Desempenho do canoísta coloca modalidade sob holofotes
Com maior tradição no Brasil, esportes como judô, vôlei, natação e atletismo chamam atenção naturalmente. Mas na manhã desta segunda-feira (15.08), foi a canoagem velocidade que conseguiu chegar aos assuntos mais comentados do twitter. Isso graças ao grande desempenho de Isaquias Queiroz, que venceu a bateria da categoria C1 1000m (canoa individual), com tranquilidade e foi direto para a final da prova nos Jogos Rio 2016, no Estádio da Lagoa Rodrigo de Freitas.
O segundo lugar geral do atleta baiano, que completou a prova com o tempo de 3m59s615, não é surpresa no universo da modalidade. Isaquias conquista grandes resultados desde 2011, quando ganhou um ouro (C1 200m) e uma prata (C1 500m) no Campeonato Mundial Júnior, passando pela conquista do Mundial em 2013 (C1 500m), até o duplo ouro no Campeonato Mundial da Itália (C2 1000m ao lado de Erlon Souza e C1 200m). A exposição o trouxe para o centro das atenções num esporte em que o país jamais conseguiu grandes resultados em Jogos Olímpicos.
Isaquias dominou a prova praticamente de ponta a ponta. Chegou a ter um barco e meio de distância na metade do percurso. Quando percebeu que tinha a vitória assegurada, diminuiu o ritmo, e mesmo assim chegou em primeiro na bateria dele, o que garantiu vaga direta na final, sem passar pelas semifinais, na mesma manhã.
Após a prova, o canoísta afirmou que se sente bem competindo no Rio de Janeiro e espera a arquibancada ainda mais lotada para a disputa da final nesta terça-feira (16.08). “O clima hoje também ajudou bastante, o vento estava bom e amanhã acredito que estará melhor ainda. Estou muito feliz pelo resultado e me sinto em casa competindo aqui, até porque já morei e treinei durante dois anos no Rio. Agora vamos para a final”, projetou.
O principal rival do brasileiro conquistou o melhor tempo na classificatória: Sebastian Brendel, da Alemanha, que larga na raia ao lado de Isaquias. A final ainda terá as presenças do moldavo Serghei Tarnovschi, o usbeque Gerasim Kochnev, o italiano Carlo Tacchini, o russo Ilia Shtokalov, o tcheco Martin Fuksa e o ucraniano Pavlo Altukhov.
Isaquias também disputa o C1 200m e o C2 1000m em companhia com Erlon Souza nos próximos dias. Ele é cotado para o topo do pódio em todas as disputas, o que o tornaria o único atleta brasileiro a conquistar três medalhas em uma única edição dos Jogos. Desempenho que também é importante para o país alcançar a meta de estar no top 10 do quadro de medalhas olímpicas do Rio 2016.
Brasileira faz história
Ana Paula Vergutz foi a primeira canoísta de velocidade do Brasil a participar de uma edição dos Jogos Olímpicos. Nesta manhã, ela competiu na categoria K1 200m, a mais rápida da modalidade. Por meio segundo de diferença, o que representa muito na modalidade, ela chegou à semifinal e fez história.
Mais tarde, a brasileira remou muito forte, mas o oitavo lugar na prova não foi suficiente para colocá-la entre as finalistas. Ela terminou a prova com o tempo de 44.362, em semifinal vencida pela polonesa Marta Walczykiewicz com a marca de 40.619.
“Tive muitos altos e baixos durante o ano, o que me prejudicou um pouco, mas acredito que dá para evoluir muito mais para Tóquio 2020. Também acho importante que o cenário feminino está crescendo nas Olimpíadas”, ressaltou. Ana Paula ainda disputa no Rio 2016 as eliminatórias do K1 500m que acontecem na quarta-feira (17.08).
Organizadas estrangeiras
A falta de tradição olímpica no esporte gerou ainda um fenômeno curioso no Estádio da Lagoa: os brasileiros estavam dispersos, e os estrangeiros eram mais barulhentos, com torcidas organizadas durante as provas. Vários países fizeram bonito nas arquibancadas: Canadá, Alemanha, Dinamarca, França, Grã-Bretanha, Austrália, Nova Zelândia, Hungria e até Samoa. Público que fez uma festa similar ao de outras competições olímpicas, lembrando até o futebol com cornetas e batuques (sem aparelhos de percussão, pois são proibidos pela segurança).
Outro belo momento olímpico foi na primeira bateria da C1 1000m, quando Mussa Chamaune, do Zimbábue, foi o primeiro atleta olímpico do país na modalidade. Terminou muito atrás, em último, mas recebeu calorosos aplausos do estádio inteiro na linha de chegada.
Naturalmente, quando Isaquias esteve na Lagoa, a torcida brasileira se motivou para gritar “Vai Isaquias!” e o tradicional “Brasil! Brasil!”. Depois da prova, o canoísta ainda recebeu mais apoio quando passou em frente à arquibancada.
O jovem canoísta de 22 anos, nascido em Ubaitaba (BA), volta para disputa da medalha nesta terça-feira (16.08), a partir das 9h, para tentar a primeira medalha olímpica do Brasil na modalidade.
