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Casualmente Conheci o Branca de Neve

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Casualmente Conheci o Branca de Neve

Da mesma forma, acidentalmente conheci um cidadão popularmente conhecido por Duda. Depois de mútua apresentação começamos a conversar sobre o carnaval. Foi num sábado de carnaval, por volta de umas dez horas. Perguntei-lhe se no povoado Peba, onde nos encontrávamos e estava a conhecê-lo, havia algum festejo momesco.

O senhor acima, educado e índole hospitaleira, após um breve histórico de sua biografia, informou-me que estava a comemorar, com colegas fundadores e outros amigos, o carnaval do bloco Branca de Neve, criado há cinquenta anos atrás, quando estudantes na cidade de Penedo. Fui então convidado a comparecer no dia seguinte, primeiro dia da comemoração, a partir das dez e trinta, à casa do senhor Anilton, ponto de partida. Antes, explicou-me como acontecia o desenrolar da folia.

Encontrava-me hospedado em uma pousada de frente para o mar. Às onze horas cheguei à residência indicada. Algumas pessoas já se encontravam, outros aos poucos iam chegando e em seguida a orquestra de cinco ou seis componentes. Fui apresentado a um bom número, homens e mulheres, casados na sua quase totalidade. O que muito me chamou a atenção, como fui esclarecido pelo Duda, foi o geral estado de espírito a esbanjar alegria e cordialidade, brincadeiras, uma autentica réplica da grande família distinguida com a graça da confraternização. Depois de comer e beber, alguns a dançar ao ritmo alegre da música, é dada a partida para os novos endereços, Regueira e Tuca que por coincidência formam o trio idealizador da ressuscitação do bloco.

Não me fiz de rogado e achei por bem aceitar o novo convite para a terça-feira. A saída seria da casa do Duda. Lá chegando, no mesmo horário do domingo, a orquestra já tocava e a animação seguia numa crescente temperatura. Como aconteceu no domingo, depois de um animadíssimo comes e bebes, o anfitrião, antes de dar partida para o itinerário traçado, fez uso da palavra para exaltar as virtudes do bloco, dando e impressão, pela comovente ênfase, que dorme e sonha com o bloco.
Eis porque, quando se fala em harmonia, congraçamento e amizade, o Branca de Neve atua nele como uma ninfa ou musa inspiradora para colocá-lo no ápice ou no rol das raras exceções dessas qualidades. Se não pecasse pelo exagero, diria que é capaz de atribui-lhe um dom divino. Dentro dessa visão, é admissível até imaginar, pelo tamanho apreço que tem pelos que formam o bloco, que se poder tivesse, expediria passaporte para que todos tivessem acesso ao reino celestial. Não acreditem que estou a ironiza-lo pela sua arrebata admiração pelo Branca, tão pura quanto a neve. Seu lirismo a respeito dele é tão grande quanto o que faria a uma bela e sensual virgem para um irresistível idílio amoroso.

Em resumo, a última visita ocorreu na casa de um médico, o Raimundo, famoso anatomista no preparo de um filé de pilombeta. Não bastasse essa iguaria, os foliões, ao adentrarem em sua casa, deram de frente com um ensopado de jacaré e outro de filé de siri. Puseram rapidamente tudo a nocaute, quando imaginei, por mim, que todos estivessem de estomago cheio. Predominou o pecado da gula. Nocauteados ficaram quase todos. Desapareceu o clima carnavalesco. Percebia-se a acomodação e a serenidade do animal satisfeito. Somente um cidadão barbudo conhecido por Pereira, pau d’agua de primeira, um legítimo filho de Baco, dançava a todo vapor. Uma outra demonstração de vida e alegria, deu-se quando boa parte dos fundadores presentes, numa demonstração de indestrutível amizade, abraçados, rodopiaram pelo salão. Foi, na aparência, uma comovente cena tribal.

Nada mais justificava a permanência. Aos poucos foram saindo. Carregavam dentro de si a nostálgica despedida com a esperança e a certeza do próximo reencontro. Fiz o mesmo, apresentando, antes, meus efusivos agradecimentos por tanta cortesia recebida. Enquanto me dirigia para a minha pousada, veio-me à mente uma premonição. Foi como se estivesse a visualizar, através das vísceras do Peba, a inexorável redução dos quadros do Branca de Neve. Os poucos que restavam, velhos chochos, mirrados e sem vida, simbolizavam um fantasmagórico saco de ossos que, não obstante sua fúnebre aproximação, deixava para a posteridade o exemplo do mais forte laço de sincera amizade, transfigurada numa autentica irmandade.

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