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Alagoas

Facebook e Google promovem cursos gratuitos para atrair mulheres

O número de mulheres na área de Tecnologia da Informação (T.I.) tem diminuído. Nas faculdades de T.I., a porcentagem de mulheres varia de 10% a 30%. Tanto é que grandes empresas como Facebook e Google têm promovido cursos gratuitos de programação para as mulheres. No Instituto de Tecnologia em Informática e Informação do Estado de Alagoas (Itec), a situação não é diferente, são poucas as mulheres que trabalham com o setor técnico.

“Talvez por ser uma área mais racional, mais técnica, não combine tanto com o perfil da mulher, que tem uma organização muito forte e é uma grande administradora, talvez por isso essa tendência delas saírem da parte técnica, de estar ali sentada desenvolvendo para administrar. Administram os filhos, a própria casa, o estudo e no trabalho não é diferente. A mulher é uma administradora nata, então o papel de gestão é muito mais forte, ela tem personalidade mais aguçada, um lado emocional mais aflorado, tem sensibilidade”, explica a psicóloga e gestora de RH do Itec, Tereza Olegário.

Há 19 anos desenvolvendo sistemas, Tereza, decidiu encarar novos desafios fora da área de T.I. em 2013 quando assumiu o setor de RH do Itec, mas diz não ter encontrado dificuldades na carreira de programadora por causa do gênero.

“Acho que depende da equipe que está trabalhando, a minha coordenadora era mulher e os meninos tinham muito respeito pelas mulheres, porque elas possuem a capacidade de organizar tudo, então eles sabem que sempre encontramos uma solução”, conclui a gestora.

Única mulher na diretoria de Infraestrutura e Operações do Itec, a analista de infraestrutura, Herica Marylac, diz que entrou para a área por ter afinidade com exatas e computação. “Iniciei com curso técnico de processamento de dados em 98 e depois fiz faculdade em tecnologia”, expõe a diretora.

Herica diz que sempre teve um bom relacionamento com os colegas de trabalho, prevalecendo acima de tudo a colaboração e o respeito, mas observou um número bastante reduzido de mulheres em cursos de T.I., desde o técnico, faculdade, e cursos de aperfeiçoamento e, consequentemente, no ambiente de trabalho.

Às mulheres que estão ingressando na área, Herica Marylac diz para acreditarem mais na competência e para serem perseverantes. “Como qualquer área, na de T.I. encontraremos alguns obstáculos e muitos desafios. No ambiente de trabalho somos todos profissionais, com as mesmas responsabilidades. Hoje, T.I. é essencialmente inteligência, raciocínio e estratégia, habilidades inerentes ao ser humano, não havendo diferenças entre homens e mulheres”, afirma.

À frente do setor de Serviços de Sistemas de Informações do Detran (Sesinf), Vitória Quitéria, está há 25 anos desenvolvendo sistemas. Na época, ela conta que cursou Engenharia Química e se encantou na faculdade com a disciplina de computação.

“Não tinha aqui em Alagoas curso superior de Informática, fiz engenharia e foi lá que conheci a área. Na faculdade e no mercado de engenharia, predominantemente masculino, senti mais preconceito do que na área de T.I.. Comecei a trabalhar com T.I. quando fiz concurso pra Analista de Sistemas do Itec, aqui não encontrei resistência como na engenharia”, desabafa.

Vitória Quitéria sente falta de ter mais mulheres na área de T.I., mas acredita que a resistência encontrada é mais das próprias mulheres que não tem tanto interesse por disciplinas exatas. Para as que estão pensando entrar na carreira de T.I., mas se sentem deslocadas pela ausência de mulheres, Vitória deixa um recado: “Em tudo que a mulher entra, ela faz bem feito, porque ela se dedica de corpo e alma ao que faz”.