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Gen. Villas Boas, o retorno

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Gen. Villas Boas, o retorno

Recentemente o Gen. Braga Neto, aquele que foi candidato derrotado a vice-presidente na chapa do Cap. Bolsonaro, publicou em seu twitter carta do colega militar e também de patente aposentado, Gen. Villas Boas, que gosta de divulgar cartas/declarações/manifesto aos brasileiros, quando deveria restringir-se ao público associado ao do Clube Militar, que durante a ditadura ostentava um status de influenciador dos presidentes militares.

Na epígrafe do twitter registrou “A história ensina que pessoas que lutam pela liberdade jamais serão vencidas”, lembrei-me das palavras de ordem das diversas manifestações que foram realizadas contrárias à ditadura militar e que eram dissolvidas pela cavalaria montada e motorizada, que sempre deixava um rastro de pancadarias, prisões e mortes e que teve um marco histórico na qual o estudante Edson Luiz Lima Souto foi morto por disparo de arma de fogo, acontecimento esse de grande repercussão nacional e um dos pilares iniciais do início da derrocada da ditadura.

Percebemos que nessa declaração/carta/manifesto, não fica claro qual o verdadeiro objetivo pretendido pelo general aposentado Villas Boas, pois explicito está apenas o alerta à imprensa por não tratar dos atos que vem ocorrendo, em frente aos quartéis do exército, simetricamente ao seu pensamento. Contrariando esse ponto de vista, a imprensa vem tratando, em suas manchetes diárias essas manifestações como atos antidemocráticos praticados pelas “vivandeiras” que não aceitam o resultado das urnas. Sabemos que essa assimetria obrigatória era imposta aos jornais no período ditatorial e hoje a liberdade da imprensa é inquestionável.

Como a auditoria realizada pelo Ministério da Defesa no sistema de votação, foi com um propósito claro de encontrar algum pretexto para se iniciar um movimento de anulação das eleições, teve o seu relatório final claramente demorado porque o resultado esperado não foi o que os técnicos militares constataram e registraram. Mas, mesmo assim, o ministro da defesa, Gen. Paulo Guedes, emitiu uma nota dizendo que o sistema é seguro, mas também não tão seguro assim, ambiguidade inaceitável de uma autoridade que tem obrigação de grandes decisões que envolvem as FFAA. Se o sistema eleitoral não é seguro diga por quê. para evitar que o General Villas Boas escreva a pérola de que o “ato de votar deve ser privado, enquanto a apuração deve ser pública e auditável. Explique melhor Senhor General, pois todos os resultados eleitorais, desde que foi instituída as urnas eletrônicas, foram acompanhados por quem de direito e somente no governo do seu colega de farda é que os resultados estão sendo questionados de forma agressiva, ridícula e mentirosa.

Ainda demonstrando estar enraivecido com o resultado em que a maioria preferiu novamente um civil no poder maior do país, vem o autor da declaração com o lenga-lenga que os atos que ocorrem na frente nos quartéis são praticados por patriotas que “protestam contra os atentados à democracia, a independência dos poderes, ameaças à liberdade e as dúvidas sobre o processo eleitoral”. Desde quando pedir intervenção militar pode ser tratado como democrático? Vamos deixar de eufemismo e digam o que querem: o retorno ao retrocesso registrado de 1964 a 1985, magnificamente relatado por Élio Gaspari em suas obras sobre a ditadura.

Deixa de ser inédita o tom do general quando ele se manifesta ao público, que sempre é de ameaça, pois quando o STF ia julgar o pedido de Habeas Corpus para o ex-presidente Inácio Lula da Silva, comunicou em carta aberta à população em português limpo e claro, que caso o Supremo o julgasse procedente, as FFAA não permitiriam que o cumprimento da decisão e o fechamento desse poder seria iminente. A História mostra que quando esse fechamento ocorre o poder legislativo e executivo também entram no contexto e a repetição histórica inicia um novo ciclo.

No epílogo, da mais recente comunicação, ele exalta a liderança, o equilíbrio, a serenidade e a autoridade dos comandantes militares e do ministro da defesa, acredito que extensiva aos demais comandantes, e que essas qualidades asseguram a disciplina e a coesão de todos os componentes das forças armadas. Aqui aparece o sentimento de superioridade que os militares sempre se consideram em relação aos civis, começando pelas suas escolas, terminando nas retidões de suas decisões e entre elas inúmeras outras que registrar aqui tomaria bastante espaço e tempo.

Agora a cereja do comunicado é a confiança que ele alega hipoteticamente que a população ainda tem nas forças armadas, mas, conforme pesquisas que vem sendo efetuadas, atualmente não tem o mesmo nível do passado. Isso reforça que para retornar a credibilidade do passado há uma necessidade, urgente, que retornem suas interferências ao ambiente interno dos quartéis, incontestavelmente de alta competência. Quem decide as questões nacionais, dentro de suas atribuições legais, são os poderes constituídos e, até hoje, não consta na nossa Constituição o poder militar e nem a tutela do TSE ao STM.
 

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