×

Alagoas

Janeiro Branco: especialista destaca cuidado na gestação e no pós-parto

Escuta qualificada no ambiente hospitalar pode prevenir agravamentos - Foto: Assessoria

“A gestação e o puerpério são fases de intensa vulnerabilidade emocional, e falar sobre saúde mental é romper com um silêncio que ainda afeta muitas mulheres”. A afirmação é da psicóloga Regina Japiá, da Maternidade Escola Santa Mônica (MESM), ao destacar a importância do cuidado emocional durante esse período, em alusão à campanha Janeiro Branco, dedicada à promoção da saúde mental.

Janeiro é tradicionalmente associado a recomeços e, dentro desse simbolismo, o Janeiro Branco convida a sociedade a falar abertamente sobre saúde mental. O tema ganha ainda mais relevância quando direcionado a um público cujo sofrimento, muitas vezes, é invisibilizado: gestantes e puérperas.

As transformações físicas, hormonais, sociais e emocionais vivenciadas durante a gestação e o pós-parto tornam esse período especialmente sensível. Dados e diretrizes do Ministério da Saúde (MS) reconhecem que o cuidado à mulher deve ser integral, incluindo a dimensão emocional, desde o pré-natal até o puerpério, conforme a política de atenção à saúde da mulher no Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com o MS, transtornos mentais como depressão e ansiedade estão entre os agravos mais frequentes no ciclo gravídico-puerperal, podendo afetar o vínculo entre mãe e bebê, o autocuidado e a adesão ao acompanhamento pré-natal. As Diretrizes Nacionais de Atenção à Gestante e ao Puerpério, atualizadas em 2021, reforçam a importância da avaliação do sofrimento psíquico, da prevenção da depressão pós-parto e do fortalecimento do cuidado humanizado no SUS.

Na Maternidade Santa Mônica, unidade assistencial da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), o cuidado com a saúde mental materna integra a assistência prestada às mulheres. Para Regina Japiá, o Janeiro Branco é uma oportunidade estratégica para ampliar esse debate e incentivar a busca por apoio profissional.

Segundo a psicóloga, a escuta qualificada no ambiente hospitalar pode ser decisiva para prevenir agravamentos. “Quando a mulher é acolhida emocionalmente, ela se sente mais segura para expressar seus sentimentos. Isso impacta diretamente na saúde dela e do bebê, fortalecendo o vínculo e reduzindo riscos futuros”, afirmou.

Criada em 2014, a campanha Janeiro Branco propõe uma mudança de cultura ao reforçar que saúde mental não é luxo, mas condição essencial para o bem-estar. No contexto da maternidade, esse entendimento se traduz em políticas públicas, atuação de equipes multiprofissionais e na valorização da mulher como sujeito integral, considerando corpo e mente.

“Cuidar da saúde mental de gestantes e puérperas é investir em prevenção. É garantir que essa mulher atravesse a maternidade com mais apoio, menos sofrimento e mais autonomia”, reforçou Regina Japiá. Ela conclui convidando a sociedade a ampliar o olhar para a saúde mental materna: “Falar de Janeiro Branco é, acima de tudo, falar sobre cuidado, escuta e vida”.

Agência Alagoas