Fernando Vinícius e Israel Saldanha
Você sabe, dizia-me Satíricon, assemelha-se a um predador à espreita dos acontecimentos, tendo um gosto especial por aqueles temperados com a pimenta do sensacionalismo. Quando isso acontece, somos bombardeados à exaustão com notícias que são a coqueluche do momento. Tomei a decisão de passar pelo menos uma semana fora do ar, completamente alheio aos meios de comunicação. Sinto-me nauseado com o repeteco das mesmas notícias. Entre as tantas que têm sido manchete ultimamente, chama-me a atenção às reivindicações dos homossexuais. Com a vitória obtida no Supremo Tribunal Federal, dando-lhes direitos igualitários aos de uma família normal, sentem afinal a plenitude de suas aspirações. Dão a impressão de terem adquirido asas para voar e às alturas, com indisfarçável ar de superioridade, começam a ter a sensação de serem os eleitos e intocáveis.
Curiosa a sua observação, respondi-lhe. Vamos ver o problema por outro ângulo. Desperta-me a curiosidade, na imagem da televisão, o grande número de pessoas nas chamadas paradas gays. É inacreditável! A minha cabeça enche de indagações. Será que o número de homossexuais no passado, proporcionalmente ao tamanho da atual população, é o mesmo? Na hipótese de hoje ser bem maior, qual a causa desse crescimento? O que está acontecendo com o homem? Será esse fenômeno um processo natural da evolução? Sem tentar respondê-las, respostas que estão além dos meus conhecimentos, atenho-me ao fator evolução, na hipótese de ser uma das causas ou causa principal. Nesta hipótese, deve-se constatar de início que a evolução nem sempre acontece para o melhor.
Por exemplo, não sei se deve ser tomado por acidente ou evolução, existem alguns lagartos que se reproduzem sem a participação do macho. Observou-se, no entanto, que os filhos nascem sem defesa no organismo e facilmente morrem. Eis uma evolução para o pior, se esse fato for prova da evolução. Com relação ao homem, afirma-se nos meios científicos que o cromossomo Y do homem sempre foi menor do que o X e continua a diminuir. Chegará a desaparecer? Se isto ocorrer, haverá nascimentos de mulher, isto é, resultado de dois cromossomos X. Haverá um tempo em que somente existirão as mulheres.
Como ficará o processo de reprodução? As mulheres farão o mesmo que os lagartos acima? Selado estaria o destino da humanidade. Mas, deixando de lado essa catástrofe cromossômica, vamos imaginar a catástrofe homossexual, que chegaria ao mesmo fim, se o seu crescimento chegasse ou chegar a um ponto seriamente comprometedor? Qual seria ou será o futuro da humanidade, no tocante à sua preservação? Podíamos até imaginar o movimento gay favoravelmente, como uma forma de frear o crescimento da população que passa fome em decorrência da escassez de alimentos. Existe uma espécie de peixe que age nesse sentido, quando o alimento em seu ambiente começa a ficar aquém das suas necessidades, os machos trocam de sexo. Temos aqui uma demonstração de sabedoria da natureza. Não é o que acontece com o movimento acima, que teria de se manifestar em maior quantidade entre os países subnutridos e famintos.
– O que você acaba de expor merece uma reflexão. Você dizia que fica impressionado com a quantidade de participantes nos desfiles e passeatas gays. A minha curiosidade, além do número, diz respeito ao ar de satisfação, macaquice e o exotismo de suas vestes. É o chamado orgulho gay, um orgulho que leva a chancela explícita da decadência, não da moral, mas da espécie humana.
– Concordo com você, Satíricon. Observado os trejeitos do boiola, supremo horror aos olhos do verdadeiro homem, quem é companheiro das interrogações, pergunta-se: O que leva o homem ou a mulher a perverter-se em suas preferências sexuais? Um problema hormonal e de educação? Passo ao largo de comentários a esse respeito. Prefiro ater-me aos fatos.
– Tem sentido. As explicações muitas vezes são complexas e prolixas e quanto mais dizem, menos esclarecem. A vida é realmente muito curiosa. A terrível vergonha de ontem, hoje é chamado orgulho gay.
– Cada qual tem o orgulho que merece. Acho que se o caminhar da humanidade é no sentido da evolução, especialmente sob o aspecto dos conhecimentos científicos, o mesmo não está acontecendo em relação ao físico, em plena involução rumo à extinção. Antes que esqueça, qual a sua opinião sobre a gigantesca onda, o verdadeiro tsunami com suas consequencias, o boiolismo?
– Para ser curto e grosso, acho que a homossexualidade é uma degeneração da natureza. Explico-me. Qual é a sua lei suprema em relação a tudo o que é vivo? A preservação da vida que só pode acontecer através da reprodução. O genoíno homossexual pode procriar? Se não pode, é contrário à natureza, ela própria responsável pelo descuido suicida. Sábia, mas como ninguém é sábio a todo momento, comete ela as suas deformidades.
– Acontece, Satíricon, que a natureza, na sua aparente imperfeição, suicida e homicida, são perfeita porque admite os contrários e opostos. Dificilmente posso imaginar uma natureza diferente. E se tudo está na natureza, tudo é natural e devemos, racionalmente, aceitá-la como tal. As pessoas, quando são perguntadas sobre o homossexualismo, dizem encará-lo com naturalidade e que preferência sexual é uma escolha que deve ser respeitada. Resposta perfeitamente correta, apesar de muitos assim se manifestarem para parecerem liberais. Eu, pessoalmente, acho uma grosseria a homofobia, mas tenho o direito de confessar que não suporto a homossexualidade. Em resumo, Satíricon, tudo é natureza. Os santos e demônios como Hitler e tantos outros, fazem parte da espiritualidade da humanidade. A convivência céu e inferno é a verdadeira perfeição. Ela, fora da natureza como imaginam os teólogos, não tem sustentabilidade racional. Se existisse um Deus perfeito fora da natureza, seria um Deus morto, inerte e sem vida.
– Raios, você foi muito longe. Prometo-lhe que vou pensar no que acaba de falar. Estamos a conversar sobre homossexualismo, seu crescimento como uma bola de neve e suas consequencias que acenam como causa da extinção da humanidade. Sem dúvida, o nosso planeta será destruído por fogo e água. É uma antiga profecia. Alguém profetizou qual será a causa do fim da espécie humana? Alheios à idéia de pecado e moralidade acho que estamos chegando à conclusão que a degeneração dos dois sexos, com a troca de suas preferências sexuais, será a causa da hecatombe final, resultando na ausência da energia vital para a reprodução.
– Realmente, o panorama do momento, se não houver uma mudança de rumo, não podemos visualizar um ocaso diferente. Não se trata de pessimismo, mas de um convencimento calcado na observação de uma realidade social enferma, cada vez mais complexa e caótica. São muitos os componentes autodestrutivos. Destino totalmente inverso de quem no passado acreditou que em determinado momento da história o homem, senhor absoluto da racionalidade, o faria segundo o seu desejo. Pobre Hegel, muito mais um sonhador do que filósofo. Resta-nos tão-só esperar, pois, tudo que tem início no tempo, tem no tempo o seu termo.
Tempo que nada mais é que um caminhar na inexorável direção da extinção. Evolução, involução, decadência e morte andam de mãos dadas na linha do tempo e na medida do tempo de cada coisa, tudo perece. Até o brilho das estrelas, a cintilar por bilhões de anos, irá aos poucos se apagar. O homossexualismo, no mais recuado tempo do seu aparecimento, foi uma profecia de que em dado momento ele iria se agigantar em forma de massa polar e com total e fatal frescura sepultaria a humanidade.
Aguardem, tristes e desgraçados sobreviventes! Não tardará em centenas de anos e logo se ouvirá o dobre lento e cadenciado do sino que em sua melancolia acompanhará solenemente a elegia fúnebre de um mundo sem ninguém.
