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Alagoas

Dependentes químicos buscam auxílio para abandonar as drogas

Para o autônomo D.N, de 54 anos, o envolvimento com o álcool, que teve início em diversões com os amigos, não foi apenas uma experiência ruim. O contato com a bebida resultou em seu maior drama pessoal: a dependência química. Foi por causa do vício que o alagoano, que reside em um interior de Sergipe, viveu os dias mais difíceis de sua vida. E sua história só começou a mudar quando ele decidiu aceitar ajuda, depois de ver o abalo em seu bem mais valioso: a família.

“Fui usuário de álcool por muitos anos e por causa disso cheguei ao fundo do poço, mas mesmo assim eu não queria ajuda. A gente sempre acha que não precisa de ajuda. Foi quando minha mãe e minha ex-mulher, que me largou por conta do meu vício, decidiram me trazer para conhecer a comunidade Casa do Bom Samaritano. Eu vim sem saber do que se tratava, mas, ao conhecer os trabalhos desenvolvidos aqui, resolvi ficar para me tratar”, contou D.N.

O acolhimento do autônomo foi há exatos nove meses. De lá para cá, ele se mantém limpo, reconstruindo o que o envolvimento com a droga destruiu. “Estou finalizando a minha estadia na comunidade, onde conquistei autoconhecimento e me tratei de verdade. Eu mudei meu estilo de vida. São vitórias vividas diariamente. Uma delas, que é bem especial, é ter a possibilidade de reconstruir a minha família”, enfatizou o acolhido.

Superação

Sonhando em se tornar um atleta profissional, o jovem M.A, de 26 anos, viu tudo se perder quando entrou para o mundo das drogas. “Eu tive todas as oportunidades possíveis. Visitei todos os estados do Brasil e mais três países. Eu era um atleta de nível alto, talvez uma das grandes apostas do atletismo em Alagoas. Deixei tudo escapar pelas minhas mãos, ao não perceber que as drogas estavam tomando conta de mim”, contou emocionado.

M.A. conta que o crack o levou para o fundo do poço, afastando ele do esporte, dos amigos e até mesmo da família. “Foi quando eu me vi no desespero e decidi procurar ajuda. Encontrei na comunidade Mãos de Alagoas a oportunidade de me recuperar e superar tudo o que eu estava passando. Era a única certeza de que eu iria conseguir a vida que eu tinha de volta. Agora tratado, voltei a praticar o atletismo e já conquistei medalhas de ouro em campeonatos locais e estou batalhando para participar das olimpíadas, no Rio de Janeiro”, declarou.

Mas, infelizmente, relatos como os deles, que terminam com final feliz, não são os mais comuns entre os dependentes químicos. Para a maior parte das pessoas, a luta contra as drogas é longa, dolorosa e difícil de ser vencida. De acordo com o presidente da comunidade Casa do Bom Samaritano, Edmilson da Hora, são poucos os que têm referência e apoio familiar.

“Muitos chegam aqui sem ninguém para apoiá-los. Sem ter para onde ir no final do acolhimento. Isso é bastante preocupante, pois as chances de voltar para o círculo de amizade e para o mundo das drogas é muito alta. É exatamente por isso que trabalhamos tornando os acolhidos parte de uma família, dando condições sociais e, principalmente, buscando a reinserção profissional”, explicou.

Nova chance

A exemplo de quem ajuda pessoas com dependência química em Alagoas são os Anjos da Paz, formado por multiprofissionais ligados à Rede Acolhe. Coordenado pela Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev), o programa já ajudou 20 mil dependentes químicos que buscaram por ajuda e acolhimento para sair do mundo das drogas.

O programa acolhe dependentes de forma gratuita por meio de uma parceria com o Governo Estadual que custeia o tratamento. O objetivo é livrar o usuário da dependência, do tráfico de entorpecentes e da vulnerabilidade atrelada ao comércio ilegal de drogas.

“O governador Renan Filho nos incumbiu de implantar e fortalecer a Rede de Acolhimento a adolescentes e adultos, que vivem em situação de vulnerabilidade social, decorrente do uso de drogas, oferecendo oportunidade de reorganização de vida, proporcionando a diminuição das desigualdades sociais, contribuindo assim para a diminuição da violência”, destacou o secretário de Prevenção à Violência, Jardel Aderico.