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Vamos voltar ao tempo das Volantes?

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Vamos voltar ao tempo das Volantes?

O estado de Alagoas passa por uma crise sem precedentes. E não é apenas a crise econômico-financeira da redução do FPE, greve de servidores, carências na saúde e na educação ou casos de gripe suína que nos levam a essa observação. É uma crise maior. É a crise da violência que se transformou em instituição forte, organizada e bem administrada.
Os jornais do estado respingam sangue. Políticos, autoridades e agentes públicos que deveriam proteger a população são apontados como mandantes e executores de crimes hediondos, envolvidos com roubo de dinheiro público, tráfico de drogas e outras mazelas sociais.
Institucionalizou-se o crime em Alagoas.
Em nossa outrora pacata Penedo, que lá fora muitos (ou pelo menos os que só lembram de Penedo quando querem dar “pitaco” sobre como isso ou aquilo deveria ter sido feito) ainda julgam um reduto de paz e tranqüilidade, explode uma violência que, ao contrário do que dizem as autoridades, e está provados nos registros diários da imprensa, a Lei Seca não conseguiu reduzir.
As fugas e tentativas de fuga da Delegacia local, transformaram-se em piada no anedotário popular, a ponto de ter-se instalado uma espécie de “fugômetro”: na primeira turma fugiram 12, na segunda turma 17, na terceira turma 30 e na quarta turma 15. Nos últimos meses, 74. Se as recentes três tentativas não tivessem sido abortadas….
E se você, leitor, quiser saber o que faz a polícia, eu respondo: a polícia reza.
A polícia reza para que não aconteçam assaltos, assassinatos, estupros, roubos, fugas. E sabe por quê? Porque a polícia não tem condições de trabalhar. As viaturas mais parecem lixo destinado ao ferro-velho. Quando quebram (melhor seria colocar no singular mesmo; só tem uma!) o comandante da corporação precisa pedir a alguma oficina da cidade para consertar, a título de serviço prestado à sociedade, sob penas de, se for para as oficinas oficiais na capital, não retornar e a cidade ficar ainda mais desguarnecida.
A Delegacia Regional, que atualmente abriga 45 presos, tem celas interditadas, baratas, ratos, mofo, fezes, condições que mais se assemelham aos famigerados campos de concentração encontrados no pós guerra. Os policiais civis, que deveriam estar trabalhando na investigação que tira bandido da rua, no atendimento ao cidadão prestante e na confecção de inquéritos que são o primeiro passo para a aplicação da tão sonhada justiça, restringem suas atividades à condição de carcereiros.
Enfim, as soluções para conter a violência que é uma realidade nos nossos dias têm tido apenas respostas individualizadas. Quem pode, contrata segurança eletrônica, põe cerca elétrica, portão, câmeras, células fotoelétricas e toda essa parafernália que a tecnologia oferece nos dias atuais. Quem não pode, reza também!
Ainda assim, o cidadão não vive apenas dentro de sua casa transformada em fortaleza. Ele trabalha, viaja, circula pelas ruas que oferecem todo tipo de perigo e está sujeito a ser mais uma vítima nessa guerra que estamos perdendo para a criminalidade e que tem profundas raízes sociais e políticas.
Neste 25 de agosto comemora-se o Dia do Soldado. Tem desfile e homenagens. Quem esteve na volante que combateu Lampião talvez tivesse melhores condições de trabalho.

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