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Alagoas

Dermatologista alerta para o perigo do câncer de pele

O câncer, também conhecido por neoplasia, continua sendo uma das doenças que causam mais pavor nas pessoas. Quando se trata de câncer, muitos mitos circundam aquela que está entre as 10 enfermidades que mais mata pessoas em todo o mundo. O câncer de pele, por sua vez, é o tipo mais frequente da doença no Brasil e corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no país.

Acomete, sobretudo, pessoas com mais de 40 anos, sendo relativamente raro em crianças e negros, com exceção daqueles já portadores de doenças cutâneas anteriores. Pessoas de pele clara, sensível à ação dos raios solares, ou com doenças cutâneas prévias são as principais vítimas da doença.

Os principais fatores de risco do câncer de pele são a exposição solar e a hereditariedade, no caso de melanoma. Entre os tumores de pele, o tipo não-melanoma ocorre com maior incidência e possui baixo índice de mortalidade.

Tipos de câncer de pele

Segundo a dermatologista do Hapvida Saúde, Samanta Meneguzzi, existem diversos tipos de câncer pele, entre eles pode-se destacar o Carcinoma basocelular (CBC). É o mais prevalente entre todos os tipos de câncer. O CBC surge nas células basais, que se encontram na camada mais profunda da epiderme (a camada superior da pele), e mais frequentemente em regiões mais expostas ao sol, como face, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas.

“Algumas manifestações do CBC podem ser confundidas com lesões não cancerígenas, como eczema ou psoríase, por isso, é importante a consulta com um dermatologista antes de qualquer tratamento”, explica a especialista.

O Carcinoma espinocelular (CEC) é o segundo mais frequente entre todos os tipos de câncer. Manifesta-se nas células escamosas, que constituem a maior parte das camadas superiores da pele. Pode se desenvolver em todas as partes do corpo, embora seja mais comum nas áreas expostas ao sol, como orelhas, rosto, couro cabeludo. Em locais como lábios, ele pode ser mais agressivo. A pele nessas regiões normalmente apresenta sinais de dano solar, como enrugamento, mudanças na pigmentação e perda de elasticidade.

O CEC é duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres. Assim como outros tipos de câncer da pele, a exposição excessiva ao sol é a principal causa do CEC, mas não a única. Alguns casos da doença estão associados a feridas crônicas e cicatrizes na pele, uso de drogas imunodepressoras e exposição a certos agentes químicos ou à radiação.

Normalmente, os CEC têm coloração avermelhada, e apresentam-se na forma de feridas, que não cicatrizam e sangram ocasionalmente. Podem ter aparência similar a das verrugas também.

“Vemos muitos casos atualmente de lesões avançadas por diagnostico tardio, nos casos que as pessoas tentam se automedicar”, alerta a especialista.

Por fim, o melanoma destaca-se como o mais raro e agressivo entre todos os cânceres da pele. Ele tem origem nos melanócitos, as células que produzem melanina, o pigmento que dá cor à pele. Normalmente, surge nas áreas do corpo mais expostas à radiação solar.

O melanoma, em geral, tem a aparência de sinal na pele, em tons acastanhados ou enegrecidos. Porém, podem ocorrer mudança de cor, formato, tamanho e até sangramento.

Em estágios iniciais, o melanoma se desenvolve apenas na camada mais superficial da pele, o que facilita a remoção cirúrgica e a cura do tumor. Nos estágios mais avançados, a lesão é mais profunda e espessa, o que aumenta a chance de metástase para outros órgãos e diminui as possibilidades de cura.

“Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental. Casos de melanoma metastático, em geral, apresentam pior prognóstico e dispõem de um número reduzido de opções terapêuticas”, alerta a dermatologista.

Ainda segundo Samanta Meneguzzi, a hereditariedade desempenha um papel central no desenvolvimento do melanoma. “Por isso, familiares de pacientes diagnosticados com a doença devem se submeter a exames preventivos regularmente de preferência a cada 6 meses ou logo que surgir uma lesão suspeita”.

Prevenir é o melhor remédio

A médica recomenda o uso de protetor solar diário como a melhor forma de evitar o câncer e manter a pele saudável. Na praia ou na piscina, usar barracas feitas de algodão ou lona, que absorvem 50% da radiação ultravioleta. As barracas de nylon formam uma barreira pouco confiável: 95% dos raios UV ultrapassam o material.

“As pessoas acham que por não se exporem diretamente ao sol não há necessidade de proteção. Mas os estudos mostram que o efeito da radiação solar é cumulativo e mesmo em dias nublados o sol afeta diretamente”, explica.

Outras medidas interessantes são usar chapéus, camisetas com tecido com proteção solar. Evitar a exposição solar e permanecer na sombra entre 10 e 16h (horário de verão).

“Outro cuidado importante é observar regularmente a própria pele, à procura de pintas ou manchas suspeitas. Consultar um dermatologista uma vez ao ano, no mínimo, para um exame completo em manter bebês e crianças protegidos do sol”, adverte a dermatologista.

A especialista esclarece que se a doença for detectada de forma precoce, as chances de cura são de mais de 90%.