A mãe dá um descuido e quando percebe seu filho tomou água sanitária. No ano passado, 157 vítimas de 0 a 19 anos de idade deram entrada no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, vítimas de intoxicação. Mais de 70 deles por ingerir medicamentos, 16 por consumiram raticida e 15 por beberam produtos de limpeza.
O número sobe para 187 quando são levados em conta os casos de ataques de animais peçonhentos, como o escorpião. Os dados são da Coordenação de Vigilância Epidemiológica do HGE. Do quantitativo total de intoxicações em 2016, maior parte foi causada por acidentes, 53 ao todo. Os órgãos que atuam na digestão de alimentos foram os mais afetados.
“Crianças de 1 a 4 anos são as que mais merecem a atenção dos pais. Sessenta e duas vítimas nessa faixa etária sofreram intoxicações e ataques de animais peçonhentos. Isso se explica facilmente por ser o período em que elas começam a explorar o mundo, sem noção dos perigos. Sendo assim, atenção em dobro”, destacou o pediatra Claudio Soriano.
A enfermeira Edjane Silva Melo, de 37 anos, conhece bem essa realidade. Ela conta que estava em casa quando se deparou com sua filha de um ano com os olhos arregalados, tossindo e vomitando muito.
“Eu fiquei desesperada e sem entender o que estava acontecendo. Então senti um cheiro forte de água sanitária e vi que tinha em uma panela. Concluí que ela foi embaixo do balcão, pegou a garrafa, despejou a água sanitária na panela e bebeu com uma caneca. Não consegui pensar muito. Do jeito que nós estávamos, peguei minha filha e a trouxe para o hospital. Eu sabia que o HGE era o melhor lugar para socorrê-la”, relatou a mãe.
O médico afirma que a falta de cuidado e atenção dos pais são as brechas suficientes para um acidente doméstico, inclusive com animais peçonhentos. “Por a criança não ter essa noção de perigo ou até pelo adolescente não estar tão atento ao espaço, o contato com um escorpião, por exemplo, é muito comum de acontecer. Eles ocupam brechas; estão em locais com limpeza inadequada e costumam entrar nas casas, assim como as baratas que eles caçam. É preciso atentar aos calçados e impedir que esses animais utilizem as frestas como esconderijo ou para ter acesso aos nossos lares. A prevenção é a melhor solução”, aconselhou Claudio Soriano.
No caso enfermeira Edjane Melo, a criança precisou apenas ficar em observação na Pediatria e beber um suco. Ela teve alta médica após a equipe assistencial concluir que o episódio não passou de um susto.
“Em casos mais sérios, nós fazemos uma lavagem gástrica, o mais rápido possível. É importante que os pais evitem forçar o vômito ou dar a criança algo para beber, como a água. No caso da soda cáustica, por exemplo, ela queima o esôfago, e o vômito forçado pode gerar uma broncoaspiração, gerar inflamação pulmonar e problemas de saúde que possam não ser revertidos”, alertou o pediatra.
