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Alagoas

Insônia: O lado sombrio de quem não consegue dormir ou manter o sono

Ansiedade e estresse podem ser ingredientes perfeitos para prejudicar a qualidade do sono. Mas até onde esses sintomas são apenas reflexo de um período atribulado, ou seja, uma insônia primária? Ou quando significam algo mais grave, como uma insônia crônica?

De acordo com o neurologista do Hospital Geral do Estado (HGE), Rafael Camelo, a característica essencial da insônia é a dificuldade em iniciar o sono ou mantê-lo. As consequências de uma noite não reparadora são fadiga excessiva, queda de desempenho e mudanças de humor, cansaço, ardência nos olhos, irritabilidade, preocupação, fobias, dificuldade de concentração, mal-estar e sonolência.

A estudante Raquel Angelo, de 23 anos, convive com a insônia desde a adolescência, quando ainda cursava o colegial. Ela se recorda de não conseguir pregar os olhos em épocas de provas, porque ficava muito impaciente e ansiosa, pensando em como resolver as questões do dia seguinte. “No outro dia acordava com muito sono, mal-estar e sentindo fortes dores na cabeça, a ponto de perder a concentração”, contou.

Procurou um médico, que a diagnosticou com insônia crônica. Logo começou a tomar indutores do sono para ajudá-la no processo de adormecer. Não adiantou. Nove meses depois, ao perceber que não estava melhor, a estudante decidiu interromper as medicações, com medo de ficar dependente.

Hoje em dia, para facilitar a qualidade de um sono tranquilo e reparador, Rachel Angelo procura realizar atividades domésticas, praticar esportes, estudar para concursos públicos e sair com os amigos.

A insônia também é um pesadelo que Letícia Vitória, de 9 anos, enfrenta acordada. O quarto cor-de-rosa, a coleção de bonecas e os bichos de pelúcia, que trazem momentos de alegria e descontração, são testemunhas da briga da criança, de sorriso largo e cheio, com os lençóis.

A mãe, Patrícia Rodrigues, de 35 anos, acredita que a insônia de sua filha seja reflexo da hiperatividade. “Desde que Vitória chegou em casa, eu e meu marido notamos que ela era uma criança agitada, que não conseguia parar quieta”, disse, ao lembrar que já ficou até as três horas da manhã com a filha em seus braços devido à falta de sono da menina.

Mas foi a partir do momento em que ela começou a ir à escola que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – o TDAH – passou a ser mais evidente. Vitória não conseguia acompanhar a turma, tinha dificuldade de prestar atenção nos professores e realizar as tarefas. Além de não ser bem quista pelos colegas de classe e ter dificuldade de relacionamento.

Assim como Raquel, Letícia procurou ajuda. Hoje, sob a orientação de um neurologista, ela toma dois medicamentos para melhorar a qualidade de vida e ter sonhos alegres como qualquer outra criança de sua idade.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmam que 50% da população mundial deve ter um episódio de insônia durante a vida. Entre os pacientes diagnosticados com insônia crônica, este número fica em torno de 10%.

Para a Associação Mundial de Medicina do Sono, a insônia é uma epidemia global que ameaça a saúde e qualidade de vida de até 45% da população mundial.

Tratamento e cuidados

O tratamento deve combinar medidas não farmacológicas e farmacológicas. As estratégias não farmacológicas incluem a higiene do sono e a terapia cognitiva e de conduta.

Em relação à higiene do sono, os pacientes são aconselhados a realizar exercícios físicos exclusivamente durante a manhã ou nas primeiras horas da tarde; evitar a nicotina, o álcool e as bebidas que contenham cafeína (café, chá, infusão de erva-mate e bebidas “cola”); providenciar que a cama, o colchão e a temperatura do quarto sejam agradáveis; regularizar a hora de deitar e levantar; utilizar o quarto só para dormir, e, em último caso, a utilização de medicamentos, pois, segundo o neurologista, podem causar dependência.