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Alagoas

Médico do HGE alerta sobre cuidados com manuseio de fogos de artifício


Programação tradicional que agrada crianças e adultos, as festas juninas têm nos fogos de artifícios um marco do período festivo. Mas, para evitar acidentes no manuseio dos fogos e garantir uma festa segura, alguns cuidados devem ser tomados, como, por exemplo, não comprar fogos clandestinos e sempre seguir as orientações do fabricante, segundo alerta o médico do Hospital Geral do Estado (HGE), Thyago Carvalho.

De acordo com o médico, que é cirurgião plástico da unidade e realiza cirurgias corretivas em pacientes com queimaduras, muitos acidentes graves poderiam ser prevenidos se a população soubesse manusear adequadamente os artefatos. “Os fogos adquiridos em estabelecimentos credenciados trazem instruções de uso que devem ser seguidas rigorosamente. A distância para explodir os fogos com segurança também deve ser respeitada”, alertou.

As luzes e efeitos especiais dos fogos também atraem as crianças, que são as mais afetadas em acidentes domésticos. “As crianças jamais devem soltar fogos, devido ao alto risco de acidentes com queimaduras graves, que podem acarretar internação hospitalar por um longo período”, destacou o cirurgião.

Em caso de acidentes graves, as vítimas devem ser encaminhadas ao atendimento de urgência e emergência do HGE, que possui um Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) especializado. O recomendado é fazer uma limpeza no local queimado apenas com água corrente em abundância. Deve ser evitado o uso de qualquer produto, que pode até aliviar a dor, mas irão intensificar a queimadura e ocasionar danos irreparáveis.

“Resfriar a área atingida com água corrente por um período de 5 a 10 minutos é a medida mais importante a ser adotada logo após um acidente com queimadura”, recomendou o cirurgião plástico. Ele alertou sobre o perigo de agravamento da lesão quando há o uso de gelo, água gelada, manteiga, café em pó, creme dental, plantas ou outras substâncias.

Gravidade

As queimaduras são classificadas conforme a profundidade que atingem a pele e podem ser de primeiro, segundo ou terceiro grau. A de primeiro grau é a mais simples porque atinge uma camada superficial da pele, provocando aspecto avermelhado. A pele fica dolorida, mas não há a formação de bolhas.

As bolhas aparecem na queimadura de segundo grau, que são as mais dolorosas. Já as de terceiro grau têm menos dor devido da destruição das terminações nervosas, mas são as mais profundas e graves. As queimaduras de face, genitália, mão, olhos, ouvido e aparelho respiratório são tratadas em hospital ou centro especializado. As cirurgias dos queimados envolvem procedimentos de alta complexidade, como transplantes de tecidos, pele e retalhos com fragmentos de tecidos que são transferidos de uma região para outra.

Referência

Em Alagoas, o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Geral é referência para a assistência das vítimas de queimaduras, atendendo em média a 45 pacientes por mês. Destes, aproximadamente, 20 são pacientes internados e 25 realizam procedimentos ambulatoriais, como curativos específicos para vítimas de queimaduras. A maioria dos pacientes permanece internada por cerca de 20 dias, mas há casos em que a hospitalização pode prolongar-se por meses.

Em junho do ano passado, o CTQ recebeu 16 pacientes internados e 54 pessoas passaram por procedimentos ambulatoriais, foram sete vítimas de fogos de artifícios.

“Esses pacientes recebem cuidados diários da equipe multidisciplinar quanto à dieta específica com acréscimo do número de calorias e proteínas, aumento da oferta de líquidos via oral ou por infusão salina, banhos sob anestesia para remoção de secreções e aplicação de pomadas antibióticas e cicatrizantes (curativos especiais), administração de analgésicos potentes e antibióticos para prevenção e tratamento de infecções”, elencou o cirurgião plástico.

Tratamento especializado

As cirurgias de queimados envolvem procedimentos de alta complexidade como transplantes de tecidos, pele e retalhos com fragmentos de tecidos que são transferidos de uma região para outra. Também são realizados curativos com debridamento – procedimento cirúrgico para remoção do tecido desvitalizado presente na ferida, com o intuito de promover a limpeza da área – e enxertos.

“Em queimaduras mais superficiais, os cuidados com o curativo são suficientes para adequada cicatrização da lesão. Porém, quando a queimadura é profunda e atinge gordura, músculos e ossos haverá a necessidade de restaurar essas áreas através de coberturas de músculo e/ou pele, cirurgias denominadas de enxerto e retalho”, explicou.

A maior parte dos pacientes evolui com boa cicatrização e é liberada do ambulatório ainda no primeiro mês de atendimento. Outros pacientes podem ter alteração na cicatrização, formando queloides, que serão tratados através do uso de roupas especiais para queimados durante um a dois anos.

“Outras cicatrizes podem provocar retrações, alteração no crescimento das crianças ou impedir o adequado movimento de joelho, cotovelo e ombro, havendo a necessidade de novas cirurgias. Nestes casos, quando o paciente possui sequelas crônicas das queimaduras, haverá seguimento ambulatorial por tempo prolongado, até que todas as deformidades sejam tratadas eficientemente”, completou Thyago Carvalho.