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Alagoas

Estudantes de Rio Largo cobram merenda escolar e ameaçam greve

Prateleiras que recebiam os alimentos estão vazias

Há 30 dias sem merenda nas trinta e quatro escolas da rede pública de ensino, o município de Rio Largo enfrenta, desde junho deste ano, uma das maiores crise na Educação. Diante desta realidade, a União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Rio Largo (Umese) convoca todos os 12 mil estudantes, além da comunidade escolar para uma paralisação geral de advertência.

O protesto seguido de uma caminhada pelas ruas centrais da cidade pretende alertar as autoridades, os gestores e a Justiça para a falta total da merenda nas escolas e a precariedade no sistema municipal de ensino. Segundo o presidente da Umese Fabrício Farias, a Educação pública em Rio Largo era vista pela gestão anterior como prioridade e nunca houve problemas semelhantes.

“Antes nossos estudantes eram valorizados, principalmente após a implantação da Gestão Democrática em 2009, onde toda comunidade escolar passou a eleger os diretores das escolas. Havia investimentos na Educação. Várias escolas foram construídas e outras reformadas. Foram feitos quase 20 laboratórios de informática. Merenda nunca faltava e era de qualidade. Tínhamos cerca de dez ônibus escolares e com ar-condicionado”, desabafa Fabrício. “Desde a chegada da prefeita Fátima Correia, que a Educação entrou nesta decadência”, enfatiza.

A estudante do nono ano da Escola Municipal Evanda Carneiro de Vasconcelos, Isabela Cristina confirma as denúncias realizadas pelos alunos, pais, funcionários e diretores.

“A despensa está vazia. A gente está largando cedo, pois não tem o que comer. Era para sairmos às 18h, mas estamos largando às 15h. E na minha escola é mais grave, pois em algumas salas não há carteiras para os alunos. Nas turmas da manhã, os alunos estão assistindo aula no chão por falta de carteiras. Nunca vi isso. Nossa banda de fanfarra restaurada em 2009 com a compra de novos instrumentos; agora está parada, pois não tem dinheiro para as apresentações. Professor não recebe mais em dia. A escola tá uma bagunça”, conta Isabela Cristina.

“Tenho duas filhas. Uma de sete anos, que estuda na Escola Machado de Assis e outra de cinco anos, aluna da Escola Aquino Costa Japiassú. A diretora da mais velha me confessou que não chega merenda há um bom tempo. Que já entrou em contato com a Secretaria Municipal da Educação, mas sempre falam a mesma coisa: ‘para semana chega’ e nenhuma solução foi dada até agora”, narra a dona de casa Josylane Santos. “Já a diretora da escola da minha filha mais nova disse que ela mesma está comprando a merenda. Por conta disso tudo minhas filhas estão sendo prejudicadas. Como mãe, o que mais me deixa indignada é que a atual prefeita Fátima Correia não nos dá nenhuma satisfação. Ela teria que se manifestar, ir às escolas, dá explicação a população. É um desrespeito conosco e um total descaso com o ensino público”, complementa Josylane.

MANIFESTAÇÃO

De acordo com o comunicado da Umese, o ato público dos estudantes está programado para amanhã (dia 31), a partir das 9h, com concentração na Praça São Benedito, no Centro. “Nosso objetivo é alertar a população e cobrar providências e respostas da atual gestão sobre este caos em que se encontra hoje a Educação no nosso município”, diz Fabrício.

“Queremos entender, porque antes havia ônibus escolar de qualidade e hoje a frota está reduzida. Porque anteriormente os professores e funcionários recebiam em dia e muitas às vezes antes da data dos vencimentos, mas desde maio, os salários vêm atrasando. Também queremos respostas sobre as reformas de muitas escolas que estão paradas há cinco meses, como a Escola D. Pedro I, no Tabuleiro e a João Paulo II, no Alto do São Miguel. Como também as construções atualmente paralisadas das novas unidades de ensino, a Iete Melo Matias, no Mutirão e a Valter Dórea de Figueiredo, no Brasil Novo. Todas iniciadas na gestão anterior. São muitas perguntas e nenhuma resposta”, questiona Fabrício.