Maioria dos empregados são jovens e trabalham 11 horas por dia
Problemas de saúde e fraude em pesagem para redução de salário foram apontados em um estudo realizado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que avaliou condições de trabalho nas plantações de cana-de-açúcar de Alagoas.
De acordo com o pesquisador Lúcio Vasconcellos de Verçoza, traçando um perfil dos cortadores de cana do estado, ainda é necessário lutar pelo direito de não morrer em decorrência do excesso de trabalho.
A maioria dos trabalhadores são jovens e moradores da periferia das cidades próximas às usinas e migrantes do sertão. “Esse grupo selecionado é dotado de habilidade e resistência física máxima para atingir as elevadíssimas metas de produção. Nesse contexto de intensificação do trabalho, só permanece empregado quem é capaz de cortar, no mínimo, 7 toneladas diárias de cana”, explicou o sociólogo.
Segundo o pesquisador, além do cansaço físico, há o impacto psicológico, já que muitos trabalhadores são descartados precocemente pelas usinas, mas entre todos os danos, o pior é o quadro de cãibras por todo o corpo. Esse quadro está relacionado à desidratação provocados pela alta intensidade do trabalho e pela longa jornada laboral sob o sol escaldante. Se o distúrbio não for tratado a tempo, em alguns casos, pode levar à morte súbita.
Cerca de 60 trabalhadores das várias usinas de Alagoas foram entrevistados. Eles revelaram que trabalham 11 horas por dia e que pelo fato de não terem controle exato da quantidade produzida, as pesagens realizadas pelas empresas são fraudadas.
A mecanização da colheita da cana foi outro ponto levantado durante a pesquisa. Trabalhadores estão apreensivos. Isso porque a chegada das colheitadeiras pode representar o desemprego para os cortadores de cana de todo estado.
