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Política

Em nota oficial, presidente do PMDB-AL fala sobre eleições na capital Maceió

"Cícero não sai como derrotado", diz o senador Renan Calheiros

Passadas as eleições municipais, o senador Renan Calheiros, presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), emitiu uma nota oficial em que analisa o processo político da capital alagoana. Na disputa do 2º turno, realizada neste domingo, 30 de outubro, o tucano Rui Palmeira foi reeleito para continuar governando Maceió pelos próximos anos.

Confira o documento na íntegra:

Só perde quem não pode esperar

Encerrado o processo eleitoral de Maceió, não devo me omitir. Faço-o agora porque,
tivesse feito antes, seria interpretado, até com razão, como interferência indevida na
campanha.

Como presidente do PMDB, em nome das lideranças e da militância, dirijo nossos
melhores cumprimentos a Cícero Almeida, pela forma correta como conduziu a
campanha.

Cícero foi, todo o tempo, equilibrado e maduro, apesar dos ataques injustos e
covardes.

Cícero não sai como derrotado. Não perdeu porque disputou de forma leal e corajosa.
Teria perdido, aí sim, se o prefeito Rui Palmeira lograsse, no tapetão, retirá-lo da
disputa, tal como fez anteriormente e tentou agora.

Quem vai à luta nunca perde.

Cícero foi acusado pelo prefeito Rui Palmeira por ter contratado empresas para limpar
a cidade. O próprio Rui Palmeira, empossado prefeito, não só as manteve e foi além:
aumentou o valor do contrato e quitou uma vultosa diferença que Cícero recusou
pagar.

Pior ainda: na eleição de 2014, obrigou-as a custear seus candidatos.

Ao contrário do que diz, Rui Palmeira tem motivos para se preocupar com a Lava Jato e
outras investigações. Repito aqui que qualquer denúncia deve ser investigada.

Aproveito esses episódios para, paciente e serenamente, comprovar que nunca cometi
irregularidades. Foi o que aconteceu à primeira e principal acusação, por ouvir dizer,
como as demais, e que foi arquivada. O mesmo acontecerá com as outras.

A propósito, esclareço que a citação a João Sampaio ocorreu sem meu conhecimento.
As atribuições de Presidente do Congresso Nacional me obrigam a estar em Brasília.
Logo que soube, pedi que fossem retiradas, e foram. Além de ser meu amigo, João
Sampaio era amigo de meu pai. Colaborei de diversas formas com o Cesmac; a mais
recente foi o curso de Medicina.

Devo dizer que a eleição de Rui Palmeira, de certa forma, me alivia. Isso porque não
me verei novamente na obrigação de dar-lhe emprego no Senado.

Depois de Rui ter perdido uma eleição, tive que contratá-lo no Senado. Foi um erro,
humildemente reconheço. Rui Palmeira não tinha preparo e não gostava de trabalhar.
Além do outro empecilho, este insuperável porque moral: ele sempre fez pouco caso
do dinheiro público.

Sem que soubéssemos, Rui Palmeira viajou para a Austrália e lá ficou, alheio às
obrigações e ganhando sem trabalhar. Até denúncia de Arthur Virgílio, hoje prefeito de
Manaus, chegou ao meu conhecimento. Obriguei então o faltoso – disso tenho orgulho
– a devolver o que havia embolsado, e documentei. Sem tabica e sem saco de
dinheiro, que não são meus hábitos. Tenho nojo a violência, hipocrisia e inveja.

Quem recorre à compra de votos e monta cadastros de eleitores é Rui Palmeira, não
eu. Sabe disso muito bem quem esteve nas eleições de que ele participou.

Esses fatos são desconhecidos da população. Como ele esconde que dezenas de vezes
– perdi a conta -, para ajudar Maceió, convoquei ministros para despachar com ele em
meu gabinete. Mas Rui Palmeira é pródigo em propagar o que lhe convém. Lança mão
diariamente dos veículos de comunicação de sua família (que incluem concessões
públicas) para atacar adversários, detratando-os com adestrados nesse ofício sujo.

Na vida aprendi mais com as derrotas do que com as vitórias. Na verdade, pouco se
aprende com a vitória. Sobretudo quem é arrogante, presunçoso, deslumbrado e
invejoso, como o prefeito Rui Palmeira.

Sempre achei que as pessoas são capazes de se emendar. Ele não foi capaz. Paciência.
Parabéns ao autorretrato de bom gestor, íntegro, competente, humilde e trabalhador,
com obras em todo lugar; de quem sabe o valor da gratidão, de quem se proclama
respeitador do dinheiro público; de quem não apagou suas promessas para poder
repeti-las. Parabéns à selfie do bom-moço e bom caráter.

Maceió contará comigo até o limite da minha capacidade de trabalho. Não faltarei à
nossa bela, querida e necessitada capital, porque tenho olhos na carência extrema, na
saúde, na educação, nas línguas pretas.

Meu saudoso pai dizia, Cícero, que só perde na vida quem não pode esperar. Vida que
segue.

RENAN CALHEIROS
Presidente do PMDB-AL

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