespero e a saudade batem a nossa porta todos os dias. Vocês não podem imaginar a agonia que temos quando o telefone toca, quando a noite vai chegando e sentimos que é mais um dia sem notícias. Os filhos dele perguntam quando o pai voltará e não sabemos o que dizer. Por isso, decidi evitar conviver com meus netos. Eu não sei o que responder. Procuramos por ele esses seis meses, colocamos cartazes nas rodoviárias, em locais públicos. Não temos nenhuma notícia. Essa ferramenta de procura por pessoas é nossa última esperança”, o depoimento emocionado é de Alberto Bandeira, pai do estudante Allan Teófilo Bandeira, desaparecido em novembro de 2017. Acompanhado da esposa, Deize Teófilo Ratis e da nora, Ana Cristina, ela acompanhou, nessa sexta-feira (25), no prédio-sede do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPE/AL), o lançamento do Programa de Identificação e Localização de Pessoas Desaparecidas de Alagoas (Plid/AL).
O Plid/AL foi concebido a partir da preocupação do MPE/AL com centenas de família alagoanas que passam a mesma situação que Deize Teófilo, Alberto Bandeira e Ana Cristina e integra o Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos no âmbito do Ministério Público brasileiro (Sinalid), criado pelo Conselho Nacional dos Ministérios Públicos (CNMP).
O programa tem a missão de permitir que cidadãos desaparecidos possam ser encontrados por suas famílias ou, que estas, pelo menos, tenham a chance de se despedir deles com o mínimo de dignidade. Sua criação só foi possível depois que o procurador-geral de justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, assinou um acordo de cooperação técnica com o Conselho Nacional.
“Temos hoje no Brasil uma epidemia de pessoas desaparecidas, que somem e deixam família inteiras desesperadas. É uma tragédia silenciosa, que só cresce. Em busca de uma solução para esta questão, o Ministério Público Brasileiro criou uma ferramenta resolutiva, um banco de dados que interliga diversos órgãos. É uma esperança para centenas de cidadãos que pedem uma resposta para seus dramas. E, dependendo do caso concreto, tal ferramenta pode representar a resposta que tanto se busca”, disse o procurador-geral de justiça, Alfredo Gaspar, durante o lançamento do Plid/AL.
O chefe do MPE/AL ainda explicou que o Plid foi criado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e logo depois foi abraçado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que concebeu o Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos no âmbito do Ministério Público brasileiro (Sinalid), sistematizando o banco de dados para outras unidades ministeriais no país.
“Quando soubemos da existência desse sistema, fomos atrás dele imediatamente. O Ministério Público não vai ficar parado diante dessa problemática e enxergou no Plid um caminho resolutivo para combater os índices oficiais de pessoas desaparecidas. Acionamos o Centro de Apoio Operacional às Promotoria de Justiça (CAOP), por meio do Núcleo de Direitos Humanos, e estamos colocando em prática o programa alagoano. Acreditamos que agora temos nas mãos um mecanismo importante e que pode reacender a esperança para as famílias que sofrem com a ausência inesperada de seus parentes”, complementou Alfredo Gaspar de Mendonça Neto.
Além do procurador-geral de Justiça compuseram a mesa de honra, a coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos do MPE/AL e do Plid/AL, Marluce Falcão; o coordenador do Caop, José Antônio Malta Marques; o diretor da Escola Superior do Ministério público, Luiz Barbosa Carnaúba; o presidente da Associação dos Promotores de justiça de Alagoas (Ampal), Flávio Gomes da Costa; e o promotor de justiça, coordenador do Núcleo de Defesa da Infância e Juventude do MP, e membro do grupo de trabalho que do Plid/AL, Ubirajara Ramos;
Também fizeram parte da solenidade de lançamento do Plid/AL ao secretário-executivo de segurança pública, delegado Acácio Júnior; o representante da Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), Cel.PM Clístines Oliveira; a Secretária de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos, Claudia Simões; a representante da Secretaria de Saúde Vânia Peixoto; e a representante da Perícia Oficial, Rosana Coutinho.
