A tarde de uma segunda-feira é quente, mas uma brisa refrescante que vem da Praia do Sobral chega até a Rua João Ulisses Marques, 112, no Prado. Foi lá que mais de 30 mulheres encontraram um sentido para a vida, ao participar do grupo de artesãs Motivarte, que está prestes a se transformar em uma associação de artesãs e de mulheres empreendedoras.
Uma delas é Regina Aparecida da Silva, que já fez cursos de cestaria, pintura em tecido, bordado, fuxico. “Fora os cursos do Senac. Aqui, encontrei um sentido para a minha vida. Antes, era deprimida, principalmente quando ficava desempregada. Mas agora sou artesã e faço aulas de educação física e de dança”, conta, emocionada, a mãe de dois filhos já grandes e que participa de quase todas as atividades do Cras Dom Adelmo Machado.
Já Maria José da Silva, que tem uma filha de 31 anos, já é avó e vive do pagamento do benefício do INSS, diz que sempre teve habilidades manuais, ao confeccionar bonecas emborrachadas e de lã. “Foi aqui no grupo de mulheres da Motivarte que vi que posso me profissionalizar e aumentar a minha renda com a venda do artesanato”, revela a artesã, que há um ano participa das atividades do Cras Dom Adelmo Machado.
O grupo Motivarte é formado por mais de 35 mulheres que fazem parte do Serviço de Convivência do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Dom Adelmo Machado, equipamento social da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas).
Para formalizar a criação da Associação de Artesãs Motivarte, as mulheres têm assessoria da Secretaria Municipal do Trabalho, Abastecimento e Economia Solidária (Semtabes), da Unitrabalho e da Ufal, através da incubadora social.
O trabalho começou em 2010, quando as integrantes do grupo de mulheres do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos do Cras Dom Adelmo Machado perceberam que muitas participantes eram artesãs e já desenvolviam trabalhos manuais, com bordados como o ponto vagonite, ponto de cruz duplo, bordado em xadrez, pintura em tecidos e o famoso filé, bastante característico da região da parte baixa de Maceió, como os bairros Trapiche e Pontal da Barra.
“Nessa época, a gente se reunia no grupo de mulheres e descobrimos que cada uma tinha um motivo para estar aqui participando das atividades oferecidas no Cras Dom Adelmo Machado. Além desse motivo particular, havia as que ainda tinham e têm habilidades manuais. Daí, a gente resolveu juntar as palavras motivo e arte e o nome do grupo surgiu. Batizamos de Motivarte e agora estamos nos transformando em uma associação de mulheres empreendedoras”, conta a presidente da futura associação, Maria Cristina.
Maria Cristina diz que os conhecimentos e habilidades das mulheres com o bordado e a pintura em tecidos foram sendo repassados de uma para outra, durante os encontros do grupo de mulheres. Com o passar do tempo e a elaboração das peças e objetos artesanais, elas viram que chegava a hora de construir o grupo de mulheres artesãs Motivarte.
A participação em feiras, exposições e eventos da chamada economia solidária prosperou. Houve a colaboração de parceiros que estimularam a aprendizagem e incorporação de práticas empreendedoras com as instituições, além de conhecimentos em gestão de negócios, vendas e a forma correta de colocar preços nos produtos.
Os parceiros auxiliam na transformação do grupo de mulheres numa associação de artesãs com CNPJ. Já há o estatuto e a diretoria executiva foi formada com as funções de presidente, tesoureira, secretária e conselho fiscal.
“Falta apenas a assinatura da advogada no estatuto que foi reformulado. Depois disso, vamos até o cartório para fazer o registro da Associação de Mulheres Artesãs Motivarte. Um sonho que está prestes a ser realizado”, revela a presidente da associação, Maria Cristina.
As artesãs se reúnem todas as segundas-feiras para uma avaliação geral da produção. Na quarta-feira, há a prática de atividade física e a sexta-feira é dividida destinada à confecção do filé e aulas de dança para as demais participantes.
“As artesãs do Motivarte são um coletivo formado só por mulheres empreendedoras que buscam no modelo associativo a formalização para transformar o grupo numa associação de mulheres artesãs”, revela a coordenadora do Cras Dom Adelmo, Djane Pacheco.
No Cras há um ateliê onde os produtos são confeccionados. As mulheres fazem o trabalho de forma coletiva ou individual e durante a venda das peças elas levam a produção coletiva ou de cada uma. No ateliê há máquinas de costura e tear.
Os produtos confeccionados pelas artesãs vão de bordados feitos em conjuntos de cozinha, peças de cama, toalhas de mesa e de banho, bordados no xadrez a passadeiras e almofadas.
“Vamos decidir que produto será o carro-chefe da nossa associação. Estamos avaliando se o filé ou ponto cruz duplo. É que precisamos direcionar o produto, negociá-lo e expandir o negócio”, ensina a presidente da Motivarte, Maria Cristina.
Antes de ser eleita presidente da futura Associação de Mulheres Artesãs Motivarte, Maria Cristina Oliveira da Silva passou por um momento difícil na vida, ao ter que lidar com sintomas da depressão. Ela pensou que o Cras era um Caps, um Centro de Atenção Psicossocial. Mas ao saber dos trabalhos que são desenvolvidos no Centro de Referência da Assistência Social (Cras), foi lá mesmo que Maria Cristina decidiu ficar e participar das atividades do grupo de mulheres.
“Moro a minha vida toda no Prado. Tive depressão e resolvi participar dos grupos. Obtive conhecimentos muito importantes para a minha vida e por isso, estou aqui até hoje. Cheguei aqui quando ainda era um Centro Comunitário e acompanhei as mudanças, a transformação em Cras Dom Adelmo Machado, a criação do grupo de mulheres Motivarte e agora a associação. Essa caminhada já dura uns 12 anos”, conta Maria Cristina.
A presidente da futura Associação de Mulheres Artesãs Motivarte faz questão de dizer quem são as outras mulheres que fazem parte da diretoria. “Tem eu, a presidente. A Janaína, secretária. A Maria José, tesoureira. A Genaudi, Iracema e Lindinalva são do Conselho Fiscal”, informa, com entusiasmo, a líder das mulheres artesãs.
