Com o objetivo de promover o incentivo à pesquisa e reverenciar a capacidade investigativa de seus estudantes, a Escola Estadual Tarcísio Soares Palmeira, em São Miguel dos Campos, realizou esta semana a 6ª Exposição de Conhecimentos e Tecnologias (Excontec). Organizada pelos alunos do ensino médio e orientada por seus professores, a mostra recebeu visitantes da comunidade e estudantes de outras unidades de ensino da região.
Na entrada da exposição uma frase colocada num cartaz e atribuída ao cientista Albert Einstein – “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original” – dava a dimensão da seriedade com que os alunos realizaram a pesquisa. De acordo com o diretor geral da escola, José Raimundo dos Santos, os trabalhos levaram em consideração quatro eixos temáticos: os aspectos humanos, sociais, científicos e tecnológicos.
“Os melhores trabalhos serão apresentados na Feira de Ciências do Estado de Alagoas – a Feceal, organizada pela Secretaria de Estadual da Educação e marcada para acontecer no final deste ano”, afirmou o diretor. Segundo José Raimundo, cerca de 30 temas foram pesquisados e desenvolvidos pelos alunos, abordando assuntos relacionados às questões ambientais, tecnológicas, educacionais e de saúde.
Na sexta-feira (28/8), a exposição recebeu a visita da coordenadora da 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Fabiana Silva Rocha. Ela elogiou o nível dos trabalhos e afirmou que iniciativas como essa despertam cada vez mais o interesse dos alunos pela pesquisa. “Com certeza, o trabalho de campo que eles realizaram será de grande valia para o desenvolvimento deles não só como alunos, como cidadãos”, observou.
“Eles foram a campo, pesquisaram, ouviram estudiosos no assunto e apresentaram informações importantes”, acrescentou Fabiana Silva, que é responsável pelas escolas do Estado na região de São Miguel dos Campos. Segundo ela, o principal objetivo da mostra foi alcançado. “Nossa meta principal é o crescimento intelectual, criativo e crítico do aluno, isso foi atingido”.
TEMÁTICAS
Entre as temáticas abordadas pelos alunos algumas estavam relacionadas aos problemas vividos pelo município, a exemplo dos lixões, da falta de coleta seletiva de lixo e da água consumida pela população. Os alunos do 1º ano “A” pesquisaram sobre o tratamento e a distribuição de água em São Miguel dos Campos. Eles constataram que a água tratada apresenta boa qualidade, mas a distribuição nem sempre é satisfatória.
“A água é boa, mas nem sempre chega às torneiras das casas das pessoas, principalmente dos moradores da periferia e povoados”, afirmou a aluna Érica dos Santos, de 16 anos. Segundo ela, a turma fez pesquisa de campo e ouviu o diretor do Serviço de Abastecimento de Água e Esgoto (SAAE), Carlos Alfredo Ferro. “Na zona rural, o serviço é deficitário e a população precisa recorrer às cisternas e poços artesianos”, acrescentou.
De acordo com a aluna Thalyta Monyky dos Santos, de 16 anos, o município sofre com a situação do lixão. “Como não temos aterro sanitário, o lixo é despejado num lixão de forma irregular, na periferia da cidade, o que vem provocando doenças nos moradores da redondeza e poluindo o meio ambiente”, afirmou a estudante. “Se o lixo fosse separado e o município tivesse um aterro sanitário, a situação seria outra”, acrescentou.
As questões energéticas e a produção de combustíveis também foram abordadas pelos expositores, que apresentaram trabalhos sobre energia nuclear, lâmpadas de LED e fabricação de etanol. Todos os trabalhos continham uma ficha técnica com os nomes dos alunos, dos orientadores, o passo a passo da pesquisa e as fontes de consultas. Além de ouvir especialistas nos assuntos, os alunos ouviram consumidores e moradores da cidade.
Saúde
Entre os temas relacionados à saúde, os alunos abordaram os malefícios do tabagismo, do excesso do consumo de bebidas alcoólicas e dos refrigerantes. Por outro lado, mostraram a importância de uma alimentação sadia, destacaram as propriedades medicinais da babosa e alertaram para os cuidados que a população deve ter para se livrar da febre Chikungunya, transmitida pelo mesmo mosquito da dengue.
Ainda dentro do tema saúde pública, os alunos pesquisaram sobre as doenças transmitidas pela mosca, o consumo excessivo do sódio, os distúrbios do sono e o uso dos bebedouros escolares. “Constatamos na pesquisa de campo que a qualidade da água muitas vezes estava comprometida por conta da falta de higienização dos bebedouros”, afirmou Matheus Pepese, de 15 anos, aluno do 1º ano “B”.
Tecnologia
Dentro do campo tecnológico, os alunos apresentaram trabalhos relacionados à poluição eletromagnética, provocada pelo uso excessivo de aparelhos celulares; bem como os riscos para a saúde das pessoas quanto à quantidade de bactérias encontradas nos aparelhos celulares; além do desenvolvimento da tela sensível ao toque. Outra turma também apresentou um trabalho sobre os catalisadores dos veículos automotores.
Para a estudante Claudia Beatriz, de 17 anos, aluna da Escola Estadual Ana Lins, de São Miguel dos Campos, a exposição este ano estava muito interessante. “Muitas coisas chamaram a minha atenção, mas eu gostei mais das dicas sobre como limpar o celular para evitar bactérias, das informações sobre hábitos alimentares e da economia provocada pelo uso das lâmpadas de LED”, afirmou a estudante visitante.
Na apresentação do trabalho sobre as bactérias contidas nos celulares, as alunas Raísa Emanuelle da Silva e Luana Carolina Dionízio, ambas de 16 anos, davam uma demonstração de como fazer a higienização dos aparelhos, utilizando algodão e um pouco de álcool. Enquanto mostravam como fazer a profilaxia, elas iam passando informações sobre a sujeira contida nos aparelhos. Segundo elas, o celular não higienizado corretamente guarda mais bactérias do que a sola de um sapato.
