Atuais campeãs paralímpicas, alemãs mostraram superioridade técnica e tática em quadra
A seleção feminina de basquete em cadeira de rodas fez um jogo digno diante da pedreira que é enfrentar um time que busca o bicampeonato paralímpico. Só que a Alemanha dominou o jogo ao apresentar mais eficiência e regularidade, mesmo diante da barulhenta torcida local na Arena Olímpica do Rio, no Parque Olímpico da Barra. Se na estreia o Brasil venceu a Argentina por uma larga vantagem, agora não teve chances e perdeu por 77 x 32.
Com vantagem também de estatura, as alemãs formavam uma defesa mais sólida, que protegeu bem o garrafão e conseguiu mais rebotes (52 a 18 no jogo). A experiência de um time que foi medalha de ouro em Londres-2012 se mostrava na tática, num jogo coletivo sólido refletido no número de assistências.
O Brasil tentou equilibrar com boas jogadas e marcações individuais, além do esforço na defesa pra roubar mais bolas e causar mais “turnovers”. No entanto, o ataque desperdiçou muitos arremessos. No primeiro quarto, apenas uma cesta em 12 tentativas, o que gerou um placar de 23 x 2 logo de cara. Na partida inteira, o percentual de aproveitamento ficou em 25% nas bolas de dois pontos e 33% nos lances livres, contra 63% e 77% da Alemanha nos mesmos quesitos.
No segundo tempo, porém, o Brasil cresceu de rendimento e equilibrou o jogo contra as atuais campeãs paralímpicas. As dificuldades no ataque persistiram, mas a seleção reforçou a defesa, de modo que a Alemanha tinha mais dificuldades nos arremessos e em manter a posse de bola.
O jogo das anfitriãs ficou ainda mais digno de aplausos no último quarto, o que rendeu um placar de 14 x 11 para a Alemanha, e uma diferença de apenas 13 pontos ao se considerar apenas o segundo tempo. A apresentação no fim trouxe esperança para o time nos próximos desafios do grupo, contra Grã-Bretanha, neste domingo (11.09), e Canadá, na segunda-feira (12.09).
Foi a impressão que ficou também para a armadora Geisiane Maia. A diferença de estatura influenciou de forma decisiva no placar elástico do jogo. “As pivôs da Alemanha são muito altas. O difícil foi não deixar elas chegarem muito perto do garrafão pra poder arremessar. Só que as baixinhas delas conseguiam se movimentar muito bem e deixavam elas em boa posição. No próximo jogo vamos tentar acertar bastante a defesa”, analisou.
Uma das pivôs que se beneficiou com isso foi Gesche Schunemann. “É difícil vencer nosso time, que é o atual campeão, mas acho que o Brasil fez um ótimo trabalho, arremessaram bem, e acredito que ainda vão ganhar mais jogos na competição”, comentou a alemã.
A cestinha da partida também foi a pivô Mareike Muller, que joga no Milwaukee Bucks (EUA). Ela anotou 22 para a Alemanha. No Brasil, Vileide Almeida, com sete pontos, e Geisiaine, com seis.
