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Cultura

Coquetel na Casa Brasil promove livros de cultura negra

Coquetel na Casa Brasil promove livros de cultura negra

Um coquetel na Casa Brasil marcou o lançamento dos cinco romances vencedores do Prêmio Oliveira Silveira, cujo objetivo é promover a cultura afro-brasileira. O evento, realizado na noite dessa terça-feira (13), foi realizado pela Fundação Cultural Palmares e pelo Ministério da Cultura (MinC).

O presidente da Fundação Palmares, Erivaldo Oliveira, ressaltou a importância de iniciativas como esta para registrar a história do povo negro. “Vamos fazer lançamentos no Brasil inteiro para promover as obras. A cultura do nosso povo está muito presa à oralidade. A gente precisa cada vez mais escrever livros, fazer filmes, contar nossos fazeres e solidificar a história da cultura negra na formação do povo brasileiro”, destacou. “A partir deste prêmio, vamos instituir na Fundação Palmares um conselho editorial, para estar sempre publicando livros sobre nossos conhecimentos”, explicou.

Uma comissão formada por oito professores de Literatura e Letras foi criada para selecionar os livros. Os romances contemplados nesta edição foram Água de Barrela, de Eliana Alves dos Santos Cruz (o grande vencedor do prêmio), Haussá 1815 – Comarca das Alagoas, de Júlio César Farias de Andrade, Sobre as vitórias que a história não conta, de André Luís Soares, Sina traçada, de Custódia Wolney, e Sessenta e seis elos, de Luiz Eduardo Carvalho.

Eliana Alves dos Santos Cruz fez um discurso emocionado na premiação. “Meu livro trata da minha história pessoal, da minha ancestralidade. Foi um processo doloroso, por um lado, e redentor, por outro. À medida que eu mergulhava no meu passado, conversando com minhas tias, ia resgatando coisas de dentro de mim e explicando muito da minha existência. Consegui preencher uma lacuna que muitos de nós temos, o ‘de onde nós viemos e para onde nós vamos'. Hoje eu tenho essa resposta para dar para meus filhos e isso não tem preço”, afirmou.

Após os discursos de agradecimento, os autores realizaram uma concorrida sessão de autógrafos. Depois do coquetel, vans levaram os convidados para a Fundição Progresso, para ver a exposição Raízes, da artista e fotógrafa Sophia Costa. As fotos homenageiam personagens femininos reais, como Dandara do Quilombo dos Palmares ou rainhas africanas que estiveram à frente de dinastias, e representações mitológicas ou orixás. Os cabelos nos mais variados penteados e estilos apresentados nas fotos mostram a versatilidade do cabelo afro e como ele pode fortalecer a identidade da mulher negra.

“A mostra é voltada para o empoderamento da mulher negra. São 12 fotografias, quatro deusas, quatro rainhas e quatro guerreiras. É a primeira vez que a exposição sai de Brasília. Estou muito feliz com a vinda para o Rio, dá mais visibilidade. A mostra será exibida também em Berlim, na Alemanha, no dia 24 de setembro, em um instituto voltado para o empoderamento de mulheres”, informa Sophia.