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Maceió

Conferência discute acesso e financiamento do SUS

Gestores, trabalhadores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) se reuniram, nessa quinta-feira (02), no auditório do Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Jaraguá, para mais um dia de discussões na VIII Conferencia Municipal de Saúde de Maceió (Consan). O evento foi aberto na noite da quarta-feira (01), com a palestra magna do secretário da Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Rogério Carvalho. O evento segue nesta sexta-feira (03) e tem como tema a “Saúde pública de qualidade para cuidar bem das pessoas: direito do povo brasileiro”.

Para discutir propostas de melhorias no atendimento do SUS em Maceió, com a participação de todos os segmentos da saúde e da sociedade, os trabalhos foram iniciados com a Mesa Redonda “Direito à saúde, garantia de acesso e atenção de qualidade, gestão do SUS e modelo de atenção à saúde”, que foi discutida pelo médico e ex-secretário de Saúde do Município, Adeílson Loureiro, pela promotora de justiça Micheline Tenório e pela especialista em serviços de saúde e diretora de Proteção Social Especial, da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), Vânia Barros.

De acordo com Adeílson Loureiro, é fundamental que os segmentos de controle social discutam como deve funcionar o Sistema Único de Saúde. “Eu reconheço o quanto já evoluímos até aqui desde que o SUS foi criado, mas ainda temos muitas conquistas a serem alcançadas. A Conferência serve para elegermos essas prioridades junto dos que vivenciam o SUS na pele”, disse.

Para Vânia Barros, é preciso falar sobre a forma como se oferta serviços de saúde à população. “A saúde foi um direito adquirido com muita luta e é um dever do poder público fornecer para toda a população. É preciso que todos assumam seus respectivos papéis nas diversas instâncias e chamem para si a responsabilidade que lhe cabe na melhoria do sistema”, frisou.

“A população cresce cada vez mais e os serviços se mantém ou diminuem, essa é uma realidade existente em todo país. Não se garante acesso se não houver financiamento e por isso é preciso pensar no que as pessoas estão precisando hoje e o que preciso fazer, a exemplo de quanto recurso é preciso, e só nessas instâncias de controle social isso é possível”, destacou a promotora Michele Tenório.

Após a fala de palestrantes e debatedores, foi aberto o diálogo com a plenária, que levantou questões sobre o acesso aos serviços de saúde, controle social e qualidade dos atendimentos. Todas os questionamentos foram registrados pela relatoria e serão discutidas nos grupos de trabalho, onde serão aprovadas propostas para a melhoria do Sistema.

Financiamento do SUS

Ainda nessa quinta-feira, foi abordado o tema “Financiamento do SUS e a relação público privado”. Essa Mesa Redonda contou com a presença do secretário-adjunto do Município, Joellyngton Medeiros e da docente de Serviço Social, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e militante do Fórum em Defesa do SUS, Maria Edna Bezerra.

Para Joellyngton Medeiros, o país está atravessando um período onde é iminente a transição de uma saúde 100% pública para um sistema privado. “Projetos estão em tramitação no Congresso Nacional e é preciso impedir, fazer disso uma bandeira de luta para que o SUS permaneça gratuito e universal”, disse.

“O que se percebe em todo país é um grande investimento em redes conveniadas, que constitucionalmente deviam atender de forma complementar, e pouco investimento na saúde pública. Essa lógica precisa ser revertida”, pontuou Maria Edna Bezerra.