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Brasil/Mundo

Experiência brasileira com o SUS é referência em debates na ONU e no México

O Sistema Único de Saúde (SUS), experiência brasileira que vem sendo construída há 36 anos, é também referência sobre políticas públicas em outros países. Nesta semana, o SUS foi debatido na ONU (Organização das Nações Unidas) e no México.

Na última quarta-feira (23), em Nova York, experiências do Sistema Único de Saúde (SUS) na integração do cuidado à menopausa à Atenção Primária à Saúde (APS), na organização da atenção às pessoas com doenças raras, no enfrentamento ao HIV/aids e nos cuidados do pré-natal foram destaque na ONU. As iniciativas foram apresentadas pelo secretário-executivo da pasta, Adriano Massuda, em eventos paralelos à Semana de Alto Nível da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Na primeira agenda, o debate abordou caminhos para integrar de forma permanente a atenção à menopausa aos sistemas de saúde, com foco na Atenção Primária à Saúde (APS), além da necessidade de ampliar pesquisas, qualificar profissionais e fortalecer políticas públicas sobre o tema.

Representando o ministério, o secretário-executivo destacou o papel estratégico da Atenção Primária à Saúde (APS) na incorporação desse cuidado ao SUS. Por ser a principal porta de entrada do sistema, a APS permite acompanhar as mulheres de forma contínua nos territórios, articulando promoção da saúde, prevenção, identificação de necessidades, atenção clínica e encaminhamento para outros serviços da rede, quando necessário.

Segundo o secretário-executivo, ampliar esse cuidado também significa reconhecer que as mulheres vivenciam a menopausa de maneiras diferentes e que as respostas do sistema de saúde precisam considerar essas particularidades. A atenção deve integrar orientação sobre hábitos de vida saudáveis, saúde mental, autocuidado e tratamentos adequados, quando indicados, sem transformar um processo fisiológico em doença.

Massuda também ressaltou que o avanço dessa agenda depende da atuação conjunta do Ministério da Saúde, estados e municípios, gestores e trabalhadores do SUS, instituições de ensino e pesquisa, sociedades científicas e das próprias mulheres. Para Massuda, informação qualificada, autonomia e participação nas decisões sobre o próprio cuidado são elementos essenciais para uma atenção integral e equitativa.

Doenças raras e cobertura universal

Na sequência da programação, Massuda participou de evento que abordou políticas para o cuidado das doenças raras, organizado pela Rare Diseases International (RDI). O encontro reuniu representantes de governos, organizações da sociedade civil, pessoas que vivem com doenças raras e outros atores da saúde global para discutir como transformar compromissos internacionais em ações concretas de diagnóstico, cuidado e acesso a tratamentos.

Durante o encontro, o secretário-executivo defendeu que as pessoas com doenças raras estejam plenamente incluídas nas estratégias de cobertura universal de saúde. Para o Brasil, essa inclusão exige sistemas capazes de garantir diagnóstico oportuno, cuidado contínuo e acesso equitativo às tecnologias e aos tratamentos disponíveis.

“No Brasil, as doenças raras são parte integrante da cobertura universal de saúde. Nossa experiência mostra que torná-las uma prioridade global deve caminhar junto com sistemas de saúde capazes de oferecer diagnóstico oportuno, cuidado contínuo e acesso equitativo ao tratamento ”, afirmou Massuda.

O Brasil conta, desde 2014, com uma Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras no SUS. Atualmente, a rede especializada reúne 60 serviços habilitados, que atuam na atenção e no acompanhamento de pessoas com diferentes condições raras.

Triagem neonatal

Outra ferramenta do SUS destacada durante o encontro foi o investimento em diagnóstico precoce e de precisão, incluindo o Programa Nacional de Triagem Neonatal e a implementação do Sequenciamento Completo do Exoma na rede pública. O exame permite investigar alterações genéticas associadas a diferentes doenças e pode contribuir para reduzir a chamada jornada diagnóstica enfrentada por pacientes e famílias.

Outro eixo abordado foi o acesso às terapias inovadoras e o desafio de conciliar a incorporação de novas tecnologias com a sustentabilidade dos sistemas universais de saúde. Entre as estratégias adotadas pelo Brasil estão mecanismos de compartilhamento de risco para o acesso ao Zolgensma , utilizado no tratamento da atrofia muscular espinhal (AME) , além de iniciativas de desenvolvimento clínico, transferência de tecnologia e fortalecimento da produção nacional.

A discussão ocorre em um momento de avanço da pauta no cenário global. Em 2025, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou a primeira resolução da Organização Mundial da Saúde dedicada às doenças raras, reconhecendo o tema como uma prioridade de saúde global e determinando a elaboração de um plano de ação global para os próximos dez anos.

HIV/aids

Ainda na quarta-feira, o Ministério da Saúde participou de debate sobre produção regional de medicamentos de ponta para aids e outras pandemias”, promovido pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS). No encontro, o Brasil defendeu a ampliação do acesso a medicamentos, o fortalecimento da produção regional de tecnologias de saúde e compartilhou a experiência brasileira na resposta ao HIV/aids , baseada no SUS, na oferta universal e gratuita de medicamentos e na participação da sociedade civil.

As agendas integram a participação do Ministério da Saúde na Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas. A programação da pasta em Nova York segue até sexta-feira (25), com debates sobre diferentes desafios da saúde global e o fortalecimento da cooperação internacional.

SUS no México

Brasil e México reúnem capacidades para transformar conhecimento em mais inovação para a área de saúde na América Latina, com garantia da soberania local e condições para abastecimento do mercado global. A afirmação foi feita pela secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, também na quarta-feira, durante encontro com representantes dos setores público e privado na Cidade do México.

Negri defendeu a cooperação entre as nações: “Os dois países têm desafios muito parecidos e que demandam mais cooperação para construir competências produtivas, científicas e tecnológicas em saúde com potencial para liderarem o caminho, em vez de ficarem à margem da competição global”.

A participação da secretária ocorreu no âmbito da comitiva liderada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta semana, na capital mexicana. A agenda debateu iniciativas que aproximam as duas nações no desenvolvimento de pesquisas, produção e tecnologia em saúde.

Segundo De Negri, a integração é estratégica para romper com a lógica de mercados isolados e estáticos, que funcionam apenas como consumidores de produtos com preços elevados definidos pelas nações mais ricas. “A integração entre países que são parceiros estratégicos, que têm origens comuns e que são amigos, como os nossos, tende a ser muito mais proveitosa para ambos” , pontuou.

A secretária destacou que essa dependência externa torna-se ainda mais crítica diante do envelhecimento populacional, fenômeno global que pressiona o aumento dos gastos com saúde em todo o mundo. Nesse sentido, ressaltou De Negri, a pandemia evidenciou a urgência de impulsionar a produção nacional para garantir à população acesso contínuo a tratamentos essenciais“.

Agência Gov | via MS