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Maceió

Cerest da capital promove oficina sobre referências técnicas

O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) promoveu na manhã desta quarta-feira (20), na sede do órgão, localizada na Jatiúca, a I Oficina de Implementação das Referências Técnicas em Saúde e Segurança do Trabalhador. A capacitação foi direcionada aos profissionais dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Hospital Escola Portugal Ramalho.

A atividade buscou informar aos trabalhadores sobre as diretrizes do Ministério da Saúde referentes à saúde e segurança do trabalhador, assim como firmar parcerias entre o Cerest e essas instituições.

Karoline Félix, responsável técnica pelo Núcleo de Saúde Mental do Cerest, afirma que é necessário manter o diálogo entre o Cerest, Caps, Cras e Portugal Ramalho. “Com as parcerias com essas entidades, nós buscamos aumentar as notificações de violência e saúde do trabalhador, já que hoje há uma subnotificação, o que impede de formar um perfil epidemiológico correto e traçar políticas que melhorem a qualidade da vida do trabalhador, já que sabemos que os trabalhadores adoecem, mas não há dados oficiais”, explicou.

Ao longo da capacitação, os profissionais dessas entidades transitaram entre os mais diversos temas ligados à saúde física e mental do trabalhador, tais como referências técnicas existentes no município, notificação em saúde do trabalhador, notificação em saúde mental e notificações de violência. Ao final da exposição dos temas, foi realizada uma oficina sobre o manuseio e preenchimento correto das fichas de notificação e investigação, além de informações sobre os procedimentos necessários a cada caso e o suporte que o Cerest oferece.

De acordo com Patrícia Vieira, psicóloga do Cerest que tratou do tema trabalho e saúde mental, o ambiente laboral do indivíduo é o espaço onde ele constrói sua subjetividade, podendo resultar em uma experiência positiva ou negativa. “Muitos transtornos são resultado de fatores como organização de trabalho, assédio moral, exposição a situações degradantes, traumáticas, podendo ocasionar distúrbio psíquico ou agravar um já existente”, ressaltou. Vieira pontua ainda que os serviços de saúde estão aptos a notificar sobre esses transtornos, mas só médicos e psicólogos podem fazer o diagnóstico, que é clínico, devendo haver nexo causal com o trabalho.

A coordenadora de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (Dant), Rozali Costa falou sobre a ficha de notificação compulsória de violência, que tem o objetivo de acionar a rede de proteção e garantir o atendimento, encaminhamento e acompanhamento de pessoas nessa situação. “A ficha serve para que sejam traçadas políticas públicas de enfrentamento da violência, reduzindo a morbidade por causas externas”, afirmou.

O Ministério da Saúde, tendo a ficha de notificação de violência como instrumento, aponta como o público passível de notificação dos casos suspeitos e confirmados de violência doméstica, sexual, autoprovocada (tentativa de suicídio), tráfico de pessoas, trabalho escravo, pessoas idosas, portadores de deficiência, indígenas, crianças e população LGBT.

O que é notificação?

É a comunicação obrigatória e sigilosa à autoridade de saúde, realizada por médicos e enfermeiros sobre a ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento, podendo ser diária ou semanal. De acordo com Bruna Santos Omena, técnica da Vigilância epidemiológica do Cerest, as notificações buscam analisar a situação de saúde do trabalhador, investigar casos suspeitos, estabelecer perfil epidemiológico e implantar referências técnicas nas instituições. “Esperamos que, com isso, possamos acompanhar melhor os eventos de saúde relacionados ao trabalho e intervir neles”, afirmou.

Para a fisioterapeuta do Cerest e coordenadora de programas estratégicos de Saúde do Trabalhador, Flaviana Lopes, as políticas de agravos só podem ser construídas a partir da existência de registros oficiais. “Queremos que esses profissionais que estão passando por essa capacitação se sintam responsáveis pela notificação em seus locais de trabalho, seja Caps, Cras, unidades de saúde, pois só assim mudaremos esse cenário”, finalizou.