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Ensino Pelo Avesso

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Ensino Pelo Avesso

Presumimos que alguém que escreve um livro de cunho didático da língua portuguesa deve pautar-se como intransigente defensor do vernáculo e não compactuar com o barbarismo, admitindo erros crassos de concordância gramatical, amparado no estapafúrdio argumento para não melindrar e constranger o aluno. Não é possível tamanho absurdo! Será que alguém, no uso da razão, concorda com semelhante justificativa, verdadeiro monstro que chega a nos causar tremor pelo absurdo? Como pode o educador fechar os olhos para “ nós pegou as laranja”, “nós foi” e outras aberrações?! Ora, o aluno está na escola para aprender e o professor, como orientador, está na obrigação de chamar-lhe a atenção para os escorregões e corrigi-lo. Eximir-se desse procedimento é anular-se como professor e orientador, tornando-se inútil e desnecessário na sala de aula.

Sequenciando o seu besteirol, a educadora e autora do livro que foi objeto do noticiário nacional, diz que no vestibular há de se exigir o conhecimento do português. Mas como exigir no futuro o conhecimento que foi desprezado na base?! Como irá sair o aluno, vítima da omissão, não apenas no vestibular, mas também nos concursos, quando exigem conhecimentos gerais, destacando-se o da língua portuguesa? Assistimos, sem exagero, a um trágico e brutal assassinato da lógica.

O conhecimento, todos sabemos, assemelha-se a uma escada que se galga gradativamente de degrau a degrau. O mesmo acontece com o desenvolvimento econômico de um país que cresce cada vez mais, quanto mais aprimora a sua educação.

Existe em algumas pessoas, mesmo sem o necessário discernimento, a mania de aparecerem como liberais e tolerantes, sem atinar para o grau que poderá se transformar na permissividade. Foi exatamente onde esbarrou a educadora em referência. Se o professor não deve corrigir o aluno para não suscetibilizá-lo, trata-se de um aluno que requer tratamento psicológico e, se necessário, afastar-se provisoriamente da escola. O professor não pode, sob hipótese nenhuma, afrouxar a rédea da disciplina, da exigência e do sacrifício, condimentos necessários para a aquisição do saber. Em todos os povos sempre houve e há um divisor no falar a língua materna que se diferencia entre a forma culta e a vulgar. No Brasil, onde grassa o analfabetismo, temos uma minoria que fala o português casto e uma multidão ululante que uiva, imitando a língua pátria. Isso não significa que devemos nos nivelar por baixo, tornando-nos cúmplices da barbárie da massa ignara. Aprendemos para ter a claridade e não para mergulharmos na escuridão.

Em razão do livro da educadora sob comento ter sido aceito pelo Ministério da Educação, aumentando a nossa incredulidade, ficamos convencidos que o Governo Federal não encara com seriedade a nossa educação. Os fatos corroboram esta convicção. Vejamos. Com frequência nos deparamos com pessoas que se dizem portadoras de curso superior, mas basta conversarmos um pouco e logo percebemos que trilham pela superfície em matéria de conhecimentos. São geralmente oriundos das faculdades ou indústrias de fabricar diplomas. No que tange ao trato com a língua materna, esses doutores, como gostam de ser chamados, a espezinham a todo momento, quer na grafia, quer na concordância gramatical. Não deixa de ser culpa do Governo Federal que permite a proliferação de cursos sem qualificação. Não bastasse esse indiferentismo, relativamente ao curso fundamental desaconselha a reprovação de alunos com as mais disparatadas justificativas.

Preocupa-se com a quantidade em detrimento da qualidade. Não entendemos o que possa advir de positivo em favor do aluno ou do país, com essa política deformada que permite a multiplicação de diplomas fajutos e, com a ansiedade de acabar com o analfabetismo, promove a alfabetização formal em massa de pessoas que permanecem analfabetas. É um governo aparentemente desmiolado, pois não obstante reconheça a boa educação como fator determinante para o desenvolvimento no mais amplo sentido da palavra, fecha os olhos ao conhecimento de alto nível. O que mais podemos acrescentar ante a argumentação de uma educadora estrambótica e de um ministério contraditório, descompromissado com a boa educação, conivente, surdo, mudo e aleijado?

Em síntese, é bem provável que não estamos à altura de compreender o formidável salto que está acontecendo com a nossa educação. Assim, enquanto perdura a dúvida a esse respeito, ficamos com a nossa convicção de que tanto o MEC quanto a autora do livro em referência são um zero à esquerda a nos envergonhar em matéria de educação.

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